LIDE FUTURO Entrevista: João Kepler, da Bossa Nova Investimentos

“Um investidor-anjo profissional não investe para ter dividendo. Ele investe para ter equity e depois exit” – João Kepler

João Kepler é escritor, anjo-investidor, conferencista, apresentador de TV, podcaster e pai de empreendedores. Especialista na relação empreendedor-investidor, foi premiado quatro vezes como o Melhor Anjo-Investidor do Brasil pelo Startup Awards. Também é Diretor e Partner da Bossa Nova Investimentos, que realizou mais de 700 investimentos em startups nos últimos quatro anos.

Kepler está conectado com o que há de mais inovador no mundo dos negócios, e por isso é conselheiro de várias empresas e entidades. Também é autor de sete livros, sendo dois deles os bestsellers “Smart Money” e “Gestão Ágil” e o mais recente: “Se Vira Moleque!”.  

Nesta entrevista ao LIDE FUTURO, Kepler fala brevemente sobre o seu histórico profissional com a Bossa Nova Investimentos e, também, dá dicas para quem quer investir em startups.

LIDE FUTURO – João, conte um pouco sobre o nascimento da Bossa Nova Investimentos.

JOÃO KEPLER – Sou investidor há quase 12 anos, comecei em 2009 como investidor de startup, investidor-anjo. No começo era um aprendizado, com pouco dinheiro. Aprendendo e errando muito. Em 2011, comecei a fazer isso profissionalmente. E, em 2014, reencontrei o Pierre Schurmann, um velho amigo que estava em um ano sabático. Até que em 2015 resolvemos juntar as escovas e abrir uma estrutura juntos, pois ele tem o mesmo pensamento que o meu – o de investir na fase inicial, que é o pré-seed, uma vez que temos diversas fases: investimento-anjo, pré-seed, seed, Serie A, Serie B, e vai subindo até o IPO (do inglês: Initial Public Offering). Neste contexto, o Pierre tinha feito um estudo superficial de algumas ventures capital no mundo que faziam esse estágio e mostravam quais eram as performances delas. Nós atualizamos o estudo e nasceu a Bossa Nova Investimentos, a primeira venture capital do Brasil a investir em pré-seed, com um cheque entre R$ 100 e R$ 500 mil.

LIDE FUTURO – E qual é o objetivo de vocês com essas startups na carteira da Bossa Nova Investimentos?

JOÃO KEPLER – Nossa mentalidade nunca foi a de dividendos ou a de rapidez para vender a empresa e voltar o dinheiro. Sempre foi a de aumentar o valuation para ter um equity maior e, assim obter um valor de patrimônio da Bossa Nova Investimentos maior. Porque algumas dessas startups, em cima dos estudos que fizemos, iriam virar startups High-Performance, Centauros ou até Unicórnios. Assim, decidimos investir em 1.000 empresas até final de 2020, o que não vai acontecer por diversos motivos, sendo que neste momento temos em torno de 700 empresas.

LIDE FUTURO – No final de 2016 vocês lançaram um fundo privado na CVM. Como foi esse lançamento?

JOÃO KEPLER – Isso, lançamos um FIP (Fundo de Investimento em Participação) registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que é um fundo privado, e vários amigos nossos quiseram investir com a gente. Após isso, um grupo de Minas Gerais não quis investir no FIP, mas quis ser acionista. Com isso, tivemos a certeza de que a nossa tese de investir no começo de qualquer startup estava indo bem.

LIDE FUTURO – Quais são os principais critérios que você utiliza para investir em uma startup?

JOÃO KEPLER – No estágio pré-seed é bem parecido com o investimento anjo, e diferente do critério para empresas que estão na Serie A. Digo que a nossa primeira análise é muito sobre o empreendedor, se ele vai entregar o que diz que vai entregar. Assim, analisamos o empreendedor, o modelo de negócio, se tem mercado e se resolve um problema, além, claro, de alguns KPIs (do inglês: Key Performance Indicator).

LIDE FUTURO – Como investidor, como você garante participação em empresas sem riscos trabalhistas, ambientais ou outros erros que os gestores podem cometer?

JOÃO KEPLER – Infelizmente no Brasil não temos um contrato único para se fazer esse tipo de investimento como nos Estados Unidos. Aqui nós simulamos os contratos americanos e fazemos um contrato chamado mútuo-conversível, que na verdade a gente empresta o dinheiro para o investidor em troca de uma participação futura, sendo que quando vence o contrato ou ele dá o equity correspondente, ou ele paga o valor, o que na realidade nunca paga, é só para termos um instrumento que não reflete situações trabalhistas ou tributárias. No final das contas ele é o meu credor, sendo que o contrato converte em ações para a Bossa Nova Investimentos no futuro, caso o empreendedor não nos pague.

LIDE FUTURO – Quais são as ferramentas e aplicativos de comunicação e gestão que você utiliza para acompanhamento das startups?

JOÃO KEPLER – Quando investimos em muitos negócios, o controle precisa ser escalável. Quando eu era anjo, sozinho, eu pegava na mão de todos eles

[empreendedores]

. Nós separamos as startups em três níveis: High-Performance, High-Potencial e todas as startups. E temos uma tratativa diferenciada no tipo de atendimento, pois cada tipo de startup precisa de certos cuidados específicos. Assim, criamos diversas esteiras dentro da Bossa Nova Investimentos: esteira de screaming para atrair e selecionar startups; esteira para tomada de decisão se investe ou não; esteira para fazer a diligência; esteira de investimento; e, por fim, a esteira chamada “Rede”, que são os profissionais que cuidam dessas empresas, sendo que todas essas esteiras informam o board através de reports e sistemas. Atendemos todas as startups muito bem com uma equipe de 26 funcionários, tanto que nosso NPS (Net Promoter Score) é de 95.

LIDE FUTURO – Qual é o tempo médio de análise de uma empresa para investimento?

JOÃO KEPLER – Em média são três meses da entrada da startup até o investimento.

LIDE FUTURO – Como investidor, você é participativo nas empresas que investe? Quais são as principais atribuições no dia a dia?

JOÃO KEPLER – Não devemos nos apaixonar por nenhuma startup. Só que eu descumpro essa regra o tempo todo [Risos]. Sempre tem gente querendo falar comigo e eu sempre vou atendê-los. Todo dia falo com duas ou três pessoas, de startup que investimos ou não. Sou o RI (Relações Institucionais) da Bossa Nova Investimentos. Sou eu quem falo pela empresa e que participa dos eventos.

LIDE FUTURO – A Lei do Investidor-Anjo te dá o direito de receber os dividendos da empresa por até sete anos. Você considera a lei injusta para o investidor que é participativo?

JOÃO KEPLER – Essa lei não tem qualquer reflexo para nós. Um investidor-anjo profissional não investe para ter dividendo. Ele investe para ter equity e depois exit. Como eu quero que a startup cresça, a gente investe e reinveste. Nessa classe de ativo o investidor não está preocupado com isso.

LIDE FUTURO – Quais são as perspectivas do mercado de investimento em startups?

JOÃO KEPLER – No mês de outubro de 2020 batemos recorde de captação de investimentos em startups no mercado brasileiro. O Brasil já é o maior da América Latina em venture capital com mais de 50% de participação. Porém, ainda precisaríamos triplicar o investimento atual para atender ao mercado. Falta dinheiro? Não. Falta entendimento por parte dos empresários de que essa classe de ativos é uma alternativa de investimentos.

LIDE FUTURO – Quais são as suas dicas para quem está entrando agora no mercado como investidor-anjo?

JOÃO KEPLER – Cola de quem sabe! Aprenda! Não arrisque seu cheque em um negócio sem saber o que você está fazendo. Se tem um amigo que já tem experiência em startup, analisa o track record dele e, se for positivo, cola nele para fazer o investimento. A dica é co-investimento e faça cursos de investimentos! Eu mesmo já perdi 44 negócios, mas em compensação já fizemos 17 exits.

LIDE FUTURO – Você tem um curso para investidores-anjo. Como essa pessoa consegue se inscrever em seu curso?

JOÃO KEPLER – Tem que ser amigo! [Risos]. São grupos para 30 pessoas. Um exemplo, o LIDE FUTURO quer fazer um curso. Daí, eu vou lá e faço. São dois dias de curso.

LIDE FUTURO – Quais são os seus próximos projetos?

JOÃO KEPLER – Depois que você conquista muita coisa na vida, você precisa ter um propósito. Eu descobri que o meu é educar, contribuir, colaborar. Por incentivos de meus filhos, passei a ser ativo nas redes sociais e, com isso, ajudando muito mais pessoas, pois o seu alcance aumenta.

LIDE FUTURO – Quais são os seus próximos passos na Bossa Nova Investimentos?

JOÃO KEPLER – Obviamente a Bossa Nova Investimentos irá abrir novos fundos de investimentos públicos e privados. Ela já é e quer se consolidar como a maior Venture Capital da América Latina e, quem sabe, um dia abrir oferta pública. Só que o grande ativo da Bossa Nova Investimentos são as suas startups. Quanto mais elas crescerem, maior o valuation da Bossa. Quanto maior o valuation da Bossa, maior a minha participação e a minha possibilidade futura de auferir um melhor resultado.

Conexão emocional trouxe à Trigg mais clientes

Marcela Miranda, CEO da Trigg, conta quais foram os gatilhos para o sucesso da empresa

Marcela Miranda deixou claro aos filiados do LIDE FUTURO suas duas paixões: ela é aficionada por NFL (National Football League), a famosa liga de futebol americano e, também, ama comandar a Trigg, uma fintech que utiliza tecnologia digital aplicada de uma maneira inteligente ao mundo das finanças.

Como CEO da Trigg, contou a todos, durante o evento By Members promovido na noite do último dia 30 na sede da Inovalli, alguns detalhes sobre o sucesso da empresa no mercado de fintechs: “Devolver parte da fatura do cartão de crédito para o cliente, o famoso cashback, foi uma das principais sacadas da Trigg”.

Atualmente, a porcentagem do cashback do valor gasto varia de 0,55% a 1,30% do total da fatura do cliente. Em um simulador no site da Trigg é possível verificar quanto voltaria a cada compra, antes de realizá-la. Por exemplo, se a pessoa gastar R$ 5.000/mês, terá um cashback de 1,30%, ou seja, R$ 65 de volta. Para empatar com a anuidade (R$ 9,90/mês) e, com isso, não ter custos com o cartão de crédito, que tem bandeira internacional, é necessário ter uma fatura de R$ 1.414,28 por mês.

Uma das perguntas que Marcela fez aos filiados era exatamente o tema principal de sua apresentação: “O que você vai fazer quando seu negócio virar commodities?”, sendo que, para ela, a resposta está na geração de conexão emocional com o seu cliente. “Um dos gatilhos para o crescimento da nossa empresa foi o lançamento dos cartões de crédito com personagens de histórias em quadrinhos e de filmes, como o Joker [Coringa, no Brasil]. Lançamos esses cartões e iniciamos essa conexão emocional com o nosso público”, contou Marcela, que complementou: “Todos que empreendem não podem esquecer de manter essa conexão emocional que foi gerada com sucesso entre a empresa e o cliente. De nada adianta ser algo esporádico”.

Com muito bate-papo e networking, o evento contou com a presença de mais de 50 filiados.

E, no fechamento desta matéria, foi anunciado que o Vector, fundo de investimento da financeira Omni, que já detinha 70% da Trigg, comprou o restante da companhia. O LIDE FUTURO parabeniza Marcela Miranda e seu sócio, Guilherme Müller, por mais essa conquista!

Em parceria com a aceleradora ACE, LIDE FUTURO promove Startup Day

Em parceria com a ACE, uma das maiores aceleradoras de startups da América Latina, e com patrocínio do Spaces Brasil, o LIDE FUTURO promoveu, no último dia 10, a primeira edição do Startup Day de 2019. O evento, que aconteceu no MIS, ofereceu um dia de imersão, consultoria e networking para jovens lideranças, abordando todos os temas e prioridades de uma startup.

Além dos executivos da ACE, profissionais C-Level da GAMA Academy, escola que capacita talentos nas áreas de programação, design, marketing e vendas para o mercado digital, e da Blanko, agência de comunicação focada em estratégia, planejamento e desenvolvimento criativos, também contribuíram com o conteúdo e curadoria do evento.

Durante o período da manhã, a primeira palestra foi sobre Validação do Negócio, apresentada por Luis Gustavo (LG), da ACE. Logo após, a Blanko, representada por seu fundador Bruno Moretti, trouxe pontos importantes sobre Marketing Digital, e, por último e não menos importante, o CEO da GAMA Academy, Guilherme Junqueira, abordou de forma estratégica o tema Cultura Organizacional.

Após o almoço, o evento seguiu exclusivo para os filiados do LIDE FUTURO, que contaram com três mesas redondas, cada uma com um tema específico, onde puderam expor com detalhes suas principais dores e trocar com os participantes e respectivos mentores. O fechamento do Startup Day ficou a cargo de Pedro Waengertner, cofundador da ACE, com o quadro “Ask Me Anything”.