A transformação digital evidenciando a logística como estratégia das empresas: uma mina de ouro

Por Anna Valle, filiada ao LIDE FUTURO e COO da Quattro

O início da pandemia do novo coronavírus no Brasil estimulou a aceleração da adoção de iniciativas digitais em todos os setores da economia. O supply chain acabou sendo um dos segmentos mais impactados, devido a necessidade de abastecimento para indústrias, empresas e toda população. Os diversos desafios e dificuldades em se controlar as cadeias de suprimento evidenciaram a necessidade da Transformação Digital na Logística e, mais do que isso, mostraram que esta transformação é, na realidade, mais do que uma necessidade, mas uma grande oportunidade para as empresas.

Durante muito tempo, as empresas se preocuparam em otimizar e melhorar fluxos e processos industriais com grandes e importantes avanços, com o uso de robôs, equipamentos, máquinas e diversas metodologias, filosofias e ferramentas como Lean, Six Sigma, TOC, entre outros. E a logística foi ficando “de lado”, muitas vezes sendo vista como um “mal necessário”, ou “apenas mais um centro de custos”. E aí está a grande oportunidade!

A logística na verdade é uma área estratégica, um grande diferencial competitivo: é a interface com os clientes, internos e externos, representa grande parte da experiência de compra e de atendimento e, somado a isso, ainda é uma área com grandes desperdícios. O Brasil registra uma das maiores despesas de logística do mundo e grande parte destes custos são custos de ineficiências dos processos.

Recentemente uma amiga me ligou impressionada, contando que havia feito uma troca de pontos de cartão de crédito por 12 pratos em uma grande loja de departamento. Como era uma transação do cartão, pela regra, ela precisou fazer um pedido por vez. O espanto dela foi que, numa bela tarde de quarentena, tocaram a campainha da casa dela, era um entregador com 1 prato devidamente embalado e etiquetado. E assim, foram 12 entregas diferentes, do mesmo local, para o mesmo endereço, na mesma tarde, um por vez. Seria cômico se não fosse trágico. Imagina o desperdício no pedido, no “picking”, no “packing”, no transporte efetivo, nos materiais. E este é apenas um exemplo do que ocorre diariamente em todos os elos, etapas e com todos os “players” dessa cadeia logística.

Mas como a transformação digital pode ajudar nisto?!

A cadeia de suprimentos é composta por 3 grandes fluxos: o fluxo de materiais, o fluxo financeiro e o fluxo de informações. Porém, esses três fluxos são muito desconectados e desintegrados. Por se tratar de diferentes intervenientes, diversas etapas, muitos processos e sistemas, as informações ficam fragmentadas e se perdem nas interfaces entre as operações. É como um grande quebra-cabeça com peças soltas e cheio de complexidade.

A transformação digital, por sua vez, vem para juntar todas essas peças que envolvem os processos, conectando os diferentes atores e sistemas e integrando todo o fluxo de informações para trazer mais planejamento, previsibilidade e visibilidade aos processos, democratizar a gestão logística e auxiliar os usuários para a tomada de melhores decisões. É como um “gêmeo” virtual que replica os processos físicos no digital, permitindo reduzir desperdícios e ineficiências que resultam em grandes reduções de custos e aumento da qualidade percebida pelos clientes internos e externos, com a entrega de uma melhor experiência a todos os elos envolvidos na cadeia.

Assim, com todos esses benefícios, e o mindset de que a logística deva ser parte da estratégia das empresas, entendemos que essa Transformação Digital na Logística deve ganhar cada vez mais espaço e evidência, se mostrando muito valiosa e importante para as diversas operações que envolvem a Logística, uma mina de ouro.

Cultivo: a próxima fronteira da Cannabis medicinal no Brasil

Por Tarso Araujo, diretor de novos negócios da Entourage Phytolab e filiado do LIDE FUTURO

O Congresso brasileiro deu partida numa discussão que vai definir as chances do Brasil prosperar no bilionário mercado global de Cannabis. No final de agosto, começou a circular o texto do projeto de lei (PL) 399 sobre cultivo, produção e comercialização de produtos à base da planta.

O principal objetivo da lei proposta é incentivar o desenvolvimento de uma indústria local e garantir o ingresso do país na produção dessa commodity agrícola que tem tudo para ser uma das mais relevantes do século 20. O mercado de Cannabis deverá movimentar cerca de US$ 104 bilhões até 2024, sendo que 60% desse valor no setor de uso medicinal.

A demanda mais imediata é baratear justamente os medicamentos –por meio da produção nacional de insumos– e democratizar o acesso oferecendo esses produtos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O que mostra a sensibilidade e consciência sobre a importância do tema por parte dos congressistas envolvidos na Comissão Especial da Câmara, que debateu e preparou esse texto –palmas para eles.

Mas o projeto também prevê a abertura de diversos outros mercados que ainda não são permitidos no país. Entre eles, o uso veterinário, a dispensação em farmácias de manipulação, a produção de cosméticos e alimentos e o cultivo para fins industriais, com vistas à produção de têxteis e celulose, especialmente. E tudo isso representa um importante potencial econômico adicional.

O cultivo nacional por si só já contribui para o objetivo de reduzir o custo dos medicamentos, pois a carga tributária associada à importação é alta, da ordem de 50% do custo dos insumos. Além disso, o Brasil tem grandes áreas para cultivo com clima adequado para Cannabis, um dos maiores mercados agrícolas do mundo, excelente capacidade de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia e mão de obra relativamente barata.

Então podemos apostar que o país tem potencial para abaixar o preço da commodity, inclusive globalmente, se nos posicionarmos como exportadores para competir com países pioneiros no cultivo para fins medicinais, como Uruguai, Canadá e Colômbia.

Além de beneficiar pacientes e o sistema público de saúde, a entrada do Brasil com os dois pés no mercado de Cannabis tem grande potencial para gerar empregos e reaquecer nossa economia, tão carente de novas oportunidades de geração de riqueza em tempos de pandemia. Mas todos sabemos que o timing dessa entrada é crítico.

Se o PL for aprovado com agilidade, temos grandes chances de ocupar um lugar de destaque no mercado global. Se ele não for aprovado no curto prazo, ou se nem for aprovado, continuaremos dependentes de importações. As pesquisas continuarão caras e complicadas pela falta de matéria-prima. A curva de redução de preços do mercado medicinal será mais lenta. Os outros mercados –de uso veterinário, cosmético, alimentos, uso industrial– provavelmente nem sairão do papel.

E mais uma vez nosso Congresso perderá uma oportunidade de melhorar a saúde e as contas do país. Portanto, o empresariado brasileiro precisa estar atento a esse debate e apoiar a aprovação do PL 399. É nosso passaporte para o futuro nesse bilionário e novo segmento da economia global.

Tudo o que não te contaram sobre o 5G: um olhar crítico à inovação

Por Ravi Gama, filiado do LIDE FUTURO e fundador da 2Find

Em uma sociedade movida por tecnologias, o acesso à rede 5G vem sendo cada vez mais comentado. As redes utilizadas pela maior parte do mundo atualmente são o 3G e o 4G. Com o objetivo de expandir as potencialidades, o 5G é a quinta geração das redes móveis e, há um tempo, vem sendo desenvolvida para elevar a banda larga móvel a um alto padrão de velocidade. Considerando o aumento constante de conexão entre dispositivos sem fios, o 5G passa a ser uma importante novidade para a nossa sociedade atual.

A nova rede está em ascensão e já foi, inclusive, adotada por alguns países. De acordo com a associação mundial das operadoras de redes móveis, a GSMA Association, países como Estados Unidos, Austrália, China, Finlândia, Reino Unido, Coreia do Sul e Áustria já contam com a tecnologia. E as expectativas para os próximos anos são altas. A estimativa é que, até 2025, haja 1,2 bilhão de conexões 5G no mundo inteiro.

Seria o Brasil um desses países a aderir à rede nos próximos anos? Bom, o que sabemos é que, atualmente, o governo brasileiro se encontra em um complexo dilema, motivado por uma divergência entre duas grandes potências mundiais. Por um lado, temos a China, com a empresa Huawei, responsável pela implantação do 5G. Por outro, temos os Estados Unidos, que, recentemente, baniram a empresa chinesa de negociar com as companhias do país. O governo norte-americano alega que a tecnologia da empresa representa uma ameaça à segurança nacional das nações que virem adotá-la. E, por fim, a AT&T é quem se tornou responsável pelo lançamento do 5G nos EUA.

O problema é que, agora, o governo norte-americano tem pressionado outros países a proibirem a atuação da Huawei. Em julho, os EUA chegaram a impor sanções contra funcionários da empresa chinesa. Vários países, como o Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Índia e Japão, já cederam à pressão e barraram os contratos com a Huawei. No entanto, diante dessa guerra comercial e política, o Brasil segue sem uma decisão final.

Para pressionar o governo brasileiro, recentemente, as lideranças americanas anunciaram que, caso o Brasil negocie com o “5G chinês”, as empresas americanas poderão deixar o país. Um dos assuntos mais comentados dentro da política brasileira, inclusive, é que essa disputa essa sendo mais geopolítica do que técnica em sua essência. Essa definitivamente tem sido a realidade do 5G. A briga entre as duas maiores potências mundiais têm afetado não só a relação entre elas, como a relação delas com todos os demais países.

Diante de tudo isso, o Brasil segue sem um posicionamento sobre o assunto. Aparentemente, o Presidente da República ainda não decidiu se irá negociar com a Huawei ou a AT&T, fato que qualquer decisão coloca em risco os acordos com uma das maiores economias mundiais. Desagradar a China ou os Estados Unidos? Qualquer decisão acarretará inúmeras consequências para o governo brasileiro no âmbito político e econômico. É por isso que a verdadeira ‘Guerra Fria’ que se formou, impõe barreiras para a chegada do 5G ao Brasil assim como em outros países do mundo. 

Como se já não bastasse o impasse comercial, temos outro relevante entrave para a disseminação do 5G no mundo. Uma das principais características da nova rede é a possibilidade de promover uma “economia digital avançada e intensiva em dados”, além de ser uma peça-chave essencial para a implantação das “Cidades Inteligentes” e a “Internet das coisas”. Isso porque a rede não vai permitir somente a conexão entre usuários, mas também entre todos os objetos (automóveis, maquinários, lavadoras, câmeras de vigilância, etc), possibilitando assim um intenso desenvolvimento de serviços, como, por exemplo, um sistema de segurança que evite acidentes ou até mesmo a realização de cirurgias remotas utilizando-se robôs.

A partir daí, surge então a questão ética que envolve o 5G. Uma vez que temos um veículo autônomo, como ele reagiria a algumas situações que só o ser humano consegue resolver? É indiscutível que ainda não existe uma tecnologia que substitua o cérebro humano. Nenhum objeto é capaz de pensar racionalmente, de reagir a reflexos, entre outras ações que só nós conseguimos fazer. Então, como se daria a aplicação do 5G na prática?

Como exemplo, supomos que um carro autônomo estivesse transitando por uma pista quando, de repente, uma criança desatenta começa a atravessar a rua. Qual seria a reação do veículo? Desviar e correr o risco de bater em outro carro que vem na pista contrária? Atropelar o pequeno pedestre? São muitas perguntas sem respostas para um problema que permanece sem solução.

Uma “Cidade Inteligente”, mais do que tudo, precisa ser organizada com ética. Caso o contrário, de nada vale. E, nesse cenário do 5G, não sabemos como os conceitos éticos poderão ser inseridos. Não há uma diretriz que dita como os objetos devem ou não agir diante de diferentes situações. E nem existem ideias de como poderíamos resolver esse problema. O que sabemos é que a discussão sobre a ética da nova tecnologia é extensa e merece atenção, pois deve ser levada em consideração antes da implantação do 5G. 

Outro empecilho para a instalação da nova rede no Brasil é a falta de infraestrutura do país. Atualmente, não temos infraestrutura suficiente para receber uma rede que se baseia em uma imensa velocidade de dados. Antes de mais nada, as prestadoras precisam ir atrás de recursos para conseguirem ofertar o melhor serviço possível aos consumidores. Dessa forma, os provedores serão obrigados a investir em equipamentos mais eficientes e inovadores, que consigam suportar as velocidades necessárias. É justamente por isso que a Anatel terá um papel fundamental nos próximos meses de acelerar as condições do desenvolvimento dessa infraestrutura no Brasil.

E, sabendo disso, uma coisa é certa. As empresas de telecomunicação que não conseguirem se preparar para atender as demandas que o 5G exigirá tendem a desaparecer do mercado. O investimento para a implantação da tecnologia é muito alto e nem todos terão suporte e recursos para suprir essas necessidades. Por isso, torna-se muito importante a participação ativa de todas as empresas do setor nessa fase de discussão e de adaptação. É fundamental que todos os provedores estejam alinhados para encontrarem a melhor forma de receber essa mais nova tecnologia no Brasil.

Além desses desafios para a chegada do 5G, existem ainda outros riscos que precisam ser avaliados: as graves consequências que podem refletir diretamente na saúde do nosso planeta. O ponto inicial dessa discussão é de que as tecnologias do 5G formarão um campo eletromagnético de grande potência, que, por sua vez, afetará a vida de todos os seres vivos. Essa radiação poderá atingir, por exemplo, desde as fracas ondas eletromagnéticas dos voos dos insetos até a saúde dos seres humanos.

Cerca de mais de 10 mil pesquisas apontam que algumas doenças cardíacas e outras enfermidades, como o câncer, estão fortemente associadas à contaminação eletromagnética. Por isso, a extensa exposição de organismos vivos à níveis de radiação de radiofrequências, bem maiores que às atuais do 4G, poderá provocar graves consequências. Sabendo disso, cientistas afirmam que a vida de todos os seres vivos, incluindo a nossa, corre perigo. Mas, aparentemente, esses riscos têm sido ignorados pelas grandes potências econômicas. O que acontece é que, até então, os interesses privados, geradores da tecnologia 5G, vêm prevalecendo sobre os interesses coletivos.

Se, por um lado, a rede 5G carrega consigo inúmeros riscos e entraves, por outro, a tecnologia também promete oferecer interessantes benefícios e vantagens. Basicamente, a nova tecnologia garante uma cobertura mais eficiente e mais ampla, além de maiores transferências de dados e um aumento significativo de conexões simultâneas.

Já é possível, inclusive, fazermos algumas comparações: as redes da 4ª geração conseguem entregar uma velocidade de conexão de, em média, 33 Mbps. A expectativa é de que o 5G entregue velocidades 50 a 100 vezes maiores, chegando até 10Gbps. Ademais, o atual sistema comporta até 2.000 equipamentos ativos por quilômetro quadrado enquanto a rede 5G comporta 50 vezes mais, o que resulta em até 100.000. A rede 5G vai permitir um maior consumo de serviços (transferência de arquivos, comunicação em tempo real, streaming, jogos on-line, etc) e com mais agilidade. Também vai diminuir a resposta da conexão (latência) e terá maior capacidade de banda.  

Não há dúvidas de que o 5G realmente é uma tecnologia de ponta, que trará muitas facilidades para o nosso dia a dia. Entretanto, não podemos ignorar os diversos dilemas que permeiam esse assunto. Afinal, todos os riscos se tornam relevantes a partir do momento em que eles impactam a economia de um país, além da vida de todo cidadão. O futuro certamente é nebuloso. Mas precisamos acompanhar quais serão os próximos passos do governo brasileiro mediante a tantos entraves. E, principalmente, ficarmos atentos às medidas que serão tomadas para receber, talvez em breve, essa tecnologia revolucionária no nosso país.

Lives: O peso da influência

Por Lais Macedo, sócia do LIDE FUTURO e da B4Marry

É inquestionável, entre tantos experimentos e experiências da quarentena, algo foi rapidamente escalável e, apesar das controvérsias, a aceitação foi e é grande. Sim, estou falando das lives, as queridas ou temidas lives.

Há quem considere um movimento em efeito manada, e talvez faça sentido, mas o ponto principal de reflexão é a consequência desse fato. As mídias sociais são democráticas e bastante acessíveis, intuitivas e de fácil utilização, e não há nada que impeça qualquer usuário de, em questão de segundos, começar uma transmissão ao vivo, sem saber quem ou porque terá audiência.

As motivações para fazer lives são inúmeras. Há aqueles que compreendem a live como uma ferramenta valiosa de geração de conteúdo, utilizam com responsabilidade, há planejamento e pauta bem definidas, convidados estrategicamente selecionados e um poder valioso de alcance e influência. No entanto, essa não é a motivação para tantos outros usuários, que podem buscar o simples desejo de audiência, fazer porque “todo mundo faz” ou até as mais ilusórias ideias de aumentar o número de seguidores.

Todos eles, independente da razão da transmissão ao vivo, chegam a um lugar comum: a capacidade de impacto e influência que essas lives possuem. De um lado, uma audiência pouco preparada para uma curadoria de conteúdo, do outro, pessoas assumindo espaços e temas que não possuem know-how suficiente para compartilhar, ensinar e impactar outras pessoas. Assim começamos nosso espiral, porque, por mais frágil que seja uma informação, ou mesmo inverídica, do outro lado há alguém que por um simples crivo, pode ser até uma questão de simpatia pelo speaker, absorve.

O movimento das lives é legítimo e necessário, principalmente considerando a perspectiva do compartilhamento de conteúdo que não poderia ser acessado (ou não com tanta facilidade) por tantas pessoas. Contudo, é preciso que uma etapa anteceda a decisão do clique rápido no botão “ao vivo”: a autorresponsabilidade.

A cultura das lives deve incentivar – ou demandar – que os apresentadores, com humildade e sabedoria, revisitem seus repertórios, encontrem seus espaços de conteúdo, baseados na sua história de vida, temas de especialidade ou opiniões embasadas em um assunto que dominam. E, ainda antes desse clique, é preciso criar um roteiro, validar do início ao fim, não com falas prontas, mas mapear o curso do diálogo e o poder de impacto e influência que pode causar no outro.

E, se falta motivação para encarar essa jornada de reflexão e preparo que a live demanda, deixo aqui uma última reflexão: embora a transmissão ao vivo termine, o conteúdo se perpetua, sendo registrado nas redes e disseminado de um modo incontrolável e, acredite, você será cobrado pelo peso da sua influência. Em tempos da cultura do cancelamento, uma internet com poder de fala e o fácil acesso para rastrear e descredibilizar dados e fatos, quer mesmo deixar que o toque ansioso no botão “ao vivo” desconstrua a história que te faz clicar lá para contá-la?

Inteligência artificial a serviço da justiça

Por Adriana Filizzola D’Urso, advogada criminalista do escritório D’Urso e Borges Advogados Associados e filiada do LIDE FUTURO

Surgida entre 1950 e 1960, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial consiste em gerar mecanismos que reproduzam, através do computador, a capacidade da mente humana que permite pensar, evoluir, produzir e armazenar raciocínios, além de resolver problemas, com alto grau de eficiência, produtividade e rapidez.

Atualmente, a inteligência artificial é uma realidade revolucionária, fazendo parte do nosso cotidiano, se aprimorando cada vez mais e impactando a vida de todos. No mundo jurídico, não foi diferente. Tanto na advocacia, quanto nos órgãos do sistema de Justiça (que compreende o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e outros órgãos essenciais ao funcionamento da Justiça), a utilização da inteligência artificial é inexorável.

É no Supremo Tribunal Federal (STF) que encontramos o maior e mais complexo sistema de inteligência artificial do Poder Judiciário, apelidado de VICTOR, em homenagem a Victor Nunes Leal, que foi ministro do STF de 1960 a 1969. Foi ele também o principal responsável pela sistematização da jurisprudência do STF em súmulas, o que facilitou a aplicação dos precedentes judiciais aos casos julgados.

Desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), a principal função de VICTOR é auxiliar os analistas do STF, interpretando recursos e separando-os por temas de repercussão geral. Segundo o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o programa VICTOR traz maior eficiência na análise dos processos, com economia de tempo e de recursos humanos. As tarefas que servidores do Tribunal levam, em média, 44 minutos para realizar, o VICTOR executa em menos de 5 minutos. Isto faz com que os funcionários do Tribunal não precisem mais se preocupar com tarefas mais burocráticas (mecânicas e repetitivas) e possam se dedicar às atividades mais complexas, que envolvam conhecimento jurídico.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem seu sistema, denominado SÓCRATES, que utiliza técnicas de inteligência artificial para auxiliar os relatores sobre precedentes e legislação, chegando até a sugerir decisões. Iniciativas assim surgem em Tribunais de todo o país. Nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará e Mato Grosso do Sul, a Justiça conta com a ajuda de um robô, denominado LÉIA, dentre outras tecnologias que estão sendo adotadas pelos Poderes Judiciários Estaduais e Federal.

Na advocacia, a inteligência artificial tem se mostrado imprescindível, sendo utilizada para auxiliar pesquisas, analisar documentos, classificar dados, automatizar processos, preencher e alimentar banco de dados, revisar artigos doutrinários, jurisprudência e precedentes, além de minimizar os equívocos na produção de relatórios e documentos. É inegável que o auxílio da tecnologia pode contribuir no aperfeiçoamento da atuação dos advogados, que operam na defesa de seus clientes, desenvolvendo teses inovadoras, de acordo com as especificidades de cada caso concreto.

É fato que a inteligência artificial ganha, cada vez mais, um protagonismo no mundo jurídico, principalmente auxiliando no aumento da produtividade dos profissionais da Justiça, e isto é irreversível.

Neste contexto de avanço e modernidade, todavia, não se pode esquecer que a inteligência artificial não é a inteligência humana, fruto da cognição, mas tão somente um avançado robô que trabalha com os dados que dispõe, “pensando” de acordo e para o fim a que foi programado.

Diante desta realidade, adverte-se que um robô jamais poderá substituir o ser humano, principalmente em tarefas que exijam sensibilidade e vivência humana, como as desenvolvidas pela magistratura e pela advocacia. A inteligência artificial, por mais avançada que seja, é desprovida da compreensão do que é “ser humano”, componente essencial para a obtenção do ideal de Justiça tão almejado.

Sociedade 5.0 já é quase uma realidade no Brasil

Por Ravi Gama, CEO da 2FIND e filiado do LIDE FUTURO

Para acompanhar toda essa evolução tecnológica que estamos vivendo, a população, as cidades e as empresas estão sempre se adaptando às mudanças e aos novos tempos. Se por um lado, temos a tecnologia se integrando às nossas rotinas, por outro, a sociedade permanece presa em grandes desafios. Foi justamente pensando nisso que o Japão aderiu à proposta da Sociedade 5.0, um modelo de organização social que busca integrar a sociedade à tecnologia.

Os principais objetivos da Sociedade 5.0 são solucionar problemas sociais, atender as necessidades do ser humano e melhorar a qualidade de vida da população. Para isso, são aplicadas diversas soluções tecnológicas a fim de garantir um bem-estar social geral.

Para entender melhor, vamos a um exemplo: utilizando a tecnologia, podemos substituir veículos, tanto públicos quanto privados, por veículos autônomos. Essa medida pode ser muito vantajosa, pois reduzirá o número de acidentes e não haverá mais a necessidade de motoristas, o que diminuirá o estresse no trânsito.

Portanto, a ideia é realmente buscar soluções com foco nas necessidades humanas e trazer mudanças importantes e positivas para vários setores da sociedade, como: infraestrutura, saúde, educação, logística, economia, etc. Para colocar essa ideia em prática, serão usadas tecnologias como o Big Data, internet das coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA).

Por enquanto, o que se sabe é que o Japão é o primeiro país do mundo a desenvolver essa iniciativa. No entanto, se avaliarmos melhor, é possível perceber que os demais países também já estão caminhando para esse futuro. Inclusive, o Brasil. Isso porque a chegada da pandemia no nosso país trouxe grandes transformações sociais. A principal delas foi o confinamento forçado e, consequentemente, a adesão ao trabalho remoto por grande parte das empresas.

De acordo com Sandro Valeri, professor da Fundação Dom Cabral e diretor de Estratégia da Inovação e Corporate Venture da Embraer, o isolamento social acelerou o avanço da tecnologia e já é possível sentir os primeiros impactos dessa adaptação. “Estamos passando por uma grande mudança no mercado empresarial, porque o futuro do trabalho se antecipou graças ao home office e à necessidade das ferramentas digitais. Essa antecipação traz à tona as profissões que exigem tecnologia e todos os empregos digitais, porque, a partir de agora, eles tendem a ficar muito mais valorizados”.

E quem ainda não está preparado para a Sociedade 5.0 precisa começar a se movimentar. “As pessoas precisam se capacitar rapidamente para este novo mundo que está se formando. A utilização das ferramentas digitais está se acelerando cada vez mais e se tornará essencial no meio empresarial”, crava Sandro Valeri.

Nesse processo de preparação para o novo modelo de sociedade, a psicoterapeuta cognitiva comportamental Isabelle Cunha, também aponta questões importantes. “Quem se conhecer melhor terá maior probabilidade de voltar bem mais completo ao trabalho no momento pós-pandemia. O campo de trabalho vai exigir profissionais com domínio sobre as próprias emoções. Vai exigir profissionais visionários, que estejam abertos e preparados para quaisquer novidades”.

Com todas essas mudanças que já estão acontecendo, percebemos que a Sociedade 5.0 definitivamente não é uma realidade tão distante do Brasil. Vemos uma sociedade super inteligente se formando, onde as informações estão muito mais acessíveis e o aprendizado bem mais rápido.

Vemos também várias empresas se desdobrando para se adaptarem ao mundo digital para continuarem produzindo. Foi necessário intensificar a presença no meio on-line e inovar. Não à toa, as empresas que estão conseguindo se reinventar estão saindo na frente de seus concorrentes em meio à pandemia.

Reuniões por vídeo chamadas, conversas por chats, serviços de delivery, vendas por e-commerce, transmissões ao vivo e disponibilização de vouchers nunca estiveram tão em alta. Todos os setores estão buscando soluções nas tecnologias para conseguirem se destacar no mercado e fugir de uma possível grave crise econômica.

Segundo Sandro Valeri, essa é justamente uma das principais características de uma Sociedade 5.0 que está se formando. “A partir do momento em passamos a ter maior acesso à tecnologia e as pessoas aprendem a trabalhar com os meios digitais, elas vão demandar que as tecnologias sejam utilizadas para a melhoria das suas próprias vidas”.

Isso significa que a nossa sociedade já está buscando investimento em inovações, mais desenvolvimento e segurança. Se o Japão já tomou a iniciativa e pretende tornar a Sociedade 5.0 uma realidade no país, resta aos demais caminharem no mesmo sentido para fazerem parte desse novo modelo de organização social, que traz benefícios não só para o Estado, mas principalmente para toda a população.

3 inovações que podem mudar radicalmente a indústria da moda

Vinicius Andrade, Fundador e CEO na basicamente. e filiado do LIDE FUTURO

Durante os últimos sete anos estou envolvido com a indústria têxtil, sempre olhando como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento dos negócios para a indústria, os varejistas e para as marcas (ou quem deseja iniciar uma).

De modo geral, no enfrentamento dessa crise atual, acho que todas as indústrias seriam sensatas ao refletir sobre como chegaram até aqui e o que precisa ser feito para realmente mudar e evoluir. Todas as iniciativas e esforços que vejo são para manter o modelo atual, ignorando a oportunidade de inovar de verdade. Empréstimos, por exemplo, fornecem alívio temporário, mas adiam a inevitável reinvenção que levará a tornarem-se indústrias mais saudáveis e mais resilientes (reinvenção que em muitos casos é feita por um novo player no mercado).

A moda é uma indústria global de US$ 3 trilhões e serve como modelo para definir uma nova estrutura industrial em um mundo que mudou para sempre. Aqui um pouco do porque acredito que o modelo de negócios da indústria da moda já está inadequado, para não dizer quebrado.

  • Demora de 6 a 12 meses para colocar um produto no mercado (embora haja algumas exceções);
  • É baseado em tecnologia muito antiga, desenvolvida principalmente nos anos 90 ou anteriores;
  • Sufoca em vez de possibilitar a inovação;
  • E seu impacto adverso neste planeta é impressionante.

Em resumo, essa é uma indústria que precisa de investimento em mudanças abrangentes e impactantes.

Não vejo mudanças significativas na indústria da moda desde que nasci, mais de 30 anos atrás, salvo duas grandes exceções: a chegada e fortalecimento do e-commerce e a logística “last mile”. Ela sobreviveu a dois grandes choques (11 de setembro e a crise financeira de 2008), mas teve muito tempo para se recuperar.

Enquanto isso, o mundo em que vivemos, a tecnologia que desenvolvemos e a interconexão de economias e sociedades não se parecem em nada com 30 anos atrás. Essa crise é uma evidência clara de que todos somos afetados (e infectados) pelas crises políticas, econômicas, sociais e de saúde e nos tornaremos cada vez mais no futuro. Mudanças sistêmicas reais não acontecerão se os investidores e as empresas continuarem focando apenas em inovação incremental. Precisamos reinventar os milhares de processos.

Acabar com o estoque

Se você realmente deseja mudar a indústria da moda, faça tudo sob demanda. Ele nada mais é que a uma fonte de fluxo de caixa futuro, mas agora praticamente não vale nada.

Agora imagine toda a indústria sob demanda:

  • Os fabricantes não teriam estoque inútil e de coleções antigas. Eles poderiam pausar suas fábricas em um instante, reiniciar em alguns dias e mudar sua fabricação para um mix de produtos mais atual rapidamente.
  • Os varejistas não tomariam mais decisões de compra seis meses antes de precisarem de estoque. Toda a mercadoria da loja seria reabastecida várias vezes por semana diretamente das fábricas, minimizando a exposição ruim ao estoque.
  • As marcas tornariam quase todos os elementos de seus negócios variáveis. Eles aumentariam ou diminuiriam a oferta de seus produtos dinamicamente, com base na demanda do mercado. Não haveria armazéns (os produtos são enviados para o cliente direto da fábrica), não haveria nenhuma liquidação por excesso de estoque, nem mesmo produtos esgotados ou dinheiro perdido em produtos não vendidos.
  • A moda seria muito mais sustentável. Estimativas conservadoras afirmam que 30% de todos os produtos fabricados a cada ano nunca são vendidos e acabam em aterros sanitários ou são incinerados. A sustentabilidade real e impactante começa com a produção da quantidade certa de um produto.

As empresas pareceriam diferentes — menos despesas gerais, mais automação. E o setor seria saudável, criando mais oportunidades para trabalhadores e investidores.

Uma cadeia transparente e distribuída

Produção sob demanda significa que um produto existe apenas quando é desejado. Produção distribuída significa que ela existe apenas onde é desejada, com isso ela permite o crescimento da cadeia de suprimentos diversificando o risco geográfico, fornecendo acesso em tempo real aos clientes em uma ampla gama de mercados, reduzindo o impacto no transporte, evitando tarifas e criando empregos locais na manufatura. Também possibilitaria medir o impacto ambiental de uma única peça de roupa e responsabilizar as empresas por reivindicações de sustentabilidade.

Uma rede de milhares de fábricas produzindo de forma distribuída seria inimaginável até cinco anos atrás. Mas agora, por exemplo, contratos de blockchain podem gerenciar de forma avançada a fabricação e a entrega de pedidos únicos, em qualquer lugar.

Um retorno a uma indústria impulsionada pela criação

Hoje, devido aos mínimos de fabricação e material e ao tempo do fluxo de caixa, estar errado é muito caro para uma marca. Mas em um mundo em que o produto é produzido sob demanda em tempo real, nada depende do volume. Um criador pode projetar, vender e fabricar uma peça de roupa com a mesma eficiência que 1.000, sem riscos. A indústria poderia recuperar algo essencial que se perdeu — sua alma.

A moda é uma indústria da arte, não da ciência. Muito se fala de investimentos para obter designs através de inteligência artifical ou análises baseadas em aprendizado de máquina para previsão de tendências mas pouco tenho visto em uma área que pode fazer a diferença: infraestrutura da cadeia de valor. Proponho que usemos a ciência para fortalecer a arte. Isto não é um sonho; é uma realidade hoje. E um belo exemplo é o que a Ruhnn está fazendo na China e muito do que sonhamos grande na Basicamente, com soluções para parte dessa cadeia, principalmente marcas e varejistas.

Há um velho ditado que diz: “Se você se encontrar dentro de um buraco, pare de cavar”. É hora de parar de cavar. A mudança é dolorosa, mas com coragem da indústria e capital dos investidores, podemos usar esse momento para construir uma indústria da moda mais estável e responsável. Podemos oferecer mais oportunidades para marcas, varejistas, fabricantes, designers, trabalhadores, acionistas e comunidades. Preservar uma indústria legada quebrada, irresponsável, em um momento em que podemos realmente mudar para melhor seria um desperdício de uma crise.

OS ESPAÇOS DE TRABALHO DA NOVA ERA

Por Fernanda Mourão, arquiteta e urbanista fundadora da Outoo e filiada do LIDE FUTURO

Há três anos venho pesquisando e fomentando o trabalho remoto, trabalho flexível, espaços de trabalho além do escritório e distribuídos. Quando falava sobre isso, parecia ouvir meu próprio eco, as pessoas não entendiam muito bem, falavam que isso nunca chegaria no Brasil.

Quatro meses atrás, escrevi um artigo chamado “Adeus escritório fixo”. Ali eu contei sobre o fato de a internet e tecnologias nos permitirem trabalhar de qualquer lugar, que não fazia sentido as horas perdidas no trânsito para ir e voltar do escritório, principalmente em cidades como São Paulo, que, apesar do tamanho, se concentra em apenas três grandes centros econômicos (Av. Paulista, Faria Lima e Berrini) e metade da cidade vai todos os dias, no mesmo horário, para eles. Falei também que o trabalho remoto e flexível era a “tendência do futuro do trabalho” e estava crescendo rumo aos 30% dos espaços de trabalho fora dos escritórios em 2030, como apontavam os estudos.

Aí veio o novo coronavírus e o isolamento social forçado e o futuro agora é presente. Estamos na era pós-digital, onde a presença da tecnologia digital é onipresente e seu impacto é sentido em todos os aspectos da vida. Mas o isolamento nos forçou a usufruí-la de forma ainda mais ativa, precisávamos desse choque para tomar consciência do que era possível fazer com as tecnologias atuais.

No trabalho o impacto é forte, elimina e cria profissões, exalta características comportamentais e pede valorização do bem-estar. Com isso, os espaços físicos precisam ser igualmente repensados. Os escritórios que já vinham sofrendo mudanças, agora são repensados a toque de caixa. Empresas estudam estratégias de adoção do remoto, distribuição geográfica, descentralização das operações e, consequentemente, a mobilidade dos profissionais e das cidades.

O movimento no mercado imobiliário virou quase que 360 graus, de repente, as buscas agora são por escritórios menores e apartamentos maiores. A reinvenção dos espaços de trabalho acontece em diferentes escalas, desde o espaço interno e tipos de locais, até sua relação com a cidade e mobilidade. 

São cinco os pontos principais que resumem o futuro que foi acelerado pela pandemia: 1) O trabalho remoto é um caminho sem volta, agora que todos experimentaram os benefícios, ele será essencial, em pelo menos alguns dias da semana, para todos que têm o computador como principal ferramenta de trabalho; 2) Flexibilidade é o novo objeto de desejo da maioria dos colaboradores, seguir as mesmas regras, horários e estar sempre no mesmo escritório das 9h às 18h vai ficar cada vez mais raro; 3) A diversificação dos espaços de trabalhos será cada vez maior, ja que se pode trabalhar de qualquer lugar, o #anywhereoffice , é preciso oferecer uma diversificação de espaços para atender aos diferentes tipos de atividades e localização das pessoas; 4) As sedes das empresas passarão a ser um ponto de encontro para atividades pontuais, colaboração, vivência da cultura e reforçar missão e valores, o dia-a-dia de trabalho acontecerá em muitos outros lugares; 5) Os espaços de trabalho do futuro próximo devem ser multifuncionais, um misto de coworking, centro cultural, espaços de convivência que as pessoas vão quando quiserem/precisarem, de acordo com o tipo de trabalho do dia, do clima, do trânsito, da localização que estiverem e da atividade que vão exercer naquele dia.

Para isso, existem empresas como a Outoo, plataforma de busca e reserva de espaços de trabalho out of office, (daí o nome OUT Of Office) que nasceu baseada nessa ideia de múltiplas possibilidades para pessoas que têm jornadas flexíveis, mapeamos diferentes tipos de espaços que podem servir para trabalhar por um período, um dia ou vários, dos mais “óbvios” como coworkings até padarias e supermercados que disponibilizam espaços para trabalhar, conectando todo um ecossistema disponível para o trabalho flexível e remoto. A escolha não precisa ser binária entre escritório ou home office, pode ser múltipla com infinitas possibilidades, espaços e modelos híbridos.

Ninguém tem ainda todas as respostas, estamos em plena transformação, mudança de era e paradigmas, mas uma coisa é certa, nessa nova era quem vai ser a estrela é a flexibilidade e a gama de escolhas que ela nos proporciona.

Por que migrar para o mercado livre de energia?

Adriana Luz, Executiva de Vendas da Trinity Energia e filiada do LIDE FUTURO

Você sabe o que é o Mercado Livre de Energia Elétrica? Para quem ainda não conhece, é um ambiente livre de concorrência e de negociação de energia elétrica em que os participantes podem escolher o seu fornecedor, negociar livremente e de forma segura todas as suas condições comerciais. Além disso, é uma alternativa para empresas que buscam reduções no custo com a energia elétrica, que, de modo geral, podem chegar até 30%.

A vantagem em ingressar nesse ambiente livre, são os benefícios atrelados a ele, que de uma forma geral são:

  • Sustentabilidade: O consumidor livre pode adquirir energia de fontes renováveis, o que contribui para combater a emissão de gases poluentes no meio ambiente;
  • Redução de custos: Preços competitivos e negociados diretamente com o fornecedor que podem entregar uma economia superior a 30%, em razão da tarifa única de energia, subsídios na tarifa de distribuição atrelados a fonte e isenção de bandeiras tarifárias;
  • Previsibilidade Orçamentária: Como o consumidor faz a negociação da sua energia com antecedência no mercado livre, é possível uma previsão de orçamento mais clara, ao se remover da equação as variações e adversidades de um consumidor no mercado cativo;
  • Poder de escolha: o consumidor tem livre escolha sobre o seu fornecedor;

Atualmente, mais de 80% do consumo Industrial do Brasil já está no mercado livre, o que representa aproximadamente 7.700 empresas separadas entre consumidores livres (possuem acima de 2000kw de demanda contratada) e especiais (possuem demanda contratada entre 500kw e 2000kw).  O mercado livre também representa hoje 32% de todo o consumo de energia elétrica do nosso país. E esse percentual deve aumentar nos próximos meses.

No ano de 2016, as migrações para o mercado livre aumentaram 25 vezes em relação ao ano anterior, foi um período de “boom das migrações”. Na ocasião, mais de 2.300 empresas migraram para esse modelo, isso porque as tarifas do mercado regulado sofreram um grande aumento nessa época, enquanto o mercado livre teve o efeito contrário, com queda expressiva nos preços. Devido a essa alta, as empresas precisaram buscar alternativas para reduzir custos com energia elétrica, que para a maioria delas representa o seu terceiro maior custo – perdendo somente para os custos envolvidos com folha de pagamento e matéria prima. 

Com a redução do consumo de energia elétrica no país, houve uma queda expressiva nos preços do mercado livre de energia elétrica, levando a um novo “boom de migração”. Como a Energia Elétrica é um insumo primordial para as atividades das empresas e tem um custo muito elevado no seu orçamento, essas instituições vêm intensificando ações de redução de custo para garantir a saúde financeira de suas empresas diante dos impactos causados pela pandemia. 

De acordo com boletim referente ao mês de maio de 2020 divulgado pela Abraceel – Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, a tarifa média atual de energia aplicada para os consumidores cativos junto as distribuidoras do Brasil é R$ 319,00/MWh, já no mercado livre essa tarifa média é de R$ 158,00/MWh. 

Em estudos recentes de viabilidade financeira para migração ao mercado livre realizados pela equipe comercial da Trinity Energia, identificou-se que na maioria das empresas a redução projetada com os custos de energia elétrica para o período de 2021 em diante chega a ser superior a 30% por mês. A média de redução do mercado em 2019 era em torno de 23%.

A pandemia gerou impactos econômicos em todo o mundo. Com as incertezas em mente, a gestão de caixa em empresas precisa ser ainda mais cuidadosa. E uma das maiores considerações neste momento é sobre a redução de gastos. A Energia Elétrica é um item essencial e com custo muito representativo dentro do orçamento das empresas, por isso o mercado livre se torna uma alternativa viável e segura para a redução desse insumo tão importante e necessário para as empresas. 

Empreendedorismo materno: romantização da profissão ou real necessidade?

Por Marisa Peraro, fundadora e CEO da Pro-Corpo Estética Avançada e membro do Comitê de Gestão do LIDE FUTURO

Romantizar o empreendedorismo materno pode ser cilada. Para algumas mulheres, o empreendedorismo pode ser a única opção, mas não significa que seja a mais fácil. De uns tempos para cá, a visão preconceituosa de que a maternidade e o empreendedorismo não podem caminhar juntos, tendo em vista que a mulher precisa dedicar seu tempo à casa e aos filhos, está aos poucos diminuindo.

As mulheres têm mostrado que é possível, sim, unir as duas características em uma só, no que ficou conhecido como empreendedorismo materno. Segundo o último estudo divulgado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), das novas empresas criadas no Brasil, 52% são abertas por mulheres. Destas mulheres, mais da metade têm filhos.

Eu, particularmente, senti na pele o desafio de ser mãe e empreendedora quando voltei à empresa, depois de dar à luz ao meu primeiro filho. Fui descobrindo na prática que as coisas ficariam um pouco mais complicadas. Ser empreendedora no Brasil já é difícil por causa dos altos impostos, das dificuldades rotineiras e da burocracia. Além de tudo isso, por mais que eu tivesse as ideias e a vontade de fazer o meu negócio crescer, no final do dia, eu teria que parar tudo o que eu estava fazendo para voltar para casa, limpar, fazer comida, cuidar do meu filho e no outro dia sair para trabalhar novamente.

Embora o assunto seja romantizado e a maioria das pessoas acredite que ser empreendedora é sinônimo de ter mais tempo livre com os filhos, a grande verdade é que, ao contrário do que muitos imaginam, o empreendedorismo materno, na maioria das vezes, não surge com esse objetivo.

Sou mãe do Lucas, 10 anos, da Aline, 8 anos, e do Felipe, 7 anos, e nunca entendi o termo empreendedorismo materno até dar à luz ao Lucas. As pessoas sempre me falavam sobre empreendedorismo materno, mas eu nunca havia parado para ligar os pontos. Eu sempre gostei muito de trabalhar, mas confesso quando segurei meu bebê no colo pela primeira vez, senti vontade de parar o mundo e ficar em casa! Essa vontade durou apenas 10 minutos, e já me veio a realidade à tona: “você não pode fazer isso, você vai ter que sustentar essa criança”.

Independente da maternidade, o grande desafio é conseguir equilibrar todas as responsabilidades sem perder a força. Passei a enxergar que, além de ter que me virar para fazer a empresa dar certo e da responsabilidade que eu tinha com os meus funcionários, eu também tinha uma criança para sustentar. No meu caso, a empresa tinha que dar certo porque era o único sustento da minha família e, talvez, das famílias de todos que trabalhavam comigo. E isso é o que talvez tenha me dado ainda mais energia para fazer as coisas acontecerem.

Os desafios no empreendedorismo materno são diários e mudam conforme as necessidades. Um exemplo atual é o enfrentamento da pandemia por conta do novo coronavírus. Muitas pessoas perderam seus empregos e não estão conseguindo ser recontratadas por conta do momento difícil do mercado. E quando a necessidade bate à porta, é preciso criatividade e motivação.

Tenho visto mulheres que estão costurando máscaras em casa durante a pandemia e colocando os maridos para vendê-las nas ruas. Ali está surgindo um negócio! Ela também não deixa de ser uma empreendedora que, enquanto fica com os filhos em casa, está tendo que se virar para garantir o sustento da família. Quando a necessidade bate, você tem que ter jogo de cintura para fazer as coisas acontecerem.

Para esta nova comunidade empreendedora, já existem empresas especializadas no suporte e compartilhamento de histórias que servem como motivação, apoio emocional e até mesmo como plataforma de dicas sobre como empreender e dividir as tarefas como mãe. Uma delas é a B2Mamy.

O empreendedorismo materno não é uma inovação no mundo, não é algo inteiramente novo. As atividades performadas pelas mulheres mostram que é possível empreender sendo mãe ou não. Talvez seja um pouco mais difícil quando se é mãe, ou talvez não. Talvez seja a melhor opção, ou talvez a única. A maternidade faz muitas mulheres se redescobrirem e encontrarem forças que nem imaginavam existir dentro de si. Quem sabe não seja o empurrão que faltava para criarem um novo começo? Um recomeço? Cabe às mulheres decidirem o que é melhor para si e seguirem em frente.