Como o COVID-19 salvou minha vida

Por Israel Pestana Soares, Mestre em Engenharia Ambiental e Diretor Comercial da Aires Serviços Ambientais, além de filiado do LIDE FUTURO

Tenho 65 anos e o cenário implantado pelo COVID-19 salvou a minha vida, mesmo sendo uma pessoa classificada como grupo de risco, por estar em uma faixa etária mais avançada e ainda possuir problemas cardiorrespiratórios. Parece loucura, não é?!

Antes de tudo, deixe-me me apresentar: meu nome é Carlos Sadi, 65 anos, casado, com filhos e netos. Depois falarei dos meus negócios. Agora quero focar na minha saúde e na de todos vocês.

Tenho tomado todas as medidas necessárias para me prevenir da contaminação pelo vírus. Penso que devo proteger não somente minha família, mas sim toda sociedade. Estabeleci a premissa de que essa pandemia não iria interferir em minhas rotinas de pessoa idosa. Acordo às 04:30 (durmo cedo para tal) e preparo meu café da manhã, seguindo as recomendações do meu geriatra. Saio sempre de máscara, luvas e sempre higienizo minhas mãos e braços com água e sabão, além de evitar contato das mãos com minhas mucosas faciais.

Mas por que o COVID-19 me salvou?

Basicamente, porque a poluição do ar diminuiu absurdamente com o lockdown global. Portanto, estatisticamente falando, estou correndo menos risco. Ainda não entendeu? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4,1 milhões de mortes prematuras ocorrem anualmente por problemas associados à poluição do ar. Por conta do Corona, estou respirando um ar mais puro e menos poluído. Milhões de pessoas em todo o mundo que são classificadas como grupos sensíveis para desenvolver problemas cardiorrespiratórios e até mesmo câncer devido à poluição do ar, estão respirando um ar mais puro. Dentro desse grupo estão: fetos, crianças abaixo de 5 anos, idosos com mais de 60 anos e pessoas com problemas respiratórios.

Um artigo recém publicado por pesquisadores da universidade de Harvard relaciona o número de mortes de pacientes infectados com COVID-19 com a exposição de longo prazo à poluição do ar nas cidades americanas. Segundo os pesquisadores, pessoas que habitam em cidades mais poluídas estão mais susceptíveis a desenvolver complicações e chegar ao óbito. Os resultados apontam que o acréscimo de 1µg/m³ nas concentrações de PM2.5 (partícula muito fina que adentra os alvéolos pulmonares) aumentam em 15% a chance de óbito por COVID-19. Portanto, temos um efeito combinado do vírus com a exposição à poluição do ar.

Você deve estar se perguntando: Mas e os efeitos econômicos dessa paralização? O senhor não acha ruim o que está acontecendo? Eu digo que, com toda certeza, o impacto econômico na economia global está sendo muito comentado. Esse é o efeito imediato da paralisação das atividades: o faturamento das empresas diminui e as pessoas acabam sendo demitidas, o PIB reduz e a economia não cresce em função das incertezas do mercado. Contudo, o que não está sendo tão comentado são os ganhos econômicos ambientais nesse período de COVID-19.

Ninguém contou que menos animais estão ficando doentes e se desenvolvendo mais saudáveis, ou que as árvores e plantas estão aumentando a sua capacidade fotossintética, produzindo mais frutos e ainda mais saborosos. Ninguém reparou que há uma redução de desgastes de edifícios, monumentos e obras de arte, por conta da redução de formação de chuva ácida e deposição de partículas em suas superfícies. Tampouco deram importância para a redução de internações hospitalares por problemas cardiorrespiratórios. Sem contar a diminuição na emissão de gases do efeito estufa para a atmosfera que, em conjunto com o aumento da capacidade fotossintética da flora (aumenta o sequestro de CO2 na atmosfera), reduz o impacto do aquecimento global.

Falando agora sobre negócios, tenho um restaurante que é estritamente focado em atendimento aos clientes no local, um conceito de vender uma verdadeira experiência gastronômica para nossos clientes. Entretanto, não estamos atendendo ninguém. O resultado disso é faturamento zero desde que a quarentena teve início para nós, em 09 de março de 2020. Tivemos que evoluir e passar a trabalhar com entregas, mas, para não perder o conceito de experiência de nossos clientes, passamos a filmar desde a compra dos materiais  até o preparo da refeição de cada cliente, para que ele receba por YouTube todo o carinho e atenção que foi dado ao seu prato.

Portanto, frente à necessidade de evoluir rapidamente, entendo que para a economia tangível, tivemos uma transformação bastante significativa na maneira de fazer negócios entre empresas (B2B) e consumidores (B2C).

Muitas empresas perceberam oportunidades de reduzir custos operacionais com a implementação do home office, que para diversas profissões e perfis de colaboradores realmente funciona.

Meu filho Héctor, por exemplo, me contou que os artistas estão fazendo shows de suas próprias casas com milhões de pessoas assistindo, ou seja, público muito maior que obteriam normalmente e com um custo e impacto ambiental muito menor. Com toda certeza ocorreu uma disruptura na indústria do entretenimento.

Estou completamente convicto de que os ganhos econômicos ambientais em escala global, muitas vezes intangíveis, e a evolução na maneira de fazer negócios superam todas as perdas imediatas da economia.

Além disso, espero, de todo meu coração, que a sociedade aprenda com essa lição que nos foi passada pela mãe natureza e que possamos evoluir como seres humanos, homens e mulheres de negócios, mas principalmente como amigos do planeta.

nota: os personagens usados neste texto são fictícios.

Como será a sua relargada?

Por Diogo Vinícius, Sócio Fundador da FindMe e filiado do LIDE FUTURO

De tempos em tempos a humanidade passa por grandes crises de saúde. Foi assim com a Peste Negra, no século XIV (75 a 200 milhões de mortes), com a Gripe Espanhola, entre 1918 e 1920, em plena primeira guerra mundial (50 milhões de mortes) e mais recentemente a Gripe Suína, em 2009, com cerca de 1,4 bilhão de infectados, 20% da população mundial, e 500 mil mortes.

Estamos no meio de mais um desses grandes eventos, porém com algumas peculiaridades. Devido à grande mobilidade entre os cidadãos das mais diversas nacionalidades e as economias dos países cada vez mais conectadas, nenhuma das crises anteriores atingiu tantos países em tão pouco tempo. A pandemia do COVID-19 acertou em cheio o sistema de saúde e a economia global.

Seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria da população está em algum tipo de isolamento social, o varejo parou, as escolas estão fechadas e empresas estão trabalhando por meio do sistema home office. Vivemos em situação de guerra, onde o inimigo ainda nos é desconhecido. 

Fazendo uma comparação com uma corrida de Fórmula 1, é como se, de uma hora para outra, sem nada previamente programado, os carros tivessem que parar nos boxes. As equipes aproveitam para fazer algum tipo de ajuste no motor, troca de pneus ou reparar aquela peça que não está funcionando bem. Alguns carros voltarão mais cedo para a corrida, outros sequer voltarão para a pista e outros até conseguirão voltar, mas em condições bem precárias.

Temos já indicativos daqueles que estão voltando com tudo para a corrida. Telemedicina, plataformas de streaming e geração de conteúdo online, sistemas de gestão de produtividade de equipes remotas, entre outras descobertas e ganhos no universo digital, estão fazendo parte da rotina das pessoas e empresas nessa nova fase e assim permanecerão daqui para frente.

Como em outras crises, uma enxurrada de novas oportunidades surgirá, e já estão surgindo. É interessante observar esse poder de reinvenção do homem, essa habilidade notória de se ajustar e se readaptar para seguir em frente, para vencer e superar os próximos obstáculos. Tem sido assim desde os primórdios, um looping constante de início, meio e fim.

Não sabemos ainda qual o número de vidas que serão perdidas, nem os impactos na economia do país como um todo, porém, temos certeza de uma coisa: VAI PASSAR! Até lá, o que você está fazendo para isso? Como a sua empresa está se preparando? Em qual carro você estará? Como será a sua relargada?

O Futuro dos Empregos: O que o mercado espera de você pós-COVID?

Por Ravi Gama, CEO da 2FIND e filiado do LIDE FUTURO

Todos já devem ter percebido que a pandemia do novo coronavírus trouxe grandes transformações e impactos para a nossa sociedade. Desde que os primeiros casos da doença surgiram no Brasil, os hábitos da população têm sido diretamente afetados, já que, para desacelerar o contágio do vírus, a principal recomendação dos órgãos de saúde é o isolamento social. 

Em consequência desse cenário, o mundo empresarial foi obrigado a tomar algumas medidas para manter a produtividade. Surgiu então a necessidade de alterar o modelo de trabalho. A saída mais viável foi optar pelo trabalho remoto, mais conhecido como “home office”, que já se encontrava em ascensão no país.

Em regime de home office, já era de se esperar que uma verdadeira revolução se iniciasse no mercado de trabalho.Várias preocupações vieram à tona após essa medida. Como ficará o mercado de trabalho pós-coronavírus? Quais serão as principais consequências disso? O que o COVID-19 está trazendo de novidades para os profissionais e para as empresas?

As respostas para estas perguntas são complexas e envolvem vários fatores. O primeiro deles é a mudança que a quarentena gerou nos comportamentos das pessoas. O confinamento modificou boa parte dos nossos hábitos, costumes e modos de ser. A partir do momento em que fomos obrigados a viver um isolamento forçado, os nossos padrões comportamentais se transformaram. 

Vamos a um exemplo bem didático para exemplificar esse processo. Você trabalha em uma empresa de Tecnologia e Informação e, desde que a pandemia chegou ao Brasil, tem seguido todas as medidas de prevenção. Entre elas, o isolamento social e o trabalho em home office. Ou seja, você praticamente não tem saído de casa. 

Passar longas semanas confinado tem permitido que você se redescubra. Você está buscando manter a mente sempre ocupada, colocando em prática várias atividades de lazer, procurando por novos conhecimentos e está convivendo, mesmo que obrigatoriamente, com quem você mora. Por mais que, até agora, você talvez não tenha percebido, todas essas ações estão aguçando o seu autoconhecimento. O período em quarentena está permitindo que você se conheça cada vez melhor. Você está descobrindo e entendendo mais sobre as suas qualidades, defeitos, habilidades, receios e anseios. 

Dessa maneira, no momento em que você se auto compreende, você transforma a sua personalidade. Isso significa que, ao se conhecer melhor, as suas maneiras de agir, sentir e pensar, por conseguinte, também mudam. A mudança na sua personalidade, por sua vez, traz mudanças nas suas crenças. Até porque uma está interligada a outra. Quando os seus valores morais e éticos se modificam, logo, as suas opiniões e concepções sobre o mundo também se alteram. E, uma vez que você muda as suas crenças, você automaticamente muda a sociedade. Por último, ao mudar a sociedade, você também gera mudanças na indústria. 

É exatamente esse ciclo de mudanças que o país está vivendo atualmente. O comportamento humano está desencadeando sérios impactos nas relações pessoais e, principalmente, profissionais. Vários estudos e livros de medicina apontam que esse processo é completamente natural. O tempo que as pessoas gastavam no trânsito até o trabalho, agora, se tornou tempo útil. Estamos começando a experimentar um nível de produtividade pessoal de duas a três vezes maior do que antes. 

Diante desse cenário, algumas perguntas inevitavelmente surgem. Como as empresas vão lidar com essa mudança geral no comportamento dos trabalhadores? A partir de agora, o que elas vão buscar em um candidato? 

Pois bem. Se, antes, os critérios da contratação de profissionais se restringiam à formação acadêmica e experiência técnica, agora, esse método de avaliação não será mais o mesmo. Em uma sociedade super inteligente em que as informações se tornaram mais acessíveis e o aprendizado mais rápido, outras características terão mais ênfase. Na Sociedade 5.0, os candidatos que contarem com maior flexibilidade, autogestão e proatividade terão vantagens na hora de encontrar um emprego. As preocupações vão se voltar muito mais para a forma como essas pessoas trabalham do que para o currículo propriamente dito. 

O poder de autodisciplina e a capacidade de autogestão serão grandes diferenciais nessa Sociedade 5.0. Uma pessoa autogerenciável, que produz sem a presença do chefe ao lado, que cumpre os prazos e que possui responsabilidade o suficiente para entregar excelentes resultados. Esse é o perfil que será requisitado pelo meio empresarial nos próximos meses. 

As classes que estavam sendo esquecidas voltarão com tudo nos próximos meses. Autônomos, freelancers e empreendedores passarão a ser melhores vistos. Com o futuro se encaminhando para um momento de inovação, as circunstâncias vão exigir um profissional preparado para lidar com um mundo extremamente tecnológico.

Se por um lado existem pessoas preparadas para as novas demandas, por outro muitas não se enquadram nesse novo perfil. Mas isso não é motivo para desespero. Na verdade, é motivo para buscar inovação. Agora, mais do que nunca, existe a necessidade de mergulhar em novos aprendizados. As prioridades mudaram. É necessário deixar a formação acadêmica em segundo plano e se dedicar a desenvolver novas habilidades.

Nesse período de isolamento social, micro, pequenas e grandes empresas tiveram que intensificar as suas presenças no meio on-line. Foram obrigadas a encontrar soluções digitais para continuar atendendo. Reuniões por vídeo chamadas, conversas por chats, serviço de delivery, vendas por e-commerce e disponibilização de vouchers nunca estiveram tão em alta.   

Diante dessa abrupta revolução que o meio empresarial está enfrentando, o segredo realmente é procurar caminhos alternativos para se inserir no novo mercado de trabalho. A requalificação é a palavra-chave para este momento. Especializar-se em áreas diferentes, estudar novos cursos, estimular a criação de novos projetos, trabalhar a capacidade do autocontrole, desenvolver a criatividade e buscar insights. Todas as iniciativas inovadoras são válidas para esse processo de readaptação. Reunir todos os aprendizados que o isolamento social te trouxe é fundamental para descobrir o que você pode criar de novo.

Produtividade em tempos de quarentena

Por João Luis Olivério, Fundador e CEO da Sales as a System e filiado do LIDE FUTURO

Em meio ao caos e à enxurrada de fake news recebidas ultimamente sobre o que fazer ou não diante da crise que vivemos, saber como ser mais produtivo nesse momento e enfrentar o home office forçado, usando ferramentas de tecnologia e aproveitando para vislumbrar como realizar a transformação digital de seus negócios podem ser pontos chave para trabalhar e se organizar melhor.

A analogia do Waze pode ser bastante importante para construir um dia a dia mais produtivo. Costumo perguntar aos meus clientes, alunos e mentorados, tão logo iniciamos a nossa relação, sobre o que eles acreditam ser a maior utilidade do Waze. Praticamente todo mundo responde uma das seguintes alternativas: “chegar ao destino desejado”, “escolher a melhor rota”, “navegar por locais desconhecidos sem me perder” ou “saber quanto tempo vou demorar até o meu destino”. 

Todas são ótimas respostas, mas eu costumo trazer outra, que aborda em geral todas as opções acima, e um pouco mais: o Waze nos ajuda a controlar nossa ansiedade. Lendo essa frase, parece fácil de entender, mas pergunto: qual a relação disso com o contexto atual?

Pois bem, criei essa analogia por conta de uma situação que ocorreu em 2014, quando eu e minha esposa íamos à casa de um amigo assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Já no carro, quando entramos na Avenida 23 de Maio, em São Paulo, a Paula, minha esposa, começou a se desesperar e soltou algo como: “nós nunca vamos chegar em tempo, está tudo parado!”

Como eu não sou de achismo e sim de fatos concretos, liguei o Waze e nele apareceu que o tempo estimado de chegada seria de 12 minutos. Minha esposa continuou preocupada em se atrasar. Não se trata de achismo, e sim de tecnologia. Com certeza o Waze tem muito mais poder de processamento e dados históricos para tecer uma opinião mais apurada do que a nossa. 

Na ânsia em ser otimista, falei para minha esposa: “Pode até ser que o Waze erre, mas não serão mais do que um ou dois minutos de diferença, tenha certeza disso!”. Não deu outra, apenas 14 minutos depois estávamos entrando na casa do nosso amigo para curtir ao jogo.

E o que o Waze ensina com isso? Em especial, a controlar nossa ansiedade em situações de aparente desconhecimento, como a que estamos vivendo agora. Não tinha a certeza de que chegaríamos naquele exato período estipulado pelo Waze, mas também não seria algo que fugisse por completo. 

Temos que direcionar nossos esforços para aquilo que nos ajuda a controlar nossa ansiedade. O que vamos fazer enquanto o mundo lá fora está caótico só depende dos nossos esforços. Sabemos que um dia isso acabará, e vencerá quem estiver já pronto para retomar em alta velocidade, enquanto todo mundo ainda estará “curtindo” os golpes levados.

É justamente o tempo que hoje temos, e que não tínhamos há algumas semanas, que fará a diferença para podermos nos preparar para o que virá depois. Quantas vezes pudemos parar antes dessa crise toda para estudar, aprender, reciclar? Sempre estamos correndo, com prazos apertados, com o chefe reclamando e exigindo tudo para ontem. O tempo é o ativo mais precioso que temos, e nos permite trazer cada vez mais conhecimento.

Para auxiliar em como levar a produtividade mais a sério em casa e como tirar o melhor proveito de algumas das ferramentas tecnológicas disponíveis, trago enfim o fim de minha reflexão, resumida a uma fórmula simples a ser aplicada:

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL = TEMPO (para executar) + (ganho de) PRODUTIVIDADE + (foco em) CONHECIMENTO

É importante aproveitar esse tempo para estudar e aplicar ferramentas e conceitos que estavam guardados na gaveta, e direcionar esforços em treinamento. Assim sendo, para que a fórmula acima seja aplicada, deve-se avaliar cada um dos pontos da transformação digital:

TEMPO: com a adesão em massa aos home offices, houve um ganho de tempo muito precioso com alguns itens que precisamos rever: deslocamentos para o trabalho, almoços demorados, reuniões sem início e fim claros, o famoso cafezinho de 30 minutos e, obviamente, o “enrolar” para ir embora do expediente apenas após o chefe sair.

PRODUTIVIDADE: Existem diversas ferramentas prontas ou em desenvolvimento para a produtividade. Ferramentas que vão corrigindo automaticamente a sua escrita enquanto escreve, que transcreve áudios, até outras que te recomendam qual abordagem deveria ser considerada para quem você mandará um e-mail, baseado apenas no perfil do Linkedin da pessoa. Tem de tudo por aí, e o foco é quase sempre em ganho de produtividade. 

CONHECIMENTO: o momento atual possibilitou a muitas empresas oferecer conteúdo de qualidade de graça, em um movimento muito bacana para que as pessoas fiquem em casa, mas não fiquem paradas. É o momento ideal para pegar aqueles cursos e conteúdos engavetados e botar em prática.

Abaixo uma lista, um pouco diferente do que todos estão escrevendo de ferramentas, que são baseadas no modelo freemium, super acessíveis, ou mesmo gratuitas no momento atual:

Zoom (zoom.com): com certeza não é novidade e está em nove entre 10 listas que falam sobre home office, pois trata-se hoje da ferramenta que mais ganhou usuários com o caos atual. E não é por menos, pois tem qualidade, confiabilidade e recursos que tornam o home office muito mais objetivo. Uma recomendação é personalizar os seus fundos de tela, uma função que também é super útil, pois permite ocultar o seu novo escritório, muitas vezes bagunçado ou ocupado também por filhos passando, cachorro latindo e por aí vai. É um bom disfarce, lembrando os efeitos de chroma key usados no cinema.

AirTable (airtable.com): permite criar bancos de dados na nuvem e estruturas complexas através de simples modelos, baseado no conceito de blocos e com uma usabilidade fantástica. Como alguns gostam de descrever, se o Excel e o MySQL tivessem um filho, o nome dele seria Airtable!

Zapier (zapier.com): integra de forma fácil ferramentas que não são sincronizadas nativamente, super robusta e confiável. Todos os CRMs que lido são conectados ao Google Sheets, permitindo que eu possa ter informações ainda mais detalhadas, não disponíveis nessas ferramentas, além de análises comparativas entre diversos objetos que fogem um pouco da trivialidade.

IFTTT (ifttt.com): sigla para “If This, Then That”, é uma espécie de Zapier para questões de cunho mais pessoal, especialmente para sua casa e os gadgets que utiliza no dia-a-dia. Ele permite um enorme ganho de produtividade, além de economia, controlando qualquer tipo de situação que demanda um “gatilho”, seja para apagar ou acender as luzes de casa em um certo horário, ou para avisar quando você recebe um e-mail importante, quando começa a chover. 

Softwares de CRM (Customer Relationship Management): Esse tipo de ferramenta é o que hoje precisa de maior aprofundamento. E esse tempo disponível, e em que as vendas estão em sua maioria mais complicadas, é ideal para focar no aprimoramento desse tipo de ferramenta. O Pipedrive (pipedrive.com) é uma boa opção para a maioria das empresas, pois é confiável, escalável, intuitivo e possui muitas integrações. Existem alternativas, como Hubspot (hubspot.com) e Salesforce (salesforce.com), cada uma com uma finalidade mais latente.

Beautiful (beautiful.ai): pense em um Powerpoint “à prova de diretor”, em que a ferramenta não deixa que você cometa erros de alinhamento, distorções, fontes incoerentes, acúmulo de tópicos, tabulação errada, entre outros. Por meio de inteligência artificial (por isso o AI na extensão do domínio) isso tudo é possível, e permite que você crie apresentações incríveis em poucos minutos e sem a necessidade de gastar muito tempo com revisão por conta de aspectos visuais. 

Yesware (yesware.com): é um rastreamento em tempo real de abertura de e-mails e apresentações, esse é um dos melhores exemplos entre diversas alternativas existentes. Novamente, o grande trunfo de saber quando alguém abriu seu e-mail está alinhado com questões de ansiedade. Analise o seguinte: se você sabe que seu interlocutor abriu o e-mail uma, duas, diversas vezes, é sinal de que ele está realmente interessado e/ou mesmo encaminhou a seus colegas, ou seja, são grandes as chances de você receber um retorno, diminuindo sua ansiedade sobre se irá receber ou não uma resposta. 

Kahoot (kahoot.com): essa ferramenta é “queridinha” quando me refiro a treinamentos. Permite que você crie um quiz entre os participantes, cada um usando seu próprio celular, e de forma lúdica e gamificada. 

Metodologias: Os brasileiros são adeptos em seguir processos à risca, seja por falta de foco, tempo ou excesso de teimosia, e por isso o atual momento permite focar em novos aprendizados. Existe uma série de metodologias focadas em vendas, desenvolvimento de produtos, estratégias. Como minha área é vendas, recomendo que estudem sobre Predictable Revenue, The Challenger Sale, Dale Carnegie, Sandler, entre outras tantas. Não faltam conteúdos gratuitos e de fácil acesso.

Mesmo com todos os problemas que existem por aí e que em boa parte fogem ao nosso controle, esses momentos dentro de casa podem ser muito proveitosos para uma rápida retomada quando tudo isso acabar.

Como fazer networking remoto?

Por Laís Macedo, sócia da B4 Marry e do LIDE FUTURO

Se uma das premissas de uma verdadeira conexão é o olho no olho e um saudoso aperto de mão, como manter nossa rede ativa e em expansão em tempos de reclusão? Além de estarmos impedidos do contato físico, outra certeza é de que não estaremos juntos em eventos e reuniões. Mas não se apavore, existem caminhos para driblar esse momento.

Um ponto é fato, todos estão em suas casas e conectados à internet e, embora esse caminho de conexão seja um pouco mais frio, é possível humanizá-lo. Que tal começar segmentando sua lista de networking? Vamos lá! O primeiro caminho é mapear com quem deseja falar, mas antes de seguir aos próximos passos, é também o momento de se atualizar sobre cada um deles, ter um primeiro gatilho de contato, e a melhor alternativa é que seja emocional, já que estamos todos no mesmo barco e com sentimentos bastante semelhantes em relação a esse momento.

E como dividir essa lista? Primeiro pense em novos contatos, quem são as pessoas que estão em seu radar de meta de relacionamento. Pode ser uma oportunidade de negócio, um líder que admira, alguém da sua empresa, ou mesmo o desejo de uma conexão amigável com um amigo de um amigo.

Liste então 10 pessoas e tenha como meta se conectar a 5 e, no final dessa jornada, terminar com acesso a pelo menos 2 delas. Sim, lembre-se que conexão é apenas estar na rede desse contato, que pode ser um instagram, linkedin ou até conseguir o whatsapp, mas que talvez não seja respondido. O acesso tem outra configuração, porque independente do modo como estão conectados, há troca entre vocês e interesse mútuo. Busque então essas pessoas nas redes ou, no melhor cenário, quem possa ser canal de conexão a este contato.

Não há razão para qualquer bloqueio ou timidez nesse acesso, desde que sua mensagem não seja uma “cópia e cola” e nem uma abordagem de venda. Escreva verdadeiramente a intenção daquela conexão, seja por admiração ao negócio, história pessoal ou profissional ou o carinho por essa pessoa. E, diante de uma declaração genuína, manifeste seu interesse em ter 15 ou 20 minutos para essa troca, sugerindo um facetime ou vídeo de whatsapp, algo informal, mas que permita que tenham um tempo exclusivo para vocês.

Vá preparado para esse papo, aborde reforçando a motivação do seu contato e ouça mais do que fale. Busque gatilhos emocionais (consequência da sua busca prévia) e se interesse pela vida e história do outro. Conclua então propondo irem adiante nesse contato, se comprometa com uma oportunidade de apoio a algum tema que tenham conversado, encontre alguma razão para seguirem nessa conexão. Vá nutrindo esse contato e quando tudo se normalizar, é hora de propor aquele café que nos permita voltar a essência do networking, olhos nos olhos e aquele bom e verdadeiro aperto de mão – e por que não um abraço? Afinal, é um momento de reflexão e reconhecimento do quanto o afeto preenche e nutre nossas relações.

Like The Future: Onix faz um novo acordo com MGC e disponibilizará produtos medicinais à base de cannabis nas farmácias brasileiras

Anúncio acontece poucos meses após a decisão da Anvisa regulamentar o registro e a venda

A Onix, empresa brasileira especializada na importação, comercialização e distribuição de produtos à base de fitocanabinoides, por meio da OnixCann, acaba de anunciar um novo acordo com a empresa farmacêutica europeia MGC Pharma para distribuição de produtos no Brasil. A expectativa é que, só no primeiro ano, sejam comercializadas 96 mil unidades de produtos medicinais à base de cannabis. O acordo é inicialmente de 7 anos, podendo ser prorrogado por mais cinco, com uma meta de faturamento de US$ 18 milhões somente no primeiro ano.

O anúncio acontece poucos meses após a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentar o registro e a venda de produtos medicinais à base de cannabis em drogarias e farmácias brasileiras.

De acordo com Marcelo Galvão, CEO do grupo Onix, serão disponibilizados nas farmácias produtos tanto com Canabidiol (CBD) quanto Tetrahidrocanabinol (THC) em sua composição. “Os produtos estão dentro das normas e padrão farmacêutico exigidos pela Anvisa e poderão beneficiar pacientes com epilepsia, esclerose múltipla, autismo, Síndrome de Crohn, Parkinson, Alzheimer e dor crônica, entre outras patologias”, comentou Galvão.

A MGC Pharma já havia assinado um contrato de fornecimento exclusivo com a OnixCann, em meados de 2019, e o primeiro pedido de compra foi realizado pela empresa brasileira em novembro do mesmo ano, após receber a aprovação de importação e distribuição da Anvisa.

O novo acordo com a Onix é um marco para a empresa europeia, já que os produtos ofertados cumprem com o alto rigor e exigência técnica recomendados pela Anvisa e atendem aos requisitos da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 327/2019, o que reforça a credibilidade da marca, além de fortalecer os fluxos de caixa operacionais da companhia.

“O acordo com a MGC Pharma é um passo importante não só para a Onix, mas também para todo o mercado de cannabis medicinal no Brasil. Estamos trabalhando para que, em breve, os pacientes possam ter acesso a produtos de alta qualidade seguindo as boas práticas farmacêuticas (BPF) e que atendam a diversas indicações terapêuticas”, afirmou Galvão.

Para mais informações, acesse: https://canteramed.com

O valor do tempo na equação do sucesso

Em um ambiente cada vez mais dinâmico e instantâneo – graças às mídias sociais – é comum buscarmos alternativas imediatas para nossos problemas, nossos negócios e até para nossa vida privada. Entretanto, com o avançar da idade, aprendemos que nem sempre o que é rápido é a melhor solução e, às vezes, é necessário dar espaço e tempo para algumas atividades e refletir sobre as opções antes de tomar uma decisão.

No campo dos negócios e da carreira, essa regra também é válida, mas quando você, que possui sua empresa há quase 20 anos, começa a olhar em volta e repara que diversas pessoas que acabaram de começar seus negócios passam a ser exaltadas como super executivos e, da noite para o dia, transformam-se em palestrantes, entrevistados do mês, gurus de jovens, entre outras atividades públicas de imagem, você se pergunta: será que fiz tudo certo?

Algumas vezes, essas respostas chegam com pouco tempo, quando empresas que foram carimbadas como novos cases de sucesso, simplesmente, nem cinco anos depois, já não existem mais e seus executivos foram jogados para as margens da história mais uma vez. Aqui vem o primeiro ponto, no qual devemos separar o sucesso imediato ou uma imagem de sucesso de uma carreira bem-sucedida e, logo em seguida, acrescentar nessa equação o fator tempo, que pode tanto ratificar que algo era incrível, como pode destruir tudo na mesma intensidade.

O investidor, escritor e palestrante João Kepler falou uma vez sobre a importância do tempo para a maturação de bons investimentos e sobre como uma empresa idealmente chega em sua maturidade com 7 a 10 anos, isto é: a empresa finalmente se consolida com quase uma década de existência. Sempre existem as empresas exponenciais, mas estas são pontos fora da curva padrão e nunca a regra. A grande maioria das empresas ou segue essa curva média de maturação ou acaba fracassando.

Outro ponto importante é não confundir dar tempo ou refletir sobre algum tópico com inércia ou incapacidade de gestão. Deixar algum tema para reflexão ou criar um objetivo de mais longo prazo não significa que o negócio dará certo sem trabalho e suor.

O tempo é adicionado na equação do trabalho, suor, dor e aprendizado. O chamado fail-fast é muito importante, mas às vezes não é possível testar algo de forma rápida, sendo necessário deixar o tempo maturar as ações da sua empresa. Assim como não é possível construir uma parede sem esperar o cimento entre os blocos secarem, todas as atividades precisam e devem ter um tempo para acontecer, é essencial buscar sempre calibrar qual deve ser esse tempo, sem pular etapas, pois esses “pulos” poderão gerar um retrabalho futuro ou quem sabe até o fracasso.

Assim, da próxima vez que você estiver analisando, seja um investimento, seja sua empresa, seja sua carreira, seja sua vida, não se esqueça de incluir este fator e lembre-se: da mesma forma que o sucesso vem rápido, ele pode acabar imediatamente. Já o que é de fato bem-sucedido, graças à solidez do tempo que levou para ser conquistado, pode perdurar por muito anos.

Por Rafael Cosentino, sócio do LIDE FUTURO e CEO da Inovalli

Like The Future: Entourage Phytolab e Unicamp firmam parceria de pesquisa inédita sobre cannabis para uso medicinal

Pesquisa identificará e analisará características farmacológicas, agrícolas e genéticas de 240 variedades de cannabis para finalidades terapêuticas, como epilepsia refratária

Caio Santos Abreu, CEO da Entourage Phytolab, e o agrônomo Ílio Montanari Jr., do CPQBA, no laboratório de cultura de tecidos vegetais. Técnica que será empregada para preservar 240 genéticas de cannabis que serão investigadas na pesquisa. Crédito foto: Patrícia Stavis

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Entourage Phytolab acabam de anunciar um convênio para o desenvolvimento de pesquisa sobre variedades de cannabisexclusivamente para uso medicinal. Esse é o segundo convênio negociado pela Agência de Inovação Inova Unicamp com a empresa, focando nas finalidades terapêuticas da cannabis.

O projeto de pesquisa é denominado “Seleção de Genótipos de Cannabis sativa L. para a Produção de Medicamentos”, e será realizado em conjunto com o Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp durante um período de 28 meses.

“O objetivo é descrever as características medicinais, produtivas e genéticas de 240 variedades de cannabis, que serão cultivadas em câmaras de crescimento controlado, chamados de fitotrons”, explica o engenheiro agrônomo Ílio Montanari Jr., coordenador do projeto e curador da coleção de plantas medicinais do CPQBA/Unicamp.

“As pessoas tendem a achar que toda planta de cannabis é igual, mas a verdade é que existem muitas variedades. A pesquisa nos permite selecionar as mais resistentes, produtivas e mais indicadas para cada tratamento, abrindo caminho para o desenvolvimento de medicamentos inovadores, ainda mais seguros, eficazes e acessíveis”, diz Caio Santos Abreu, CEO da Entourage Phytolab.

“Já somos a empresa de cannabis mais bem posicionada para atender à regulamentação recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa], que permitirá a venda de produtos de cannabis em farmácias, graças aos laboratórios e metodologias de controle analítico que desenvolvemos nos últimos anos”, diz Santos Abreu. “Nos preparamos para colocar nossos primeiros produtos na prateleira ainda em 2020, mas o acesso a essas genéticas aumenta ainda mais nossa competitividade no futuro breve”, complementa.

Newton Frateschi, diretor-executivo da Inova Unicamp, ressalta que o segundo convênio com a Entourage demonstra o sucesso da interação universidade-empresa voltada para a área da Saúde: “É um caso claro no qual a pesquisa e o desenvolvimento na Universidade podem se tornar um produto com grande impacto na sociedade”.

O início da pesquisa depende de aprovação da Anvisa para o cultivo controlado das variedades da planta e será somente para fins de pesquisa. O início está previsto para abril. As plantas serão cultivadas exclusivamente dentro de três fitotrons, que controlam a temperatura, a umidade do ar, o fotoperíodo e a intensidade luminosa.

A fim de garantir a segurança das amostras da pesquisa, o local do cultivo será monitorado 24 horas por dia por um sistema de segurança implementado no CPQBA pela Entourage Phytolab, como previsto no convênio, incluindo um rígido controle de acesso com identificação por biometria, portas duplas e câmeras com monitoramento remoto. A Entourage é a empresa responsável por todos os custos do projeto, desde a identificação e aquisição das sementes até as reformas e aquisição de equipamentos.

É sobre Fracasso

Na era da empresa unicórnio, da receita do sucesso e da glamurosa jornada do empreendedorismo, fracassar virou o sinônimo do fim, da incapacidade de honrar essa jornada.

Banimos a chance de erro e somamos à ilusão das jornadas de assertividade e segurança em nosso instável Brasil empreendedor. Às vezes nos vemos tão próximos da necessidade de fracassar e nos anulamos, afinal, isso não pode estar na pirâmide de Maslow do empreendedorismo. Você não leu errado, pode ser uma necessidade sim, é ela que pode te fazer encarar algum problema, o medo ou o desconhecido, algo que esteja ali te rondando, ainda tímido, mas que essa atitude traz força a esse inimigo. É o convite para a mudança. Aí vem a ansiedade e a insegurança, aquela que faz com que a gente olhe ao redor e encontre tantas histórias de sucesso. Qual o nosso problema?

Não nos permitimos degustar o erro, sentir seu cheiro, sabor, textura e entender o que faz por aqui. Ele está de passagem, mas se soubermos encarar de frente, sem dúvidas, há o que (de bom) ele deixe antes da sua partida.

Se chegamos até o fracasso é porque nos permitimos tentar, se a tentativa nos trouxe a uma jornada, é porque acertos foram realizados, e nossa falta de compaixão (com a gente mesmo) nos faz míope nesse diagnóstico.

E aí olhamos para fora, para a sociedade empreendedora na vitrine, aquela que está no youtube, ou em uma palestra em uma das centenas de evento de pessoas de sucesso, a live com as 10 dicas da trajetória daquele infalível ceo – nada, nada deu errado. O problema é só seu.

A nossa capacidade de assumir uma escolha ou um caminho com menos êxito não nos faz menos capaz, pelo contrário, sou partidária a valorização de quem conta que sim, algo deu errado, e está tudo bem, porque é essa montanha russa, de altos e baixos, que nos faz crescer e desfrutarmos do que compreendemos, em nosso individual desejo, do sucesso.

Fracasso não é o fim. Fracasso é ponto de partida.

*Laís Macedo, sócia do LIDE FUTURO

Like The Future: A nova regulamentação e potencial do mercado canabidiol

Autor: Gabriel Barbosa, analista de P&D da HempMeds Brasil

A regulamentação de produtos à base de Cannabis deu mais um passo no início do mês passado. A Anvisa aprovou a resolução que dispõe sobre os procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para sua fabricação e importação, e estabeleceu requisitos para a comercialização, prescrição, dispensação, monitoramento e fiscalização de produtos de Cannabis para fins medicinais, além de outras providências. Ainda assim, a RDC 327/2019 foi vista por uns como um passo largo; por outros como pequeno; e, para vários, como um tropeço.

A importação de produtos à base de Cannabis no Brasil é uma realidade, desde meados de 2014, concedida por meio de autorizações excepcionais e ações judiciais. O primeiro caso foi noticiado em abril de 2014, quando a família da pequena Anny Fischer recebeu autorização judicial para importar legalmente os produtos ricos em canabidiol (CBD), que já eram adquiridos de forma ilegal e utilizados com resultados incontestáveis no controle das crises convulsivas da paciente. Quatro meses depois, foi concedida a primeira autorização judicial para uma paciente importar um produto rico em tetraidrocanabinol (THC). Posteriormente, essas ações foram consolidadas por meio de novas resoluções da Anvisa, das quais destacam-se a RDC 17/2015, que dispõe sobre a definição dos critérios e procedimentos  para  a  importação de  produto  à  base  de CBD, em  associação  com  outros  canabinoides, mediante prescrição médica; e a RDC 66/2016, que amplia a possibilidade de prescrição e importação de produtos contendo maiores níveis de THC do que CBD por meio da atualização do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/98 e de alterações na primeira RDC citada.

Poucos anos passados, a medicina canabinoide foi se popularizando. Com os primeiros pacientes a receberem a autorização exibindo benefícios terapêuticos, novas famílias buscaram o tratamento para novas patologias; médicos passaram a se interessar mais pelo assunto e fazer as primeiras prescrições; e empresas especializadas foram atraídas e se instalaram no Brasil. Essa popularização possibilitou um grande aumento na oferta de informações, sendo que, atualmente, é possível encontrar mais de um curso relacionado à Cannabis medicinal por mês. No entanto, veio acrescida de um grande custo: a demora, cada vez maior, ao acesso a esses produtos. Como cada autorização era concedida em caráter de excepcionalidade, mediante análise de receita médica, laudo e termo de responsabilidade, cada pedido era analisado individualmente e o paciente era autorizado, ou não, a importar os produtos para o tratamento. A alta demanda fez com que os pedidos sobrecarregassem os responsáveis pela análise dos documentos na Anvisa e, dessa forma, o tempo de espera, que já foi de até 15 dias, chegava a levar mais de 70 dias. Além desse tempo, ainda restava o trânsito do produto, que geralmente sai dos Estados Unidos até o Brasil. Isso significa que, se o paciente passasse em uma consulta hoje, no dia 6 de janeiro, seu tratamento com os produtos de canabidiol só teria início por volta do dia 6 de abril, cerca de 3 meses depois.

Com a aprovação da RDC 327/2019, a Anvisa cria uma nova categoria, a de “produtos à base de Cannabis”. Ao contrário do que vinha sendo apresentado nos textos anteriores aos pedidos de vista, estes produtos não integrarão a categoria de medicamentos e, portanto, não poderão ser chamados como tal, embora sua liberação seja feita somente através de receitas médicas com os níveis mais elevados de controle. A criação de uma nova categoria permitirá uma facilitação no registro desses produtos que, ao receberem uma “Autorização Sanitária” (AS), poderão ser comercializados em quaisquer farmácias e drogarias do país, com exceção das farmácias de manipulação. Isso significa que, ao invés de esperar até 3 meses para iniciar o tratamento, o paciente poderá, saindo da consulta médica, se dirigir à farmácia mais próxima, adquirir os produtos receitados e iniciar o seu tratamento imediatamente.

A nova resolução ainda trata de outro canabinoide que traz mais polêmicas: o THC. Produtos que contêm até 0,2% deste canabinoide seguirão uma receita tipo “B”, e produtos com mais de 0,2% de THC terão um controle um pouco mais rigoroso, sendo liberados com receita tipo “A”, semelhante ao controle destinado à morfina. Isso porque esses produtos possuem potencial de dependência e só poderão ser destinados a cuidados paliativos exclusivamente para pacientes sem outras alternativas terapêuticas e em situações clínicas irreversíveis ou terminais.

Publicada no Diário Oficial da União no dia 11 de dezembro, a RDC 327/2019 entrará em vigência no dia 10 de março de 2020. Somente a partir desta data as empresas poderão solicitar o registro de seus produtos. Por ora, o procedimento de importação em caráter excepcional anterior segue valendo, afinal, o registro e início de comercialização do produto não acontecerá da noite para o dia. Vale ainda ressaltar que a nova resolução é transitória e que, de acordo com a agência, será revista em até 3 anos. Até o momento, o que se sabe é que a Autorização Sanitária não poderá ser renovada e, após o período máximo de 5 anos, as empresas que quiserem continuar no mercado deverão migrar seus produtos para categoria de “medicamentos”, atendendo aos procedimentos e legislações convencionais de registro, ou seja, validando-os por ensaios clínicos controlados até fase III, dentre outras exigências.

A votação da DICOL no dia 03 de dezembro terminou com outra decisão relevante para a discussão. Na oportunidade, não foi aprovada a resolução que tratava da regulamentação do plantio de Cannabis no país para fins medicinais e de pesquisa. É inegável o potencial agronômico brasileiro para produção de derivados de Cannabis, já reportado por uma startup nacional, ADWA Cannabis, através de um extenso mapeamento edafoclimático que buscava encontrar quais seriam as melhores regiões no país para o cultivo da planta. A produção em território nacional permitiria uma redução considerável de custos com matéria prima que se refletiria no preço final do produto.

Com essa negativa, as empresas terão somente a opção de finalizar seus produtos dentro do país, o que acarretará impactos em uma pequena parte da cadeia produtiva. Também não será permitido importar a planta em si, apenas matéria prima semielaborada, como o extrato. Na contramão da decisão da Anvisa, no mesmo dia da aprovação da resolução, um juiz do DF autorizou uma empresa do interior de SP a cultivar plantas de Cannabis com menos de 0,3% de THC para uso industrial diverso.

Essa “aprovação pela metade” tira muitas oportunidades de negócio no país, pois implica que parte do processo produtivo continuará sendo realizado no exterior. A restrição ao crescimento da indústria nacional impede a geração de novos empregos; impele a desaceleração do investimento externo no país, que acontecia de maneira especulativa antes da nova resolução; e distancia, inclusive, a possibilidade de um resgate social focado em algumas das regiões mais pobres do país, que poderiam servir para o desenvolvimento do agronegócio relacionado à indústria da Cannabis. É importante, contudo, lembrarmos que o modelo de plantio que vinha sendo discutido era indoor e, portanto, bem limitante, pois acabava restringindo a prática às iniciativas de grande porte pela exigência de investimento em espaços produtivos de alta complexidade, não apenas relacionado a capacidade geoclimática para o plantio.

Em suma, a resolução trará ao paciente a vantagem do acesso muito mais rápido ao produto após a prescrição, mas não deve garantir preços tão favoráveis quanto os que seriam possíveis com a regulamentação do plantio nacional. Além disso, a possibilidade de desenvolvimento econômico e da consolidação do Brasil como um grande player mundial nessa indústria permanece adormecida.