LIDE FUTURO Entrevista: Glaucia Vidal e Leandro Oréfice, da Oslo Wealth Investments

“O Brasil ainda é um mercado jovem e o futuro será buscar patamares de países mais maduros como Suíça e EUA” – Glaucia Vidal

Glaucia Vidal é fundadora da Oslo Wealth Investments, agente autônomo de investimentos da AndBank Brasil, um banco internacional de propriedade familiar presente em 11 países, controlado pela terceira geração da família que faz parte do principado de Andorra. Presente há 90 anos no mundo e há 11 no Brasil. Dedicando-se, desde a sua origem, ao Private Banking.

Glaucia tem MBA pela FIA em Banking e Personal Professional Coach pela Sociedade Brasileira de Coach. Ela trabalhou em grandes instituições financeiras, sendo no Citibank responsável pelas plataformas de São Paulo (Paulista e Faria Lima) e Interior (Campinas e Ribeirão Preto), gerenciando a maior Regional do segmento Citigold Private Client, atuando nos relacionamentos e operações dos clientes Private em São Paulo.

Em seguida, chegou Leandro Oréfice, com mais de 10 anos de atuação na área Comercial em empresas de segmentos de tecnologia e serviços no Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, somado a 6 anos no mercado financeiro brasileiro. Percebendo a carência de qualidade na prestação de serviço, imparcialidade e acesso a plataformas abertas no mercado financeiro, ele notou a relevância da Oslo no mercado financeiro e aceitou este grande desafio.

Nesta entrevista para o LIDE FUTURO, Glaucia e Leandro contam com detalhes os aprendizados de suas carreiras:

LIDE FUTURO – Conte um pouco sobre a carreira de vocês e os desafios enfrentados.

GLAUCIA – Possuo 20 anos de mercado financeiro, passei por diversas funções, desde trainee até cargos de liderança estratégica, com foco no Private Banking. Nesta trajetória foram seis bancos nacionais e internacionais, sendo a última instituição o AndBank Brasil, de onde veio a intenção de empreender e fundar a Oslo em 2018, primeiro escritório de assessoria de investimentos externos do AndBank Brasil, tendo em vista as mudanças que ocorriam e ainda ocorrem neste mercado financeiro.

LEANDRO – Possuo 16 anos de experiência profissional, sendo mais dez anos na área Comercial e seis anos no mercado bancário. Minha trajetória passou de trainee a cargos de liderança nas áreas Financeira e Comercial, tanto no Brasil como na América Latina. Por ter o entendimento que o diferencial de qualquer empresa está no serviço/relacionamento, também cursei: “Excelência na Qualidade do Serviço”, na Disney Institute.

LIDE FUTURO – Qual é a sua função e como é o dia a dia de vocês na Oslo?

GLAUCIA – Sou a CEO e fundadora da Oslo Wealth Investments, meu dia a dia foca no relacionamento bastante próximo com os clientes e parceiros, além de buscar constantemente novos parceiros para melhor atender as demandas de nossos clientes.

LEANDRO – Meu dia a dia é composto por monitorar o mercado constantemente, participar de reuniões com gestores de fundos e equipe AndBank para avaliar as melhores oportunidades, atrair novos clientes e customizar estratégias de investimento respeitando cada perfil de risco, além do relacionamento com eles.

LIDE FUTURO – Como vocês visualizam o setor de investimentos no Brasil? Quais os principais desafios que o Brasil enfrenta?

GLAUCIA – Nossa visão é que o setor está em expansão e evolução, tanto do ponto de vista cultural e de educação financeira que está em voga neste momento. Sendo as novas gerações as mais interessadas pelo tema. Como do ponto de vista estrutural e tecnológico, tendo em vista a inúmeras fintechs entrando no mercado, a chegada do PIX, outras movimentações que a B3 e CVM (Comissão de Valores Mobiliários) têm feito, assim como a tecnologia de nosso dia a dia que, automaticamente, demanda das instituições plataformas online e em tempo real.

LEANDRO – O principal desafio do Brasil é político. Tal desafio afeta diversos outros setores, inclusive a economia e, por consequência, o setor de Investimentos. A lentidão das tomadas de decisões […] traz algumas consequências, como: 1. Aumento do risco-país e custo-país (este último afeta toda a cadeia produtivo em todos os setores da economia); 2. Desestímulo do investimento estrangeiro no Brasil; 3. Burocracia; 4. Taxa Selic baixa, por mais que fomenta negócios, também afasta os investidores estrangeiros. E, por fim, o protecionismo que hoje no setor bancário/investimento brasileiro é um outro desafio, mas que pouco a pouco tem sido quebrado. Nossa visão é de um open banking, e o que temos hoje é um oligopólio que gera altas barreiras de entrada.



LIDE FUTURO – Nesse setor, em qual país o Brasil poderia se inspirar?

GLAUCIA – O Brasil ainda é um mercado jovem e o futuro será buscar patamares de países mais maduros como Suíça e EUA, onde estes países já possuem uma visão de investimentos globalizados.

Faça as pazes com suas raízes

Rafael Ottaiano, fundador da Positiv Network e filiado ao LIDE FUTURO

Na maioria dos artigos costumo falar sobre pessoas em geral, mas é sempre importante reconhecer que me inspiro em vivências pessoais para conseguir transferir aprendizados que tenham de alguma maneira me ajudado a seguir adiante superando obstáculos e alcançando novos patamares.

A pandemia suspendeu meu visto para Índia, junto com a ideia de morar fora desenvolvendo nossa plataforma da Positiv Network no exterior, e forçou a estada em Vitória, próximo a família e amigos de longa data. Num primeiro momento isto se mostrou um desafio, afinal, onde fomos criados por vezes é o lugar onde guardam-se muitas mágoas e memórias.

Por outro lado, procurei entender qual era a razão de permanecer aqui neste momento, e me recordei de um ensinamento que diz: “onde a ferida foi causada, também é o lugar onde ela é curada”.

Por incrível que pareça, acreditar nisso tem me levado a percepções que aliviam o coração. Primeiro porque mesmo vivendo em Vitória, grande parte da minha vida nunca tinha interagido tanto com a natureza quanto nos últimos tempos. Isso me fez reconhecer o quanto abençoado havia sido por nascer num lugar tão maravilhoso.

Estando próximo a família e vivenciando alguns “dramas do passado” pude perceber que já não sou mais a mesma pessoa, e por isso mesmo tais relações já não exercem o poder que antes tinham sobre mim, nem pro bem, nem pro mal. É possível amar sem buscar reconhecimento e perdoar sem querer nada em troca.

Por fim, em linhas gerais, tendo sido um jovem falante e de várias ideias, algumas vezes enfrentava resistência de pessoas próximas que também queriam ser ouvidas (ou que não queriam me escutar), e em contrapartida, atualmente escrevo neste Blog e compartilho pensamentos na Rádio Jovem Pan. De certo modo, uma ironia do destino: aquele que em algum momento foi calado, agora é estimulado a falar.

Sob todos estes aspectos, fica perceptível que fazer as pazes com nossas raízes permite darmos um salto adiante, e seguir em frente na vida, sem o peso de acharmos que temos algo mal resolvido para trás. É um verdadeiro libertar-se de amarras, sabendo que para criar o futuro, precisamos deixar nosso passado para trás.

O próximo passo é inaugurar nossa plataforma digital e seguir trabalhando para apoiar o desenvolvimento da consciência humana. Pessoas positivas constroem um mundo positivo, é nisso que acreditamos.

No “Novo Mundo de Dados”, quem controla as informações?

Por Ravi Gama, CEO da 2FIND e filiado do LIDE FUTURO

Hoje em dia, é praticamente impossível viver offline, pois recorremos à internet e ao nosso smartphone para quase tudo. O que não sabemos – ou não lembramos – é que todas as nossas navegações virtuais são acompanhadas por milhares de empresas, que aproveitam a oportunidade para coletar nossos dados pessoais. Fazer compras em e-commerce, conversar com os amigos e familiares por mensagens instantâneas, interagir com outras pessoas nas redes sociais, jogar on-line, acessar portais de notícias, fazer pesquisas em sites de busca. Você sabia que cada um desses cliques pode ser rastreado por grandes corporações?

Ao acessar páginas e utilizar aplicativos, nós costumamos concordar com políticas de privacidade sem uma leitura prévia e, assim, damos autorização para a coleta dos nossos próprios dados, que vão desde nome, cidade e idade até endereço de IP, informações sobre renda, hábitos de consumo e quaisquer outras informações que nos identifiquem. Esses dados permitem as empresas entenderem os perfis dos usuários a partir de algoritmos e são muito úteis para direcionar melhor os anúncios, melhorar campanhas publicitárias, monitorar hábitos de consumo, realizar estudos estatísticos, entre outras inúmeras vantagens.

Como um dos principais exemplos, temos as eleições norte-americanas de 2016, quando a empresa Cambridge Analytica se envolveu em um imenso escândalo após manipular dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook para a campanha eleitoral de Donald Trump, que, posteriormente, foi eleito presidente dos Estados Unidos. A polêmica rendeu até um filme chamado “Privacidade Hackeada”, disponível na plataforma da Netflix.

Muito se fala sobre os dados serem o novo petróleo e a nova economia. E, realmente, não estão longe disso. Os dados estão se tornando cada vez mais valiosos e são verdadeiras preciosidades para quem os detêm, já que proporcionam informações ricas e raras capazes de direcionar importantes decisões. A grande questão que envolve o assunto é em relação ao controle dessas informações. Todo país é regido por um governante, seja ele presidente, monarca ou imperador. Disso, não temos dúvidas. Mas são eles quem realmente controlam os países?

Há quem diga que tal controle está nas mãos da mídia. Bom, pode até ser, mas a essência é inquestionavelmente formada por dados. Afinal, a influência do comportamento do consumidor é feita a partir de dados, bem como o que consumimos e o que pensamos. Existe uma falsa sensação de que temos líderes gerenciando países quando, na verdade, quem direciona um país, quem muda uma cultura e transforma um comportamento humano, definitivamente são os dados.

Sabendo disso, podemos então nos perguntar: quem são os “presidentes” dos dados?

Essa lista é longa e abrange as maiores empresas do mundo, a começar pelo Google, uma das principais empresas que armazena o maior número de dados de internautas. A ferramenta de pesquisa acompanha todas as buscas que realizamos, os links que acessamos e, a partir desse rastreamento, conseguem identificar nossos potenciais interesses. O AliBaba também é outro protagonista nesse cenário, assim como a Microsoft, dona de absolutamente todos os nossos dados colhidos por meio dos nossos computadores que utilizam o seu software.

O Twitter é outra plataforma que merece destaque. Apesar de não ser tão usado no Brasil como nos Estados Unidos, a rede social coleta dados essenciais a partir de todos os nossos tweets e, principalmente, a partir das contas que nós seguimos. Não à toa, aqui no Brasil, o Twitter serve muito bem como um termômetro político, já que a rede é praticamente uma boca de urna, em que é possível termos uma prévia dos resultados das eleições com os dados coletados. Isso faz do Twitter uma relevante arma para uma campanha política, uma vez que os candidatos, guiados por boas estratégias, podem usufruir das informações colhidas por lá.

Outra rede social que tem sido alvo de polêmicas em relação a esse assunto é o Tiktok, o aplicativo chinês que vem crescendo assustadoramente e que está fomentando a “Guerra Fria” entre a China e os EUA. Recentemente, o governo norte-americano declarou que pretende banir o aplicativo do país acusando a rede social justamente de roubar dados de milhões de usuários. As maiores suspeitas são de que o Tiktok esteja transferindo essas informações para o governo chinês e que a empresa dona do aplicativo, ByteDance, esteja guardando os conteúdos de seus usuários sem as devidas autorizações. Diante disso, os EUA veem o Tiktok como uma grande ameaça à segurança dos americanos e seguem investigando o aplicativo.

Seguindo a lista de grandes empresas detentoras de dados, o Facebook não poderia ficar de fora. As recentes brincadeiras do aplicativo FaceApp que viralizaram na internet, geraram muita discussão. Basicamente, a ferramenta utiliza inteligência artificial para transformar rostos nas fotos. Ou seja, bastava os usuários fazerem o upload de uma selfie para descobrirem como ficariam daqui 50 anos ou então como ficariam se fossem do gênero oposto. Em pouco tempo, o aplicativo virou uma verdadeira febre na internet. No entanto, o que pouco se comentou foi o fato de o Facebook usar as fotos para coletar dados históricos de genética.

E se engana quem pensa que apenas os aplicativos e sites coletam dados. Atualmente, temos um exemplo de um aparelho que está entre os maiores desejos de muitos jovens: o Echo Dot da Amazon, uma assistente pessoal – chamada Alexa – que controla dispositivos inteligentes de casa, faz ligações, conversa, chama Uber, pede iFood, entre outros diversos comandos. A partir do momento em que compramos uma Alexa e a deixamos em casa, ela escuta e capta absolutamente todas as informações do ambiente. Nesse sentido, podemos dizer que a Alexa é uma das maiores coletoras de dados do mundo, já que ela está presente dentro da casa das pessoas durante 24 horas por dia. Uma vez que colocamos esse aparelho super inteligente em casa, estamos automaticamente autorizando-a a roubar os nossos dados.

Com essas informações armazenadas pela Alexa, a Amazon passa a ter um maior entendimento dos nossos perfis de consumo, tarefas do nosso dia a dia, rotina e hábitos e, dessa forma, consegue produzir propagandas personalizadas para os seus clientes. É exatamente por isso que a Amazon tem evidenciado tanto esse produto e até mesmo forçado, de certa forma, a sua compra. Se pensarmos racionalmente, é impossível que uma tecnologia desse nível varie entre o valor de apenas R$ 299 a R$ 350. Evidentemente, o preço está bem abaixo do que realmente ele custa. Portanto, neste momento, o foco da Amazon não é lucrar com a venda dos Echo Dot, mas sim inserir o aparelho na maior quantidade de casas possível e, consequentemente, captar bilhões de dados pelo mundo todo.

É assustador pensar em tantas coisas que são imperceptíveis para nós no dia a dia, que, às vezes, passam despercebidos. Mas a verdade é que estamos diante de um controle nocivo de dados, que exige a nossa atenção e cuidado. Precisamos nos alertar e acompanhar o mundo virtual que nos rege para buscar respostas para as nossas perguntas. Estamos falando de um mundo de dados, controlados por essas grandes empresas, mas como esses dados são realmente usados? Para o que, afinal, são usados? Quem está no comando de todas essas informações?

Se, por um lado, temos poderosas empresas se beneficiando com essa constante coleta de dados, por outro, notamos uma forte e crescente preocupação com a segurança das pessoas, o que, inclusive, resultou na intensa discussão sobre a entrada da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) no Brasil, que já deveria estar em vigor no país, porém a sua entrada foi adiada. A lei tem como objetivo basicamente regulamentar o tratamento de dados pessoais de clientes e usuários por parte de empresas públicas e privadas e tem sido vista como uma importante aliada à proteção da privacidade das pessoas.

É indiscutível que a LGPD realmente possui um papel relevante na nossa sociedade atual, pois demonstra uma tentativa do governo de garantir a segurança dos cidadãos. Mas precisamos entender o que, de fato, a lei vai mudar. Quais serão as mudanças efetivas com a aprovação da LGPD no Brasil? Vale lembrar que, mesmo que aprovada, a lei irá apenas regular a situação. E pouco adiantará regular se os usuários continuarão baixando aplicativos, acessando ferramentas e aceitando todos os termos de políticas de privacidade.

Parece uma tarefa muito inverossímil proteger as pessoas de todos os riscos e perigos em uma era completamente digital. Seria necessário ter controle sobre todas as ações dos internautas e, com tantas tecnologias avançadas que temos hoje, nem assim ainda teríamos a certeza de que estaríamos todos blindados contra o Mundo de Dados.

Novas leis da cidade de São Paulo reforçam o combate à violência contra a mulher

Adriana Filizzola D’Urso, advogada criminalista e filiada ao LIDE FUTURO

Todas estas iniciativas da cidade de São Paulo representam importantes passos no combate à violência contra a mulher e objetivam a minimização de suas consequências, de maneira que merecem o reconhecimento de toda a sociedade.

Nos últimos anos, o Poder Legislativo Municipal de São Paulo demonstrou sua preocupação com o tema da violência contra a mulher e, intensificando este trabalho em 2020, passou a aprovar leis que combatem esta prática e promovem o acolhimento das mulheres vítimas de violência.

Ainda em 18 de março de 2020, entrou em vigor a lei municipal 17.320, que dispõe sobre concessão de auxílio-aluguel às mulheres vítimas de violência doméstica, no município de São Paulo.

De acordo com a lei, estas vítimas em extrema situação de vulnerabilidade financeira, teriam direito a um auxílio-aluguel municipal, concedido pelo prazo de 12 (doze) meses – prorrogável apenas uma vez por igual período, mediante justificativa técnica -, sem prejuízo de outros beneficiários constantes das normas regulamentadoras. Para fazer jus ao benefício, a mulher deve ter sido atendida por medida protetiva, prevista na lei 11.340/06 – Lei Maria da Penha.

Já em 30 de abril de 2020, o artigo 13 da lei municipal 17.340 previu que, diante da pandemia do covid-19, o município de São Paulo poderia disponibilizar vagas de hospedagem em hotéis, pousadas, hospedarias e assemelhados para as mulheres vítimas de violência doméstica, em situação de extrema vulnerabilidade, durante a vigência da situação de emergência e do estado de calamidade pública decorrentes do coronavírus, tendo prioridade nas vagas as gestantes, mulheres com filhos de até 5 (cinco) anos e aquelas que estejam atendidas pelos equipamentos da rede de enfrentamento à violência na cidade de São Paulo.

Mais adiante, em 18 de maio de 2020, entrou em vigor a lei municipal 17.341, que busca estimular a contratação de mulheres que foram alvo de violência doméstica, visando apoiar sua autonomia financeira, por meio de sua inserção no mercado de trabalho. Para tanto, nas contratações firmadas pelo município de São Paulo, que tenham por objeto a prestação de serviços públicos, exige-se que 5% (cinco por cento) das vagas de trabalho relacionadas com a prestação da atividade-fim sejam destinadas a mulheres integrantes do Projeto Tem Saída.

Recentemente, em 10 de setembro de 2020, nova lei sobre esta temática entrou em vigor. É a lei municipal 17.450, que institui multa administrativa para o agressor, quando, por ação ou omissão, houver o acionamento do serviço público de emergência por conta de lesão, violência física, sexual ou psicológica, dano moral ou patrimonial causado à mulher, no âmbito doméstico e familiar.

Segundo a lei, considera-se acionamento do serviço público de emergência todo e qualquer deslocamento ou mobilização da Administração direta ou indireta do município para prestar os seguintes serviços de assistência às vítimas: (I) atendimento móvel de urgência; (II) atendimento médico na rede municipal de saúde; (III) busca e salvamento; (IV) saúde emergencial; (V) atendimento psicológico; dentre outros.

A multa em questão servirá para cobrir os custos relativos aos serviços públicos prestados, diretamente ou pelas entidades da Administração direta ou indireta do município, na prestação do atendimento às vítimas em situação de violência doméstica e familiar contra a mulher.

O valor da multa ficou estabelecido pela lei em 10 mil reais. Porém, quando a violência doméstica e familiar resultar em ofensa grave à integridade ou à saúde física ou mental da vítima, tal valor será majorado em 50%, passando a multa para 15 mil reais. Ademais, nos casos de aborto ou morte da vítima, resultante da violência doméstica e familiar, o valor da multa poderá ser elevado em 100%, totalizando 20 mil reais.

Segundo a lei, os valores recolhidos serão destinados ao custeio de políticas públicas voltadas à redução da violência doméstica e familiar.

Referida lei está em conformidade com o que prevê o artigo 9º, parágrafo 4º da Lei Maria da Penha e tem papel fundamental na educação e conscientização do agressor. Todavia, ainda pendente de regulamentação, as peculiaridades atinentes à aplicação da multa requerem cautela, para que não sejam suscitadas inconstitucionalidades e para que a multa não seja aplicada a alguém que depois venha a se descobrir inocente.

Todas estas iniciativas da cidade de São Paulo representam importantes passos no combate à violência contra a mulher e objetivam a minimização de suas consequências, de maneira que merecem o reconhecimento de toda a sociedade, que precisa continuar alerta, repudiando qualquer iniciativa violenta no ambiente doméstico e familiar, que tenha como alvo a mulher.

Anestesia Empreendedora

Thiago Shimada, CEO da Academia da Marca e filiado do LIDE FUTURO

Diante de um cenário totalmente novo, os donos de negócios precisaram, mais do que nunca, se reinventarem para sobreviver. Alguns, é verdade, não o fizeram de imediato, por pensar que o período de isolamento social não se estenderia. Mas, o quanto cada pessoa demorou para ter uma reação ao “novo normal” pode ser crucial para o futuro do negócio. Tudo depende do seu timing de reação, e quanto mais anestesiado você ficou, mais difícil será a retomada.

Situações como a que vivemos é encarada de maneira muito distinta por cada pessoa e, por consequência, a empresa que ela administra. Apesar disso, destaco aqui os três comportamentos primordiais diante de um cenário de medo e instabilidade: fuga, agressão e paralisia. Cada item, é claro, tem uma intensidade e durabilidade que varia de acordo com a personalidade, tipo de negócio e outros fatores externos que podem influenciar.

Conforme destacado, o timing de reação é essencial para que o recomeço seja breve. Ou seja: é importante identificar qual é o comportamento dominante desse empreendedor e transformá-lo em oportunidade. Exemplifico a situação com uma pessoa que possui no campo de defesa a paralisia, que no início se prostrou diante do cenário devastador para o seu negócio, porém, agiu rapidamente ao menor sinal de desajuste. Não demorou muito e ele saiu da cama, voltou à ação e, hoje, sua receita está apenas 30% abaixo do resultado obtido no ano passado. Imagina se ele tivesse permanecido na cama?

Situações assim são recorrentes pelos meus mentorados e quem possui a agressão diante de dificuldades, tende a tratar mal seus funcionários, se desentender com fornecedores e clientes, família, amigos. Assim, é sugerido que ele jogue essa energia na solução dos problemas e não na criação.

Porém, a fuga foi o sentimento que mais se destacou, o cenário de incerteza fez com que as pessoas aprimorassem a procrastinação. Não há problema para o dono de negócio, diante de uma pandemia jamais prevista, que esse comportamento intrínseco aflore, pelo contrário, é absolutamente aceitável, porém, é preciso identificar o tempo dessa fuga, afinal, ela pode prejudicar ainda mais o negócio e acima de tudo as suas relações pessoais.

A transformação digital evidenciando a logística como estratégia das empresas: uma mina de ouro

Por Anna Valle, filiada ao LIDE FUTURO e COO da Quattro

O início da pandemia do novo coronavírus no Brasil estimulou a aceleração da adoção de iniciativas digitais em todos os setores da economia. O supply chain acabou sendo um dos segmentos mais impactados, devido a necessidade de abastecimento para indústrias, empresas e toda população. Os diversos desafios e dificuldades em se controlar as cadeias de suprimento evidenciaram a necessidade da Transformação Digital na Logística e, mais do que isso, mostraram que esta transformação é, na realidade, mais do que uma necessidade, mas uma grande oportunidade para as empresas.

Durante muito tempo, as empresas se preocuparam em otimizar e melhorar fluxos e processos industriais com grandes e importantes avanços, com o uso de robôs, equipamentos, máquinas e diversas metodologias, filosofias e ferramentas como Lean, Six Sigma, TOC, entre outros. E a logística foi ficando “de lado”, muitas vezes sendo vista como um “mal necessário”, ou “apenas mais um centro de custos”. E aí está a grande oportunidade!

A logística na verdade é uma área estratégica, um grande diferencial competitivo: é a interface com os clientes, internos e externos, representa grande parte da experiência de compra e de atendimento e, somado a isso, ainda é uma área com grandes desperdícios. O Brasil registra uma das maiores despesas de logística do mundo e grande parte destes custos são custos de ineficiências dos processos.

Recentemente uma amiga me ligou impressionada, contando que havia feito uma troca de pontos de cartão de crédito por 12 pratos em uma grande loja de departamento. Como era uma transação do cartão, pela regra, ela precisou fazer um pedido por vez. O espanto dela foi que, numa bela tarde de quarentena, tocaram a campainha da casa dela, era um entregador com 1 prato devidamente embalado e etiquetado. E assim, foram 12 entregas diferentes, do mesmo local, para o mesmo endereço, na mesma tarde, um por vez. Seria cômico se não fosse trágico. Imagina o desperdício no pedido, no “picking”, no “packing”, no transporte efetivo, nos materiais. E este é apenas um exemplo do que ocorre diariamente em todos os elos, etapas e com todos os “players” dessa cadeia logística.

Mas como a transformação digital pode ajudar nisto?!

A cadeia de suprimentos é composta por 3 grandes fluxos: o fluxo de materiais, o fluxo financeiro e o fluxo de informações. Porém, esses três fluxos são muito desconectados e desintegrados. Por se tratar de diferentes intervenientes, diversas etapas, muitos processos e sistemas, as informações ficam fragmentadas e se perdem nas interfaces entre as operações. É como um grande quebra-cabeça com peças soltas e cheio de complexidade.

A transformação digital, por sua vez, vem para juntar todas essas peças que envolvem os processos, conectando os diferentes atores e sistemas e integrando todo o fluxo de informações para trazer mais planejamento, previsibilidade e visibilidade aos processos, democratizar a gestão logística e auxiliar os usuários para a tomada de melhores decisões. É como um “gêmeo” virtual que replica os processos físicos no digital, permitindo reduzir desperdícios e ineficiências que resultam em grandes reduções de custos e aumento da qualidade percebida pelos clientes internos e externos, com a entrega de uma melhor experiência a todos os elos envolvidos na cadeia.

Assim, com todos esses benefícios, e o mindset de que a logística deva ser parte da estratégia das empresas, entendemos que essa Transformação Digital na Logística deve ganhar cada vez mais espaço e evidência, se mostrando muito valiosa e importante para as diversas operações que envolvem a Logística, uma mina de ouro.

Cultivo: a próxima fronteira da Cannabis medicinal no Brasil

Por Tarso Araujo, diretor de novos negócios da Entourage Phytolab e filiado do LIDE FUTURO

O Congresso brasileiro deu partida numa discussão que vai definir as chances do Brasil prosperar no bilionário mercado global de Cannabis. No final de agosto, começou a circular o texto do projeto de lei (PL) 399 sobre cultivo, produção e comercialização de produtos à base da planta.

O principal objetivo da lei proposta é incentivar o desenvolvimento de uma indústria local e garantir o ingresso do país na produção dessa commodity agrícola que tem tudo para ser uma das mais relevantes do século 20. O mercado de Cannabis deverá movimentar cerca de US$ 104 bilhões até 2024, sendo que 60% desse valor no setor de uso medicinal.

A demanda mais imediata é baratear justamente os medicamentos –por meio da produção nacional de insumos– e democratizar o acesso oferecendo esses produtos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O que mostra a sensibilidade e consciência sobre a importância do tema por parte dos congressistas envolvidos na Comissão Especial da Câmara, que debateu e preparou esse texto –palmas para eles.

Mas o projeto também prevê a abertura de diversos outros mercados que ainda não são permitidos no país. Entre eles, o uso veterinário, a dispensação em farmácias de manipulação, a produção de cosméticos e alimentos e o cultivo para fins industriais, com vistas à produção de têxteis e celulose, especialmente. E tudo isso representa um importante potencial econômico adicional.

O cultivo nacional por si só já contribui para o objetivo de reduzir o custo dos medicamentos, pois a carga tributária associada à importação é alta, da ordem de 50% do custo dos insumos. Além disso, o Brasil tem grandes áreas para cultivo com clima adequado para Cannabis, um dos maiores mercados agrícolas do mundo, excelente capacidade de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia e mão de obra relativamente barata.

Então podemos apostar que o país tem potencial para abaixar o preço da commodity, inclusive globalmente, se nos posicionarmos como exportadores para competir com países pioneiros no cultivo para fins medicinais, como Uruguai, Canadá e Colômbia.

Além de beneficiar pacientes e o sistema público de saúde, a entrada do Brasil com os dois pés no mercado de Cannabis tem grande potencial para gerar empregos e reaquecer nossa economia, tão carente de novas oportunidades de geração de riqueza em tempos de pandemia. Mas todos sabemos que o timing dessa entrada é crítico.

Se o PL for aprovado com agilidade, temos grandes chances de ocupar um lugar de destaque no mercado global. Se ele não for aprovado no curto prazo, ou se nem for aprovado, continuaremos dependentes de importações. As pesquisas continuarão caras e complicadas pela falta de matéria-prima. A curva de redução de preços do mercado medicinal será mais lenta. Os outros mercados –de uso veterinário, cosmético, alimentos, uso industrial– provavelmente nem sairão do papel.

E mais uma vez nosso Congresso perderá uma oportunidade de melhorar a saúde e as contas do país. Portanto, o empresariado brasileiro precisa estar atento a esse debate e apoiar a aprovação do PL 399. É nosso passaporte para o futuro nesse bilionário e novo segmento da economia global.

Tudo o que não te contaram sobre o 5G: um olhar crítico à inovação

Por Ravi Gama, filiado do LIDE FUTURO e fundador da 2Find

Em uma sociedade movida por tecnologias, o acesso à rede 5G vem sendo cada vez mais comentado. As redes utilizadas pela maior parte do mundo atualmente são o 3G e o 4G. Com o objetivo de expandir as potencialidades, o 5G é a quinta geração das redes móveis e, há um tempo, vem sendo desenvolvida para elevar a banda larga móvel a um alto padrão de velocidade. Considerando o aumento constante de conexão entre dispositivos sem fios, o 5G passa a ser uma importante novidade para a nossa sociedade atual.

A nova rede está em ascensão e já foi, inclusive, adotada por alguns países. De acordo com a associação mundial das operadoras de redes móveis, a GSMA Association, países como Estados Unidos, Austrália, China, Finlândia, Reino Unido, Coreia do Sul e Áustria já contam com a tecnologia. E as expectativas para os próximos anos são altas. A estimativa é que, até 2025, haja 1,2 bilhão de conexões 5G no mundo inteiro.

Seria o Brasil um desses países a aderir à rede nos próximos anos? Bom, o que sabemos é que, atualmente, o governo brasileiro se encontra em um complexo dilema, motivado por uma divergência entre duas grandes potências mundiais. Por um lado, temos a China, com a empresa Huawei, responsável pela implantação do 5G. Por outro, temos os Estados Unidos, que, recentemente, baniram a empresa chinesa de negociar com as companhias do país. O governo norte-americano alega que a tecnologia da empresa representa uma ameaça à segurança nacional das nações que virem adotá-la. E, por fim, a AT&T é quem se tornou responsável pelo lançamento do 5G nos EUA.

O problema é que, agora, o governo norte-americano tem pressionado outros países a proibirem a atuação da Huawei. Em julho, os EUA chegaram a impor sanções contra funcionários da empresa chinesa. Vários países, como o Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Índia e Japão, já cederam à pressão e barraram os contratos com a Huawei. No entanto, diante dessa guerra comercial e política, o Brasil segue sem uma decisão final.

Para pressionar o governo brasileiro, recentemente, as lideranças americanas anunciaram que, caso o Brasil negocie com o “5G chinês”, as empresas americanas poderão deixar o país. Um dos assuntos mais comentados dentro da política brasileira, inclusive, é que essa disputa essa sendo mais geopolítica do que técnica em sua essência. Essa definitivamente tem sido a realidade do 5G. A briga entre as duas maiores potências mundiais têm afetado não só a relação entre elas, como a relação delas com todos os demais países.

Diante de tudo isso, o Brasil segue sem um posicionamento sobre o assunto. Aparentemente, o Presidente da República ainda não decidiu se irá negociar com a Huawei ou a AT&T, fato que qualquer decisão coloca em risco os acordos com uma das maiores economias mundiais. Desagradar a China ou os Estados Unidos? Qualquer decisão acarretará inúmeras consequências para o governo brasileiro no âmbito político e econômico. É por isso que a verdadeira ‘Guerra Fria’ que se formou, impõe barreiras para a chegada do 5G ao Brasil assim como em outros países do mundo. 

Como se já não bastasse o impasse comercial, temos outro relevante entrave para a disseminação do 5G no mundo. Uma das principais características da nova rede é a possibilidade de promover uma “economia digital avançada e intensiva em dados”, além de ser uma peça-chave essencial para a implantação das “Cidades Inteligentes” e a “Internet das coisas”. Isso porque a rede não vai permitir somente a conexão entre usuários, mas também entre todos os objetos (automóveis, maquinários, lavadoras, câmeras de vigilância, etc), possibilitando assim um intenso desenvolvimento de serviços, como, por exemplo, um sistema de segurança que evite acidentes ou até mesmo a realização de cirurgias remotas utilizando-se robôs.

A partir daí, surge então a questão ética que envolve o 5G. Uma vez que temos um veículo autônomo, como ele reagiria a algumas situações que só o ser humano consegue resolver? É indiscutível que ainda não existe uma tecnologia que substitua o cérebro humano. Nenhum objeto é capaz de pensar racionalmente, de reagir a reflexos, entre outras ações que só nós conseguimos fazer. Então, como se daria a aplicação do 5G na prática?

Como exemplo, supomos que um carro autônomo estivesse transitando por uma pista quando, de repente, uma criança desatenta começa a atravessar a rua. Qual seria a reação do veículo? Desviar e correr o risco de bater em outro carro que vem na pista contrária? Atropelar o pequeno pedestre? São muitas perguntas sem respostas para um problema que permanece sem solução.

Uma “Cidade Inteligente”, mais do que tudo, precisa ser organizada com ética. Caso o contrário, de nada vale. E, nesse cenário do 5G, não sabemos como os conceitos éticos poderão ser inseridos. Não há uma diretriz que dita como os objetos devem ou não agir diante de diferentes situações. E nem existem ideias de como poderíamos resolver esse problema. O que sabemos é que a discussão sobre a ética da nova tecnologia é extensa e merece atenção, pois deve ser levada em consideração antes da implantação do 5G. 

Outro empecilho para a instalação da nova rede no Brasil é a falta de infraestrutura do país. Atualmente, não temos infraestrutura suficiente para receber uma rede que se baseia em uma imensa velocidade de dados. Antes de mais nada, as prestadoras precisam ir atrás de recursos para conseguirem ofertar o melhor serviço possível aos consumidores. Dessa forma, os provedores serão obrigados a investir em equipamentos mais eficientes e inovadores, que consigam suportar as velocidades necessárias. É justamente por isso que a Anatel terá um papel fundamental nos próximos meses de acelerar as condições do desenvolvimento dessa infraestrutura no Brasil.

E, sabendo disso, uma coisa é certa. As empresas de telecomunicação que não conseguirem se preparar para atender as demandas que o 5G exigirá tendem a desaparecer do mercado. O investimento para a implantação da tecnologia é muito alto e nem todos terão suporte e recursos para suprir essas necessidades. Por isso, torna-se muito importante a participação ativa de todas as empresas do setor nessa fase de discussão e de adaptação. É fundamental que todos os provedores estejam alinhados para encontrarem a melhor forma de receber essa mais nova tecnologia no Brasil.

Além desses desafios para a chegada do 5G, existem ainda outros riscos que precisam ser avaliados: as graves consequências que podem refletir diretamente na saúde do nosso planeta. O ponto inicial dessa discussão é de que as tecnologias do 5G formarão um campo eletromagnético de grande potência, que, por sua vez, afetará a vida de todos os seres vivos. Essa radiação poderá atingir, por exemplo, desde as fracas ondas eletromagnéticas dos voos dos insetos até a saúde dos seres humanos.

Cerca de mais de 10 mil pesquisas apontam que algumas doenças cardíacas e outras enfermidades, como o câncer, estão fortemente associadas à contaminação eletromagnética. Por isso, a extensa exposição de organismos vivos à níveis de radiação de radiofrequências, bem maiores que às atuais do 4G, poderá provocar graves consequências. Sabendo disso, cientistas afirmam que a vida de todos os seres vivos, incluindo a nossa, corre perigo. Mas, aparentemente, esses riscos têm sido ignorados pelas grandes potências econômicas. O que acontece é que, até então, os interesses privados, geradores da tecnologia 5G, vêm prevalecendo sobre os interesses coletivos.

Se, por um lado, a rede 5G carrega consigo inúmeros riscos e entraves, por outro, a tecnologia também promete oferecer interessantes benefícios e vantagens. Basicamente, a nova tecnologia garante uma cobertura mais eficiente e mais ampla, além de maiores transferências de dados e um aumento significativo de conexões simultâneas.

Já é possível, inclusive, fazermos algumas comparações: as redes da 4ª geração conseguem entregar uma velocidade de conexão de, em média, 33 Mbps. A expectativa é de que o 5G entregue velocidades 50 a 100 vezes maiores, chegando até 10Gbps. Ademais, o atual sistema comporta até 2.000 equipamentos ativos por quilômetro quadrado enquanto a rede 5G comporta 50 vezes mais, o que resulta em até 100.000. A rede 5G vai permitir um maior consumo de serviços (transferência de arquivos, comunicação em tempo real, streaming, jogos on-line, etc) e com mais agilidade. Também vai diminuir a resposta da conexão (latência) e terá maior capacidade de banda.  

Não há dúvidas de que o 5G realmente é uma tecnologia de ponta, que trará muitas facilidades para o nosso dia a dia. Entretanto, não podemos ignorar os diversos dilemas que permeiam esse assunto. Afinal, todos os riscos se tornam relevantes a partir do momento em que eles impactam a economia de um país, além da vida de todo cidadão. O futuro certamente é nebuloso. Mas precisamos acompanhar quais serão os próximos passos do governo brasileiro mediante a tantos entraves. E, principalmente, ficarmos atentos às medidas que serão tomadas para receber, talvez em breve, essa tecnologia revolucionária no nosso país.

Lives: O peso da influência

Por Lais Macedo, sócia do LIDE FUTURO e da B4Marry

É inquestionável, entre tantos experimentos e experiências da quarentena, algo foi rapidamente escalável e, apesar das controvérsias, a aceitação foi e é grande. Sim, estou falando das lives, as queridas ou temidas lives.

Há quem considere um movimento em efeito manada, e talvez faça sentido, mas o ponto principal de reflexão é a consequência desse fato. As mídias sociais são democráticas e bastante acessíveis, intuitivas e de fácil utilização, e não há nada que impeça qualquer usuário de, em questão de segundos, começar uma transmissão ao vivo, sem saber quem ou porque terá audiência.

As motivações para fazer lives são inúmeras. Há aqueles que compreendem a live como uma ferramenta valiosa de geração de conteúdo, utilizam com responsabilidade, há planejamento e pauta bem definidas, convidados estrategicamente selecionados e um poder valioso de alcance e influência. No entanto, essa não é a motivação para tantos outros usuários, que podem buscar o simples desejo de audiência, fazer porque “todo mundo faz” ou até as mais ilusórias ideias de aumentar o número de seguidores.

Todos eles, independente da razão da transmissão ao vivo, chegam a um lugar comum: a capacidade de impacto e influência que essas lives possuem. De um lado, uma audiência pouco preparada para uma curadoria de conteúdo, do outro, pessoas assumindo espaços e temas que não possuem know-how suficiente para compartilhar, ensinar e impactar outras pessoas. Assim começamos nosso espiral, porque, por mais frágil que seja uma informação, ou mesmo inverídica, do outro lado há alguém que por um simples crivo, pode ser até uma questão de simpatia pelo speaker, absorve.

O movimento das lives é legítimo e necessário, principalmente considerando a perspectiva do compartilhamento de conteúdo que não poderia ser acessado (ou não com tanta facilidade) por tantas pessoas. Contudo, é preciso que uma etapa anteceda a decisão do clique rápido no botão “ao vivo”: a autorresponsabilidade.

A cultura das lives deve incentivar – ou demandar – que os apresentadores, com humildade e sabedoria, revisitem seus repertórios, encontrem seus espaços de conteúdo, baseados na sua história de vida, temas de especialidade ou opiniões embasadas em um assunto que dominam. E, ainda antes desse clique, é preciso criar um roteiro, validar do início ao fim, não com falas prontas, mas mapear o curso do diálogo e o poder de impacto e influência que pode causar no outro.

E, se falta motivação para encarar essa jornada de reflexão e preparo que a live demanda, deixo aqui uma última reflexão: embora a transmissão ao vivo termine, o conteúdo se perpetua, sendo registrado nas redes e disseminado de um modo incontrolável e, acredite, você será cobrado pelo peso da sua influência. Em tempos da cultura do cancelamento, uma internet com poder de fala e o fácil acesso para rastrear e descredibilizar dados e fatos, quer mesmo deixar que o toque ansioso no botão “ao vivo” desconstrua a história que te faz clicar lá para contá-la?

Inteligência artificial a serviço da justiça

Por Adriana Filizzola D’Urso, advogada criminalista do escritório D’Urso e Borges Advogados Associados e filiada do LIDE FUTURO

Surgida entre 1950 e 1960, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial consiste em gerar mecanismos que reproduzam, através do computador, a capacidade da mente humana que permite pensar, evoluir, produzir e armazenar raciocínios, além de resolver problemas, com alto grau de eficiência, produtividade e rapidez.

Atualmente, a inteligência artificial é uma realidade revolucionária, fazendo parte do nosso cotidiano, se aprimorando cada vez mais e impactando a vida de todos. No mundo jurídico, não foi diferente. Tanto na advocacia, quanto nos órgãos do sistema de Justiça (que compreende o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e outros órgãos essenciais ao funcionamento da Justiça), a utilização da inteligência artificial é inexorável.

É no Supremo Tribunal Federal (STF) que encontramos o maior e mais complexo sistema de inteligência artificial do Poder Judiciário, apelidado de VICTOR, em homenagem a Victor Nunes Leal, que foi ministro do STF de 1960 a 1969. Foi ele também o principal responsável pela sistematização da jurisprudência do STF em súmulas, o que facilitou a aplicação dos precedentes judiciais aos casos julgados.

Desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), a principal função de VICTOR é auxiliar os analistas do STF, interpretando recursos e separando-os por temas de repercussão geral. Segundo o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o programa VICTOR traz maior eficiência na análise dos processos, com economia de tempo e de recursos humanos. As tarefas que servidores do Tribunal levam, em média, 44 minutos para realizar, o VICTOR executa em menos de 5 minutos. Isto faz com que os funcionários do Tribunal não precisem mais se preocupar com tarefas mais burocráticas (mecânicas e repetitivas) e possam se dedicar às atividades mais complexas, que envolvam conhecimento jurídico.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem seu sistema, denominado SÓCRATES, que utiliza técnicas de inteligência artificial para auxiliar os relatores sobre precedentes e legislação, chegando até a sugerir decisões. Iniciativas assim surgem em Tribunais de todo o país. Nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará e Mato Grosso do Sul, a Justiça conta com a ajuda de um robô, denominado LÉIA, dentre outras tecnologias que estão sendo adotadas pelos Poderes Judiciários Estaduais e Federal.

Na advocacia, a inteligência artificial tem se mostrado imprescindível, sendo utilizada para auxiliar pesquisas, analisar documentos, classificar dados, automatizar processos, preencher e alimentar banco de dados, revisar artigos doutrinários, jurisprudência e precedentes, além de minimizar os equívocos na produção de relatórios e documentos. É inegável que o auxílio da tecnologia pode contribuir no aperfeiçoamento da atuação dos advogados, que operam na defesa de seus clientes, desenvolvendo teses inovadoras, de acordo com as especificidades de cada caso concreto.

É fato que a inteligência artificial ganha, cada vez mais, um protagonismo no mundo jurídico, principalmente auxiliando no aumento da produtividade dos profissionais da Justiça, e isto é irreversível.

Neste contexto de avanço e modernidade, todavia, não se pode esquecer que a inteligência artificial não é a inteligência humana, fruto da cognição, mas tão somente um avançado robô que trabalha com os dados que dispõe, “pensando” de acordo e para o fim a que foi programado.

Diante desta realidade, adverte-se que um robô jamais poderá substituir o ser humano, principalmente em tarefas que exijam sensibilidade e vivência humana, como as desenvolvidas pela magistratura e pela advocacia. A inteligência artificial, por mais avançada que seja, é desprovida da compreensão do que é “ser humano”, componente essencial para a obtenção do ideal de Justiça tão almejado.