Sociedade 5.0 já é quase uma realidade no Brasil

Por Ravi Gama, CEO da 2FIND e filiado do LIDE FUTURO

Para acompanhar toda essa evolução tecnológica que estamos vivendo, a população, as cidades e as empresas estão sempre se adaptando às mudanças e aos novos tempos. Se por um lado, temos a tecnologia se integrando às nossas rotinas, por outro, a sociedade permanece presa em grandes desafios. Foi justamente pensando nisso que o Japão aderiu à proposta da Sociedade 5.0, um modelo de organização social que busca integrar a sociedade à tecnologia.

Os principais objetivos da Sociedade 5.0 são solucionar problemas sociais, atender as necessidades do ser humano e melhorar a qualidade de vida da população. Para isso, são aplicadas diversas soluções tecnológicas a fim de garantir um bem-estar social geral.

Para entender melhor, vamos a um exemplo: utilizando a tecnologia, podemos substituir veículos, tanto públicos quanto privados, por veículos autônomos. Essa medida pode ser muito vantajosa, pois reduzirá o número de acidentes e não haverá mais a necessidade de motoristas, o que diminuirá o estresse no trânsito.

Portanto, a ideia é realmente buscar soluções com foco nas necessidades humanas e trazer mudanças importantes e positivas para vários setores da sociedade, como: infraestrutura, saúde, educação, logística, economia, etc. Para colocar essa ideia em prática, serão usadas tecnologias como o Big Data, internet das coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA).

Por enquanto, o que se sabe é que o Japão é o primeiro país do mundo a desenvolver essa iniciativa. No entanto, se avaliarmos melhor, é possível perceber que os demais países também já estão caminhando para esse futuro. Inclusive, o Brasil. Isso porque a chegada da pandemia no nosso país trouxe grandes transformações sociais. A principal delas foi o confinamento forçado e, consequentemente, a adesão ao trabalho remoto por grande parte das empresas.

De acordo com Sandro Valeri, professor da Fundação Dom Cabral e diretor de Estratégia da Inovação e Corporate Venture da Embraer, o isolamento social acelerou o avanço da tecnologia e já é possível sentir os primeiros impactos dessa adaptação. “Estamos passando por uma grande mudança no mercado empresarial, porque o futuro do trabalho se antecipou graças ao home office e à necessidade das ferramentas digitais. Essa antecipação traz à tona as profissões que exigem tecnologia e todos os empregos digitais, porque, a partir de agora, eles tendem a ficar muito mais valorizados”.

E quem ainda não está preparado para a Sociedade 5.0 precisa começar a se movimentar. “As pessoas precisam se capacitar rapidamente para este novo mundo que está se formando. A utilização das ferramentas digitais está se acelerando cada vez mais e se tornará essencial no meio empresarial”, crava Sandro Valeri.

Nesse processo de preparação para o novo modelo de sociedade, a psicoterapeuta cognitiva comportamental Isabelle Cunha, também aponta questões importantes. “Quem se conhecer melhor terá maior probabilidade de voltar bem mais completo ao trabalho no momento pós-pandemia. O campo de trabalho vai exigir profissionais com domínio sobre as próprias emoções. Vai exigir profissionais visionários, que estejam abertos e preparados para quaisquer novidades”.

Com todas essas mudanças que já estão acontecendo, percebemos que a Sociedade 5.0 definitivamente não é uma realidade tão distante do Brasil. Vemos uma sociedade super inteligente se formando, onde as informações estão muito mais acessíveis e o aprendizado bem mais rápido.

Vemos também várias empresas se desdobrando para se adaptarem ao mundo digital para continuarem produzindo. Foi necessário intensificar a presença no meio on-line e inovar. Não à toa, as empresas que estão conseguindo se reinventar estão saindo na frente de seus concorrentes em meio à pandemia.

Reuniões por vídeo chamadas, conversas por chats, serviços de delivery, vendas por e-commerce, transmissões ao vivo e disponibilização de vouchers nunca estiveram tão em alta. Todos os setores estão buscando soluções nas tecnologias para conseguirem se destacar no mercado e fugir de uma possível grave crise econômica.

Segundo Sandro Valeri, essa é justamente uma das principais características de uma Sociedade 5.0 que está se formando. “A partir do momento em passamos a ter maior acesso à tecnologia e as pessoas aprendem a trabalhar com os meios digitais, elas vão demandar que as tecnologias sejam utilizadas para a melhoria das suas próprias vidas”.

Isso significa que a nossa sociedade já está buscando investimento em inovações, mais desenvolvimento e segurança. Se o Japão já tomou a iniciativa e pretende tornar a Sociedade 5.0 uma realidade no país, resta aos demais caminharem no mesmo sentido para fazerem parte desse novo modelo de organização social, que traz benefícios não só para o Estado, mas principalmente para toda a população.

3 inovações que podem mudar radicalmente a indústria da moda

Vinicius Andrade, Fundador e CEO na basicamente. e filiado do LIDE FUTURO

Durante os últimos sete anos estou envolvido com a indústria têxtil, sempre olhando como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento dos negócios para a indústria, os varejistas e para as marcas (ou quem deseja iniciar uma).

De modo geral, no enfrentamento dessa crise atual, acho que todas as indústrias seriam sensatas ao refletir sobre como chegaram até aqui e o que precisa ser feito para realmente mudar e evoluir. Todas as iniciativas e esforços que vejo são para manter o modelo atual, ignorando a oportunidade de inovar de verdade. Empréstimos, por exemplo, fornecem alívio temporário, mas adiam a inevitável reinvenção que levará a tornarem-se indústrias mais saudáveis e mais resilientes (reinvenção que em muitos casos é feita por um novo player no mercado).

A moda é uma indústria global de US$ 3 trilhões e serve como modelo para definir uma nova estrutura industrial em um mundo que mudou para sempre. Aqui um pouco do porque acredito que o modelo de negócios da indústria da moda já está inadequado, para não dizer quebrado.

  • Demora de 6 a 12 meses para colocar um produto no mercado (embora haja algumas exceções);
  • É baseado em tecnologia muito antiga, desenvolvida principalmente nos anos 90 ou anteriores;
  • Sufoca em vez de possibilitar a inovação;
  • E seu impacto adverso neste planeta é impressionante.

Em resumo, essa é uma indústria que precisa de investimento em mudanças abrangentes e impactantes.

Não vejo mudanças significativas na indústria da moda desde que nasci, mais de 30 anos atrás, salvo duas grandes exceções: a chegada e fortalecimento do e-commerce e a logística “last mile”. Ela sobreviveu a dois grandes choques (11 de setembro e a crise financeira de 2008), mas teve muito tempo para se recuperar.

Enquanto isso, o mundo em que vivemos, a tecnologia que desenvolvemos e a interconexão de economias e sociedades não se parecem em nada com 30 anos atrás. Essa crise é uma evidência clara de que todos somos afetados (e infectados) pelas crises políticas, econômicas, sociais e de saúde e nos tornaremos cada vez mais no futuro. Mudanças sistêmicas reais não acontecerão se os investidores e as empresas continuarem focando apenas em inovação incremental. Precisamos reinventar os milhares de processos.

Acabar com o estoque

Se você realmente deseja mudar a indústria da moda, faça tudo sob demanda. Ele nada mais é que a uma fonte de fluxo de caixa futuro, mas agora praticamente não vale nada.

Agora imagine toda a indústria sob demanda:

  • Os fabricantes não teriam estoque inútil e de coleções antigas. Eles poderiam pausar suas fábricas em um instante, reiniciar em alguns dias e mudar sua fabricação para um mix de produtos mais atual rapidamente.
  • Os varejistas não tomariam mais decisões de compra seis meses antes de precisarem de estoque. Toda a mercadoria da loja seria reabastecida várias vezes por semana diretamente das fábricas, minimizando a exposição ruim ao estoque.
  • As marcas tornariam quase todos os elementos de seus negócios variáveis. Eles aumentariam ou diminuiriam a oferta de seus produtos dinamicamente, com base na demanda do mercado. Não haveria armazéns (os produtos são enviados para o cliente direto da fábrica), não haveria nenhuma liquidação por excesso de estoque, nem mesmo produtos esgotados ou dinheiro perdido em produtos não vendidos.
  • A moda seria muito mais sustentável. Estimativas conservadoras afirmam que 30% de todos os produtos fabricados a cada ano nunca são vendidos e acabam em aterros sanitários ou são incinerados. A sustentabilidade real e impactante começa com a produção da quantidade certa de um produto.

As empresas pareceriam diferentes — menos despesas gerais, mais automação. E o setor seria saudável, criando mais oportunidades para trabalhadores e investidores.

Uma cadeia transparente e distribuída

Produção sob demanda significa que um produto existe apenas quando é desejado. Produção distribuída significa que ela existe apenas onde é desejada, com isso ela permite o crescimento da cadeia de suprimentos diversificando o risco geográfico, fornecendo acesso em tempo real aos clientes em uma ampla gama de mercados, reduzindo o impacto no transporte, evitando tarifas e criando empregos locais na manufatura. Também possibilitaria medir o impacto ambiental de uma única peça de roupa e responsabilizar as empresas por reivindicações de sustentabilidade.

Uma rede de milhares de fábricas produzindo de forma distribuída seria inimaginável até cinco anos atrás. Mas agora, por exemplo, contratos de blockchain podem gerenciar de forma avançada a fabricação e a entrega de pedidos únicos, em qualquer lugar.

Um retorno a uma indústria impulsionada pela criação

Hoje, devido aos mínimos de fabricação e material e ao tempo do fluxo de caixa, estar errado é muito caro para uma marca. Mas em um mundo em que o produto é produzido sob demanda em tempo real, nada depende do volume. Um criador pode projetar, vender e fabricar uma peça de roupa com a mesma eficiência que 1.000, sem riscos. A indústria poderia recuperar algo essencial que se perdeu — sua alma.

A moda é uma indústria da arte, não da ciência. Muito se fala de investimentos para obter designs através de inteligência artifical ou análises baseadas em aprendizado de máquina para previsão de tendências mas pouco tenho visto em uma área que pode fazer a diferença: infraestrutura da cadeia de valor. Proponho que usemos a ciência para fortalecer a arte. Isto não é um sonho; é uma realidade hoje. E um belo exemplo é o que a Ruhnn está fazendo na China e muito do que sonhamos grande na Basicamente, com soluções para parte dessa cadeia, principalmente marcas e varejistas.

Há um velho ditado que diz: “Se você se encontrar dentro de um buraco, pare de cavar”. É hora de parar de cavar. A mudança é dolorosa, mas com coragem da indústria e capital dos investidores, podemos usar esse momento para construir uma indústria da moda mais estável e responsável. Podemos oferecer mais oportunidades para marcas, varejistas, fabricantes, designers, trabalhadores, acionistas e comunidades. Preservar uma indústria legada quebrada, irresponsável, em um momento em que podemos realmente mudar para melhor seria um desperdício de uma crise.

OS ESPAÇOS DE TRABALHO DA NOVA ERA

Por Fernanda Mourão, arquiteta e urbanista fundadora da Outoo e filiada do LIDE FUTURO

Há três anos venho pesquisando e fomentando o trabalho remoto, trabalho flexível, espaços de trabalho além do escritório e distribuídos. Quando falava sobre isso, parecia ouvir meu próprio eco, as pessoas não entendiam muito bem, falavam que isso nunca chegaria no Brasil.

Quatro meses atrás, escrevi um artigo chamado “Adeus escritório fixo”. Ali eu contei sobre o fato de a internet e tecnologias nos permitirem trabalhar de qualquer lugar, que não fazia sentido as horas perdidas no trânsito para ir e voltar do escritório, principalmente em cidades como São Paulo, que, apesar do tamanho, se concentra em apenas três grandes centros econômicos (Av. Paulista, Faria Lima e Berrini) e metade da cidade vai todos os dias, no mesmo horário, para eles. Falei também que o trabalho remoto e flexível era a “tendência do futuro do trabalho” e estava crescendo rumo aos 30% dos espaços de trabalho fora dos escritórios em 2030, como apontavam os estudos.

Aí veio o novo coronavírus e o isolamento social forçado e o futuro agora é presente. Estamos na era pós-digital, onde a presença da tecnologia digital é onipresente e seu impacto é sentido em todos os aspectos da vida. Mas o isolamento nos forçou a usufruí-la de forma ainda mais ativa, precisávamos desse choque para tomar consciência do que era possível fazer com as tecnologias atuais.

No trabalho o impacto é forte, elimina e cria profissões, exalta características comportamentais e pede valorização do bem-estar. Com isso, os espaços físicos precisam ser igualmente repensados. Os escritórios que já vinham sofrendo mudanças, agora são repensados a toque de caixa. Empresas estudam estratégias de adoção do remoto, distribuição geográfica, descentralização das operações e, consequentemente, a mobilidade dos profissionais e das cidades.

O movimento no mercado imobiliário virou quase que 360 graus, de repente, as buscas agora são por escritórios menores e apartamentos maiores. A reinvenção dos espaços de trabalho acontece em diferentes escalas, desde o espaço interno e tipos de locais, até sua relação com a cidade e mobilidade. 

São cinco os pontos principais que resumem o futuro que foi acelerado pela pandemia: 1) O trabalho remoto é um caminho sem volta, agora que todos experimentaram os benefícios, ele será essencial, em pelo menos alguns dias da semana, para todos que têm o computador como principal ferramenta de trabalho; 2) Flexibilidade é o novo objeto de desejo da maioria dos colaboradores, seguir as mesmas regras, horários e estar sempre no mesmo escritório das 9h às 18h vai ficar cada vez mais raro; 3) A diversificação dos espaços de trabalhos será cada vez maior, ja que se pode trabalhar de qualquer lugar, o #anywhereoffice , é preciso oferecer uma diversificação de espaços para atender aos diferentes tipos de atividades e localização das pessoas; 4) As sedes das empresas passarão a ser um ponto de encontro para atividades pontuais, colaboração, vivência da cultura e reforçar missão e valores, o dia-a-dia de trabalho acontecerá em muitos outros lugares; 5) Os espaços de trabalho do futuro próximo devem ser multifuncionais, um misto de coworking, centro cultural, espaços de convivência que as pessoas vão quando quiserem/precisarem, de acordo com o tipo de trabalho do dia, do clima, do trânsito, da localização que estiverem e da atividade que vão exercer naquele dia.

Para isso, existem empresas como a Outoo, plataforma de busca e reserva de espaços de trabalho out of office, (daí o nome OUT Of Office) que nasceu baseada nessa ideia de múltiplas possibilidades para pessoas que têm jornadas flexíveis, mapeamos diferentes tipos de espaços que podem servir para trabalhar por um período, um dia ou vários, dos mais “óbvios” como coworkings até padarias e supermercados que disponibilizam espaços para trabalhar, conectando todo um ecossistema disponível para o trabalho flexível e remoto. A escolha não precisa ser binária entre escritório ou home office, pode ser múltipla com infinitas possibilidades, espaços e modelos híbridos.

Ninguém tem ainda todas as respostas, estamos em plena transformação, mudança de era e paradigmas, mas uma coisa é certa, nessa nova era quem vai ser a estrela é a flexibilidade e a gama de escolhas que ela nos proporciona.

Por que migrar para o mercado livre de energia?

Adriana Luz, Executiva de Vendas da Trinity Energia e filiada do LIDE FUTURO

Você sabe o que é o Mercado Livre de Energia Elétrica? Para quem ainda não conhece, é um ambiente livre de concorrência e de negociação de energia elétrica em que os participantes podem escolher o seu fornecedor, negociar livremente e de forma segura todas as suas condições comerciais. Além disso, é uma alternativa para empresas que buscam reduções no custo com a energia elétrica, que, de modo geral, podem chegar até 30%.

A vantagem em ingressar nesse ambiente livre, são os benefícios atrelados a ele, que de uma forma geral são:

  • Sustentabilidade: O consumidor livre pode adquirir energia de fontes renováveis, o que contribui para combater a emissão de gases poluentes no meio ambiente;
  • Redução de custos: Preços competitivos e negociados diretamente com o fornecedor que podem entregar uma economia superior a 30%, em razão da tarifa única de energia, subsídios na tarifa de distribuição atrelados a fonte e isenção de bandeiras tarifárias;
  • Previsibilidade Orçamentária: Como o consumidor faz a negociação da sua energia com antecedência no mercado livre, é possível uma previsão de orçamento mais clara, ao se remover da equação as variações e adversidades de um consumidor no mercado cativo;
  • Poder de escolha: o consumidor tem livre escolha sobre o seu fornecedor;

Atualmente, mais de 80% do consumo Industrial do Brasil já está no mercado livre, o que representa aproximadamente 7.700 empresas separadas entre consumidores livres (possuem acima de 2000kw de demanda contratada) e especiais (possuem demanda contratada entre 500kw e 2000kw).  O mercado livre também representa hoje 32% de todo o consumo de energia elétrica do nosso país. E esse percentual deve aumentar nos próximos meses.

No ano de 2016, as migrações para o mercado livre aumentaram 25 vezes em relação ao ano anterior, foi um período de “boom das migrações”. Na ocasião, mais de 2.300 empresas migraram para esse modelo, isso porque as tarifas do mercado regulado sofreram um grande aumento nessa época, enquanto o mercado livre teve o efeito contrário, com queda expressiva nos preços. Devido a essa alta, as empresas precisaram buscar alternativas para reduzir custos com energia elétrica, que para a maioria delas representa o seu terceiro maior custo – perdendo somente para os custos envolvidos com folha de pagamento e matéria prima. 

Com a redução do consumo de energia elétrica no país, houve uma queda expressiva nos preços do mercado livre de energia elétrica, levando a um novo “boom de migração”. Como a Energia Elétrica é um insumo primordial para as atividades das empresas e tem um custo muito elevado no seu orçamento, essas instituições vêm intensificando ações de redução de custo para garantir a saúde financeira de suas empresas diante dos impactos causados pela pandemia. 

De acordo com boletim referente ao mês de maio de 2020 divulgado pela Abraceel – Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, a tarifa média atual de energia aplicada para os consumidores cativos junto as distribuidoras do Brasil é R$ 319,00/MWh, já no mercado livre essa tarifa média é de R$ 158,00/MWh. 

Em estudos recentes de viabilidade financeira para migração ao mercado livre realizados pela equipe comercial da Trinity Energia, identificou-se que na maioria das empresas a redução projetada com os custos de energia elétrica para o período de 2021 em diante chega a ser superior a 30% por mês. A média de redução do mercado em 2019 era em torno de 23%.

A pandemia gerou impactos econômicos em todo o mundo. Com as incertezas em mente, a gestão de caixa em empresas precisa ser ainda mais cuidadosa. E uma das maiores considerações neste momento é sobre a redução de gastos. A Energia Elétrica é um item essencial e com custo muito representativo dentro do orçamento das empresas, por isso o mercado livre se torna uma alternativa viável e segura para a redução desse insumo tão importante e necessário para as empresas. 

Empreendedorismo materno: romantização da profissão ou real necessidade?

Por Marisa Peraro, fundadora e CEO da Pro-Corpo Estética Avançada e membro do Comitê de Gestão do LIDE FUTURO

Romantizar o empreendedorismo materno pode ser cilada. Para algumas mulheres, o empreendedorismo pode ser a única opção, mas não significa que seja a mais fácil. De uns tempos para cá, a visão preconceituosa de que a maternidade e o empreendedorismo não podem caminhar juntos, tendo em vista que a mulher precisa dedicar seu tempo à casa e aos filhos, está aos poucos diminuindo.

As mulheres têm mostrado que é possível, sim, unir as duas características em uma só, no que ficou conhecido como empreendedorismo materno. Segundo o último estudo divulgado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), das novas empresas criadas no Brasil, 52% são abertas por mulheres. Destas mulheres, mais da metade têm filhos.

Eu, particularmente, senti na pele o desafio de ser mãe e empreendedora quando voltei à empresa, depois de dar à luz ao meu primeiro filho. Fui descobrindo na prática que as coisas ficariam um pouco mais complicadas. Ser empreendedora no Brasil já é difícil por causa dos altos impostos, das dificuldades rotineiras e da burocracia. Além de tudo isso, por mais que eu tivesse as ideias e a vontade de fazer o meu negócio crescer, no final do dia, eu teria que parar tudo o que eu estava fazendo para voltar para casa, limpar, fazer comida, cuidar do meu filho e no outro dia sair para trabalhar novamente.

Embora o assunto seja romantizado e a maioria das pessoas acredite que ser empreendedora é sinônimo de ter mais tempo livre com os filhos, a grande verdade é que, ao contrário do que muitos imaginam, o empreendedorismo materno, na maioria das vezes, não surge com esse objetivo.

Sou mãe do Lucas, 10 anos, da Aline, 8 anos, e do Felipe, 7 anos, e nunca entendi o termo empreendedorismo materno até dar à luz ao Lucas. As pessoas sempre me falavam sobre empreendedorismo materno, mas eu nunca havia parado para ligar os pontos. Eu sempre gostei muito de trabalhar, mas confesso quando segurei meu bebê no colo pela primeira vez, senti vontade de parar o mundo e ficar em casa! Essa vontade durou apenas 10 minutos, e já me veio a realidade à tona: “você não pode fazer isso, você vai ter que sustentar essa criança”.

Independente da maternidade, o grande desafio é conseguir equilibrar todas as responsabilidades sem perder a força. Passei a enxergar que, além de ter que me virar para fazer a empresa dar certo e da responsabilidade que eu tinha com os meus funcionários, eu também tinha uma criança para sustentar. No meu caso, a empresa tinha que dar certo porque era o único sustento da minha família e, talvez, das famílias de todos que trabalhavam comigo. E isso é o que talvez tenha me dado ainda mais energia para fazer as coisas acontecerem.

Os desafios no empreendedorismo materno são diários e mudam conforme as necessidades. Um exemplo atual é o enfrentamento da pandemia por conta do novo coronavírus. Muitas pessoas perderam seus empregos e não estão conseguindo ser recontratadas por conta do momento difícil do mercado. E quando a necessidade bate à porta, é preciso criatividade e motivação.

Tenho visto mulheres que estão costurando máscaras em casa durante a pandemia e colocando os maridos para vendê-las nas ruas. Ali está surgindo um negócio! Ela também não deixa de ser uma empreendedora que, enquanto fica com os filhos em casa, está tendo que se virar para garantir o sustento da família. Quando a necessidade bate, você tem que ter jogo de cintura para fazer as coisas acontecerem.

Para esta nova comunidade empreendedora, já existem empresas especializadas no suporte e compartilhamento de histórias que servem como motivação, apoio emocional e até mesmo como plataforma de dicas sobre como empreender e dividir as tarefas como mãe. Uma delas é a B2Mamy.

O empreendedorismo materno não é uma inovação no mundo, não é algo inteiramente novo. As atividades performadas pelas mulheres mostram que é possível empreender sendo mãe ou não. Talvez seja um pouco mais difícil quando se é mãe, ou talvez não. Talvez seja a melhor opção, ou talvez a única. A maternidade faz muitas mulheres se redescobrirem e encontrarem forças que nem imaginavam existir dentro de si. Quem sabe não seja o empurrão que faltava para criarem um novo começo? Um recomeço? Cabe às mulheres decidirem o que é melhor para si e seguirem em frente.

Tendências e tecnologia para o novo turismo nacional pós Corona

Por Johannes Noebels, fundador da mymento e filiado do LIDE FUTURO

O turismo é um dos setores mais afetados pela crise atual. Não só por causa do fechamento da maioria dos municípios turísticos, mas também pela queda no orçamento dos brasileiros.

É uma situação complicada, mas vamos olhar para o futuro e tentar entender as oportunidades que estão por vir. Uma coisa é certa: o turismo vai voltar e vai voltar forte. Parados em casa, devido ao novo coronavírus, os brasileiros não veem a hora de poder sair novamente, viajar, fazer novas experiências e, enfim, voltar a viver ao ar livre.

Mas, a situação mudou, logo o turismo vai mudar também. Tanto o perfil e comportamento dos viajantes, quanto o tipo das viagens e destinos procurados vão mudar. As empresas precisam se preparar para sair ganhando, tendo em vista que cada crise também traz novas oportunidades, mas vamos por partes.

Por causa da dificuldade de viajar para o exterior, o turismo nacional vai voltar primeiro. O Brasil é rico em natureza e é exatamente esse tipo de viagem que vai ser o mais procurado: atrações em contato com a natureza, ao ar livre e passeios para grupos pequenos. No País inteiro encontramos regiões que atendem muito bem a esses critérios, seja passeios de buggy na praia ou trilhas a cavalo no interior. São essas experiências que vão sair na frente e deixar os grandes resorts ou cruzeiros internacionais para trás, pelo menos por enquanto.

Para aproveitar o boom desse novo cenário, as empresas precisam entender o perfil do novo viajante pós Corona. Durante a crise, em casa, a tecnologia avançou muito. Mesmo pessoas menos chegadas às novas tecnologias se acostumaram a pedir comida online, assistir lives nas redes sociais e pesquisar por notícias pelo celular.

E é esse consumidor que vai voltar a viajar. Por isso, um site bem elaborado, com fotos, vídeos e descrições é essencial para cada empresa do turismo. Porque mesmo não podendo viajar no momento, as pessoas estão pesquisando e se inspirando para o tempo depois da crise. É importante as empresas estarem com as suas marcas fortalecidas , de “roupa nova” e preparadas para esse “novo normal”.

Uma forma de manter uma receita e aproveitar a vontade das pessoas de viajar é a venda de vouchers. O parque de aventuras TARUNDU em Campos de Jordão (SP), por exemplo, está usando a ferramenta de vendas online da MYMENTO para vender passaportes com desconto para uma data futura. Eles enxergam a oportunidade de trazer os turistas de volta para a região com a venda de passaportes com quase 50% de desconto.

Além disso, é previsível que vai ser primeiro o público mais jovem que vai voltar a viajar, que é um perfil totalmente alinhado e acostumado com a tecnologia. Cotações, reservas, pagamentos e confirmações precisam ser feitas online e em tempo real. Ninguém aceita mais esperar para obter respostas sobre valores e disponibilidades ou até para fazer uma reserva.

A realidade atual de muitas empresas é outra, trabalho offline e reservas por e-mail ou telefone. A digitalização que já veio rápido foi ainda mais acelerada nessa crise e é por isso que muitas empresas do turismo buscam por usar ferramentas, como a da MYMENTO, que foi desenvolvida focada nas necessidades do turismo A automatização de todo o processo desde a pesquisa das atividades até a reserva, pagamento pós-venda, avaliação e gerenciamento de promoções é fundamental para atender com rapidez e dentro das expectativas dos turistas.

Podemos resumir que o turismo vai voltar, com foco em destinos nacionais, na natureza e ao ar livre. Os viajantes pós-corona são pessoas jovens e a tendência do uso de tecnologias ganhou ainda mais relevância. Isso tudo está criando oportunidades novas para as empresas, operadoras e agências de passeios turísticos e aventuras na natureza, que entendam a nova situação, se reinventem diante deste cenário e não desistam nessa fase desafiadora.

Like The Future: Brasileira assume liderança global de empresa referência em Cannabis medicinal

Vice-presidente da HempMeds Brasil desde 2014, Caroline Heinz, agora comanda operações da marca nos Estados Unidos e América Latina

Restrições legais, burocracia e falta de informação. Quando a executiva carioca Caroline Heinz trouxe a HempMeds ao Brasil para proporcionar qualidade de vida através da Cannabis medicinal para cerca de 4 milhões de pacientes, a então vice-presidente já sabia de todos os desafios que enfrentaria para se tornar pioneira no setor de cannabusiness. 

Nos últimos seis anos, ela apostou em um modelo de negócios que acolhe os pacientes, ensina os médicos a prescreverem os produtos de Cannabis para fins medicinais e é fonte de informação sobre a medicina canabinoide. Com esses três pilares, Caroline consolidou a HempMeds. A primeira empresa brasileira autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a importar produtos à base de Cannabis em território nacional já forneceu mais de 80 mil unidades para milhares de pacientes.

Ao longo dos últimos cinco anos, a HempMeds Brasil se destacou promovendo seminários, webinários e transmissões ao vivo via redes sociais para levar informações ao público sobre os benefícios deste canabinóide para saúde e bem-estar.

crédito fotos: Jordan Guzzardo

“O objetivo sempre foi combater o preconceito e a desinformação, então investimos no acolhimento dos pacientes, no contato com a rede médica e na produção de informação científica de qualidade sobre o tratamento”, afirma Caroline. A empresa não só construiu uma rede de 2 mil médicos prescritores, como promoveu workshops para ensiná-los a entender sobre essa medicina e atuou junto a instituições de pesquisa para a elaboração de estudos focados na segurança e eficácia dos compostos.

Com base nos resultados gerados pela liderança da executiva, a Medical Marijuana Inc., dona das marcas, tornou Caroline Heinz co-CEO global da companhia. A novidade foi anunciada em maio. A executiva terá como par o mexicano Raul Elizalde, também presidente das operações da HempMeds México. A missão da dupla é replicar as soluções de negócios de seus respectivos países em toda a América, incluindo o país-sede do Grupo, Estados Unidos.

O empreendedorismo que vê mas não enxerga

Por Simone Cyrineu, CEO e fundadora da thanks for sharing e filiada do LIDE FUTURO

Entreter-se faz parte do desenvolvimento humano há eras, desde os tempos em que o ser-humano, ainda nas cavernas, se deparava com algo novo e buscava registrar suas experiências por meio de pinturas e relatos orais. E, nesse ímpeto curioso de explorar mais do que a novidade, evoluímos.

Corta para 2020.

Smartphones, notebooks e até smartwatches nos garantem a oportunidade de adquirir todo conhecimento disponível do mundo (sim, do mundo). MIT, Harvard, USP, Yale, Stanford, Oxford, Cambridge e as incontáveis imersões presenciais em Silicon Valley, China entre outras missões de negócios e empreendedorismo, infoprodutos de “especialistas”, grupos de WhatsApp para empreendedores, redes de network qualificados, webinars, eventos presenciais no Brasil, no mundo, workshops, mentorias…ufa.

É muito conhecimento disponível para você fazer o que tem que ser feito e alcançar seu sucesso.

De fato, é muito rico isso tudo e vivemos numa era de troca de informação e conhecimento em um volume nunca antes vivido. E sim, experimentar este momento da massificação do conhecimento disponível pode vir a acelerar seu aprendizado. Ou gerar um grau altíssimo de ansiedade.

Mas, porém, contudo, entretanto, em algum lugar de toda essa narrativa o mapa dos unicórnios nos parece estar disponível. Em cada fase, é preciso adquirir os badges de conhecimentos necessários para avançar para a próxima. Anjo, Feed, Series A-B-C-D-E, exits…

Empreender é um processo. Ou, como manda o jargão, uma jornada e como tal, parece que há uma fórmula, um caminho, uma metodologia a ser seguida para se obter sucesso e, assim, zerar o jogo.

E cá estamos nós, atordoados. Domine vendas, domine marketing, finanças, saiba seu propósito, cuide da saúde, da família, do networking, do seu time, da sua marca – PJ e PF. E não esqueça de deixar suas redes sociais com conteúdo em dia.

Empreender é um processo: humano.

E sendo humano, existem mais de 6 bilhões de possíveis maneiras de empreender. Nenhuma está certa ou errada e também não há meios de comparar a velocidade com que se percorre o caminho. Porque empreender é um processo pessoal. É sobre como você lida com você mesmo, o que reflete diretamente nos seus resultados e no seu ritmo.

É sobre descobrir que você não sabe tudo e sobre aprender a deixar o ego de lado ao se deparar com o desconhecido que ninguém te contou como seria. É sobre se cobrar menos e encarar, com leveza, cada tropeço. É sobre compreender, aceitar e maturar o seu próprio tempo de digerir e condensar isso tudo. Transformar em aprendizado, ação e evoluir.

Como se organizar com tanta LIVE?

por Adriana Luz, fundadora do buscalive e filiada do LIDE FUTURO

O isolamento social mudou nossas vidas e estamos em constante adaptação a uma nova realidade, ou ao que temos tanto ouvido falar como o “novo normal”. Dentro desse contexto, houve um boom no mercado de LIVES – apresentações ao vivo na internet -, que trouxe uma nova proposta de consumo de conteúdo, dos mais diversos assuntos, com um simples “clique”.

A disponibilidade de LIVES realizadas é enorme, não só pela variedade de conteúdo que oferecem, que vai desde músicas, atividade física, negócios, empreendedorismo até astrologia e conteúdos geek, mas também pela sua divulgação em diferentes plataformas, como YouTube, Instagram, Facebook, LinkedIn, Zoom, links customizados por empresas, entre outras.

Segundo matéria publicada pela revista EXAME, as buscas por conteúdo ao vivo cresceram 4.900% no Brasil na quarentena e a audiência das LIVES é de dez a 20 vezes maior do que a dos vídeos gravados. Além disso, a consultoria americana Tubular Labs, especializada no segmento de vídeos na internet, indica que houve um crescimento de 19% nas transmissões ao vivo pelo YouTube no fim de março – média de quase 3,5 bilhões de minutos de conteúdo por dia. 

Tamanha oferta e facilidade de acesso vem deixando os usuários do universo digital “perdidos e desorientados” quanto à forma de localizar as LIVES de sua preferência e organizar sua agenda para acompanhar tudo aquilo que é de seu interesse na respectiva data, horário e plataforma disponível. 

Como muitos dizem, é da crise que surge o poder de reinvenção do ser humano e, diante deste cenário caótico de LIVES, foi criado o “buscalive”, o “Google das LIVES”, que em apenas um mês teve quase 1.000 LIVES cadastradas em sua plataforma.

No aplicativo, o usuário consegue buscar as LIVES por data, conteúdo, artista, LIVER (termo denominado para o apresentador), salvar na agenda do celular para ser lembrado pouco antes do início da sua LIVE, compartilhar com os amigos e até acessar as plataformas de divulgação do conteúdo, tudo isso de forma prática e, melhor, gratuita.

Além disso, a ferramenta também funciona como uma comunidade, onde o LIVER pode divulgar a sua apresentação de forma gratuita, para que mais usuários tenham acesso ao seu conteúdo, conheçam o seu trabalho e divulguem seu negócio.  

Sem dúvidas, uma epidemia global. Mas, onde vai dar tudo isso? As LIVES vieram para ficar ou são apenas mais uma tendência passageira? Não dá para esconder, a caixa de Pandora foi aberta e, de uma forma mais positiva do que negativa, a descoberta da LIVE transformou o mundo e se tornou um hábito, não apenas por sua praticidade, mas pelo baixo custo versus alcance e resultado que pode proporcionar. Esperar que elas simplesmente desapareçam ao término da pandemia seria um tanto quanto subestimado.

Margeando o rio Estige: Limites aos discursos de ódio na internet

Por *Adriana Filizzola D’Urso e **Rodrigo Fuziger

A História é testemunha do ódio como um afeto perene à condição humana, externalizado em demonstrações usualmente fundamentadas em toda sorte de preconceitos (raça, gênero, religião, ideologia, dentre outros). É certo que o ódio acompanhou a humanidade no paulatino e decisivo câmbio para vidas cada vez mais virtuais. Assim, o problema das manifestações de ódio por meio online é absolutamente central à contemporaneidade, com contornos cada vez mais notáveis e perniciosos.

Nesse sentido, nos breves minutos da leitura desse texto, seguramente milhares de condutas tipificáveis como crimes de ódio ocorreram na internet. Um número absolutamente superior à sua ocorrência offline e que parece aumentar cada vez mais em tempos atuais, diante do panorama de recolhimento social, estresse decorrente do cenário de pandemia e acirramento de disputas político-ideológicas.

Na magistral “Divina Comédia”, Dante Alighieri descreve, na primeira parte da obra, um inferno concebido por nove círculos, alguns dos quais são banhados por rios. Um deles, é o rio Estige, que banha o quinto círculo. Trata-se de um rio de águas lodosas e frias, uma referência de Dante à mitologia grega, sendo Estige (ou Styx) uma representação mítica do ódio na cultura helênica.

Usando de tal metáfora, é inconteste afirmar que as águas do rio Estige permanecem caudalosas em nosso tempo, com um leito alargado que se espraia sobre um novo solo fértil (inconcebível mesmo nos mais inventivos cenários dantescos): um plano virtual. Mas, será esse plano da internet realmente uma terra sem lei banhada pelo rio do ódio? Há, em nosso país, mecanismos jurídicos de proteção a indivíduos e grupos aviltados por discursos odiosos nos meios virtuais? E se tais mecanismos existem, por que a percepção de impunidade salta aos olhos vidrados em telas?

Apesar desta percepção e da falsa ideia de anonimato, a internet não é terra sem lei, aplicando-se, mesmo no mundo virtual, a legislação brasileira, que prevê responsabilidade civil e criminal a quem apregoa o ódio.

Dependendo do conteúdo, mensagens odiosas divulgadas pela internet podem ensejar a obrigação do pagamento de uma indenização (e aqui cita-se como exemplo o caso público de um jornalista que foi condenado a pagar 100 mil reais de indenização a Chico Buarque e sua família, por comentários ofensivos no Instagram da filha de Chico).

Também existe a possibilidade de responsabilização criminal daquele que destila o ódio na internet, com a consequente imposição de pena privativa de liberdade, restritiva de direitos e/ou multa, a depender da situação.

Caso o teor odioso publicado na internet tenha conteúdo caluniador, difamatório ou injurioso, a pessoa que o propala pode responder por um dos crimes contra a honra, previstos, respectivamente, nos artigos 138, 139 e 140 do Código Penal, com pena máxima de até três anos de reclusão e multa, quando se tratar de injúria que utilize elementos de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência (artigo 140, §3º do Código Penal).

Na hipótese de um indivíduo vir a praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, por meio da demonstração de ódio na internet, fica caracterizado o crime de racismo, previsto no artigo 20 da lei 7.716/89, um crime grave, imprescritível, inafiançável e sujeito a uma pena de um a três anos de reclusão e multa.

Ademais, manifestações homofóbicas na internet, desde 13 de junho de 2019, podem ensejar a responsabilização criminal do agente, em razão de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passasse a ser crime no Brasil, punida pela Lei de Racismo (lei 7.716/89).

Isto posto, por premissa, é fundamental compreender o fenômeno do ódio como um afeto humano, hiperbolizado em nossas relações sociais construídas usualmente a partir de relações de semelhança e diferença (e Stendhal, em “O vermelho e o Negro”, já afirmava “que a diferença leva ao ódio”). A ideia central, a partir desse olhar que foge à ingenuidade de uma visão de mundo livre de afetos negativos, é compreender e, por consequência, buscar desconstruir o ódio, uma tarefa que – embora orientável pelo incentivo à informação, esclarecimento e reflexão – é, no limite, solipsista, a partir da autonomia deliberativa de cada sujeito.

No entanto, a sociedade e o Direito (inclusive penal em casos extremados) como forma de controle social devem assegurar que a liberdade de expressão seja, de fato, livre de amarras prévias, mas não imune a consequências, uma vez que a experiência histórica é pródiga em episódios, nos quais (feito um ovo de serpente) o ódio como verbo contra a diferença acabou por se concretizar em tragédia sobre biografias e em tragédia sobre sociedades, eis que o totalitarismo, de qualquer cariz ideológico, é o instrumento privilegiado do ódio como afeto político.

*Adriana Filizzola D’Urso é advogada criminalista do escritório D’Urso e Borges Advogados Associados, professora, mestre e doutoranda pela Universidade de Salamanca.
**Rodrigo Fuziger é advogado, professor, doutor em Governança Global pela Universidade de Salamanca, doutor em Direito pela USP, bacharel em filosofia pela USP.