Lives: O peso da influência

Por Lais Macedo, sócia do LIDE FUTURO e da B4Marry

É inquestionável, entre tantos experimentos e experiências da quarentena, algo foi rapidamente escalável e, apesar das controvérsias, a aceitação foi e é grande. Sim, estou falando das lives, as queridas ou temidas lives.

Há quem considere um movimento em efeito manada, e talvez faça sentido, mas o ponto principal de reflexão é a consequência desse fato. As mídias sociais são democráticas e bastante acessíveis, intuitivas e de fácil utilização, e não há nada que impeça qualquer usuário de, em questão de segundos, começar uma transmissão ao vivo, sem saber quem ou porque terá audiência.

As motivações para fazer lives são inúmeras. Há aqueles que compreendem a live como uma ferramenta valiosa de geração de conteúdo, utilizam com responsabilidade, há planejamento e pauta bem definidas, convidados estrategicamente selecionados e um poder valioso de alcance e influência. No entanto, essa não é a motivação para tantos outros usuários, que podem buscar o simples desejo de audiência, fazer porque “todo mundo faz” ou até as mais ilusórias ideias de aumentar o número de seguidores.

Todos eles, independente da razão da transmissão ao vivo, chegam a um lugar comum: a capacidade de impacto e influência que essas lives possuem. De um lado, uma audiência pouco preparada para uma curadoria de conteúdo, do outro, pessoas assumindo espaços e temas que não possuem know-how suficiente para compartilhar, ensinar e impactar outras pessoas. Assim começamos nosso espiral, porque, por mais frágil que seja uma informação, ou mesmo inverídica, do outro lado há alguém que por um simples crivo, pode ser até uma questão de simpatia pelo speaker, absorve.

O movimento das lives é legítimo e necessário, principalmente considerando a perspectiva do compartilhamento de conteúdo que não poderia ser acessado (ou não com tanta facilidade) por tantas pessoas. Contudo, é preciso que uma etapa anteceda a decisão do clique rápido no botão “ao vivo”: a autorresponsabilidade.

A cultura das lives deve incentivar – ou demandar – que os apresentadores, com humildade e sabedoria, revisitem seus repertórios, encontrem seus espaços de conteúdo, baseados na sua história de vida, temas de especialidade ou opiniões embasadas em um assunto que dominam. E, ainda antes desse clique, é preciso criar um roteiro, validar do início ao fim, não com falas prontas, mas mapear o curso do diálogo e o poder de impacto e influência que pode causar no outro.

E, se falta motivação para encarar essa jornada de reflexão e preparo que a live demanda, deixo aqui uma última reflexão: embora a transmissão ao vivo termine, o conteúdo se perpetua, sendo registrado nas redes e disseminado de um modo incontrolável e, acredite, você será cobrado pelo peso da sua influência. Em tempos da cultura do cancelamento, uma internet com poder de fala e o fácil acesso para rastrear e descredibilizar dados e fatos, quer mesmo deixar que o toque ansioso no botão “ao vivo” desconstrua a história que te faz clicar lá para contá-la?

SETEMBRO VERDE ESPERANÇA: ENTIDADES SE UNEM PARA COSCIENTIZAÇÃO SOBRE ASFIXIA PERINATAL

Campanha “Setembro Verde Esperança”, idealizada pelo Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros em parceria com a AACD, Instituto Jô Clemente e múltiplas entidades em nosso País

Em setembro, o Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros lançará a campanha “Setembro Verde Esperança”, que tem por objetivo conscientizar a população em geral sobre riscos da asfixia perinatal e dos tratamentos para esta condição, que atinge mais de 1,15 milhão de bebês no mundo por ano.

No Brasil, em um período de 12 meses, estima-se que de 15 a 20 mil bebês nascem com falta de oxigenação no cérebro. A asfixia perinatal ocupa a terceira causa de morte neonatal – 23% da mortalidade de recém-nascidos no mundo inteiro -, além de ser a principal causa de lesão cerebral permanente em bebês nascidos a termo.

Estes números alarmantes chamaram a atenção de entidades e associações brasileiras como a AACD, Instituto Jô Clemente (antiga APAE de São Paulo), Academia Brasileira de Pediatria, além de mais de 20 hospitais brasileiros, que já declararam apoio à campanha “Setembro Verde Esperança”. Nós, do LIDE FUTURO, apoiamos também essa causa, a favor da disseminação deste conhecimento, para fomento de discussões em toda sociedade.

Sobre a Campanha

A asfixia perinatal representa uma dura realidade onde, após realizado o diagnóstico, estima-se que menos de 5% dos recém-nascidos asfixiados em nosso país têm acesso ao tratamento e suporte mais adequado. Com isso, grande parte pode ter o seu futuro comprometido por diversas sequelas neurológicas como paralisia cerebral, deficiência cognitiva, cegueira ou surdez.

Essa campanha escolheu o Verde Esperança para conscientizar a população de que com tratamento adequado podemos minimizar o profundo impacto socioeconômico desta doença em nosso país.

Os principais objetivos dessa campanha incluem: unir instituições apoiadoras com o intuito de sensibilizar a sociedade de que Asfixia Perinatal é um grave problema de saúde pública; alertar os setores público e privado para a necessidade de reduzir o impacto dessa doença em nosso país; e ao reduzir as chances de sequelas em bebês, mudar histórias de vida de milhares de crianças e de suas famílias.

O tratamento adequado a esta população também permite a redução de impactos econômicos incluindo custos diretos com cuidados em saúde como necessidade de exames complementares, internações hospitalares e acompanhamento médico multidisciplinar ao longo da vida. Além disso, ainda há importante redução de custos indiretos, como perda de produtividade e gastos públicos com relação à saúde e necessidade de assistência social.

Sobre o Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros

O Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros é uma entidade sem fins lucrativos e liderada por um grupo de profissionais de saúde preocupados com o alto número de bebês que evoluem com graves lesões neurológicas após insultos no período neonatal.

O Instituto tem por objetivo disseminar informações acerca da importância de se adotar estratégias eficazes para prevenção de sequelas neurológicas em crianças.

Saiba mais em: www.setembroverdeesperanca.com.br

Jogos de tabuleiro podem ser aposta para unir amigos e família também de forma digital

LIDE FUTURO realizou encontro com Galápagos Jogos para falar sobre tendência

Para promover a integração entre empresários de diversos setores, o LIDE FUTURO, grupo que conecta jovens lideranças de todo o país, acaba de promover um evento sobre jogos de tabuleiro modernos e o cenário pré e pós pandemia em parceria com a Galápagos Jogos, empresa referência no setor que tem como propósito aproximar pessoas por meio de uma experiência de entretenimento.

Yuri Fang, presidente e CEO da empresa de board games, destacou que os jogos de tabuleiro são uma importante ferramenta para estreitar relações. Para ele, a pandemia fará com que essa cultura retorne de forma digital.

O empreendedor reforça que esses jogos podem ser jogados à distância, criando uma nova experiência e um momento de imersão que estimula a criatividade. Para ele, a cultura dos tabuleiros não foi afetada pelos jogos digitais. “A maior dificuldade é fazer as pessoas jogarem a primeira vez”, explica.

Usar jogos para unir equipes nas empresas é outra aposta de Yuri para o pós pandemia. Ele acredita que dessa forma, os colaboradores conseguirão se unir ainda mais, trocando experiências que possam gerar aprendizados.

Com o objetivo de aproximar os filiados do LIDE FUTURO entre si, equipes foram formadas para conhecerem melhor os jogos de RPG e trocarem conhecimentos para descobrirem as soluções e respostas de cada game sugerido, tudo sob a consultoria da Encounter Board Games.

“Já havíamos promovido um encontro físico com jogos de tabuleiro, para que nossos filiados tivessem um momento de networking mais descontraído. Não imaginávamos que a experiência online seria tão boa quanto. Por meio de um clima leve e informal, trouxemos não só uma aproximação entre os membros, mas também um pouco de diversão em tempos tão desafiadores”, relata Rafael Cosentino, Presidente do LIDE FUTURO.

Conheça o CosmUs, um novo modo de conectar empresários de diversos setores para troca de experiências e aprendizados

Nova ferramenta de networking do LIDE FUTURO promove o conceito de “fraternidade” entre os membros do grupo e usa gamificação para conectar e aproximar filiados 

O LIDE FUTURO, grupo que conecta jovens empresários de todo o País para promover a troca de experiências e conhecimento empresarial, acaba de lançar mais uma ferramenta para auxiliar em sua missão: o CosmUs. Criada a partir do conceito de fraternidade, a iniciativa nasceu a fim de trazer conexões mais humanizadas entre os filiados, que atuam nos mais diversos setores do mercado. 

A ideia consiste na criação de pequenos grupos entre os mais de 300 empresários filiados ao LIDE FUTURO em São Paulo, classificados com nomes de Constelações – daí a origem do termo CosmUs. Com um líder selecionado – normalmente alguém com perfil e maior engajamento no grupo -, a equipe consegue criar conversas qualificadas e troca de experiências multissetoriais, para o aprimoramento de seus negócios.

O CosmUs também auxilia novos filiados ao grupo a se integrarem e fazerem networking com outros empresários. Além dessa ferramenta de conexão, sempre atento ao que acontece no ecossistema de negócios, o LIDE FUTURO também disponibiliza um calendário de eventos para seus filiados, com conteúdo relevante e profissionais de distintas áreas para debaterem as novidades do mercado. Com a pandemia, esses encontros acontecem de 1 a 2 vezes por semana no ambiente online.

Em julho, o grupo, em parceria com a Simple Experiências, promoveu uma semana de dinâmicas a partir dos grupos do CosmUs, com o intuito de auxiliar na integração entre equipes e reforçar os recursos disponíveis no grupo para fortalecimento do networking.

LIDE FUTURO debate transformação digital na logística

No dia 30 de julho, o LIDE FUTURO realizou mais uma edição do LIDE FUTURO Debate, uma das 11 modalidades contempladas em seu calendário de eventos. O tema da vez foi inédito nos encontros e bastante relevante, e contou com participação de grandes inspirações da área de logística no Brasil para discuti-lo, sob mediação de nossa filiada, também inspiradora, Anna Valle, COO da Quattro.

A “Transformação Digital na Logística” veio para ficar e tem crescido de forma exponencial, principalmente por meio de um olhar macroestratégico e inovador, obrigatoriamente solicitado pelo cenário pandêmico.

Segundo Marcos Alves, Diretor de Logística e Facilities da Mercedes-Benz, a transformação digital tem muitas etapas, mas a primeira começa pela liderança. Além disso, Eduardo Nogueira, Head de Legal e Inovação da DHL no Brasil, reforçou que fazer a logística de uma nova forma, pensando não somente no nosso cliente, mas no cliente do nosso cliente é o que gera resultado.

Nestor Felpi, Diretor LATAM de Supply Chain e Integração na Natura, trouxe luz para a sintonia existente entre sustentabilidade e eficiência, e o quanto uma cadeia de Supply Chain sustentável pode trazer grande impacto financeiro, de forma positiva!

Agradecimento especial à toda equipe do Volume, hub digital e líder da Vertical de Logística e Mobilidade no Cubo Itaú, que nos ajudou na promoção deste grande encontro.

Inteligência artificial a serviço da justiça

Por Adriana Filizzola D’Urso, advogada criminalista do escritório D’Urso e Borges Advogados Associados e filiada do LIDE FUTURO

Surgida entre 1950 e 1960, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial consiste em gerar mecanismos que reproduzam, através do computador, a capacidade da mente humana que permite pensar, evoluir, produzir e armazenar raciocínios, além de resolver problemas, com alto grau de eficiência, produtividade e rapidez.

Atualmente, a inteligência artificial é uma realidade revolucionária, fazendo parte do nosso cotidiano, se aprimorando cada vez mais e impactando a vida de todos. No mundo jurídico, não foi diferente. Tanto na advocacia, quanto nos órgãos do sistema de Justiça (que compreende o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e outros órgãos essenciais ao funcionamento da Justiça), a utilização da inteligência artificial é inexorável.

É no Supremo Tribunal Federal (STF) que encontramos o maior e mais complexo sistema de inteligência artificial do Poder Judiciário, apelidado de VICTOR, em homenagem a Victor Nunes Leal, que foi ministro do STF de 1960 a 1969. Foi ele também o principal responsável pela sistematização da jurisprudência do STF em súmulas, o que facilitou a aplicação dos precedentes judiciais aos casos julgados.

Desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), a principal função de VICTOR é auxiliar os analistas do STF, interpretando recursos e separando-os por temas de repercussão geral. Segundo o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o programa VICTOR traz maior eficiência na análise dos processos, com economia de tempo e de recursos humanos. As tarefas que servidores do Tribunal levam, em média, 44 minutos para realizar, o VICTOR executa em menos de 5 minutos. Isto faz com que os funcionários do Tribunal não precisem mais se preocupar com tarefas mais burocráticas (mecânicas e repetitivas) e possam se dedicar às atividades mais complexas, que envolvam conhecimento jurídico.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem seu sistema, denominado SÓCRATES, que utiliza técnicas de inteligência artificial para auxiliar os relatores sobre precedentes e legislação, chegando até a sugerir decisões. Iniciativas assim surgem em Tribunais de todo o país. Nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará e Mato Grosso do Sul, a Justiça conta com a ajuda de um robô, denominado LÉIA, dentre outras tecnologias que estão sendo adotadas pelos Poderes Judiciários Estaduais e Federal.

Na advocacia, a inteligência artificial tem se mostrado imprescindível, sendo utilizada para auxiliar pesquisas, analisar documentos, classificar dados, automatizar processos, preencher e alimentar banco de dados, revisar artigos doutrinários, jurisprudência e precedentes, além de minimizar os equívocos na produção de relatórios e documentos. É inegável que o auxílio da tecnologia pode contribuir no aperfeiçoamento da atuação dos advogados, que operam na defesa de seus clientes, desenvolvendo teses inovadoras, de acordo com as especificidades de cada caso concreto.

É fato que a inteligência artificial ganha, cada vez mais, um protagonismo no mundo jurídico, principalmente auxiliando no aumento da produtividade dos profissionais da Justiça, e isto é irreversível.

Neste contexto de avanço e modernidade, todavia, não se pode esquecer que a inteligência artificial não é a inteligência humana, fruto da cognição, mas tão somente um avançado robô que trabalha com os dados que dispõe, “pensando” de acordo e para o fim a que foi programado.

Diante desta realidade, adverte-se que um robô jamais poderá substituir o ser humano, principalmente em tarefas que exijam sensibilidade e vivência humana, como as desenvolvidas pela magistratura e pela advocacia. A inteligência artificial, por mais avançada que seja, é desprovida da compreensão do que é “ser humano”, componente essencial para a obtenção do ideal de Justiça tão almejado.

Athié Wohnrath e Outoo apostam em ressignificação de espaços físicos

LIDE FUTURO reuniu especialistas em arquitetura para debater futuro dos espaços de trabalho

Com a pandemia, o mercado de trabalho aderiu à cultura do home office como máxima e agora as empresas terão que repensar seus espaços de trabalho. O LIDE FUTURO, grupo que conecta jovens empresários de todo o País para promover a troca de experiências e fortalecimento empresarial, reuniu fala de referências da arquitetura para analisar o futuro do setor. 

Cofundador da Athié Wohnrath, maior escritório de arquitetura do país, Sérgio Athié acredita que  os espaços comerciais não vão acabar com a pandemia. “Acredito que vão ficar cada vez mais importantes, pois mais do que nunca desempenharão o papel de elemento catalisador da cultura das empresas, da transmissão de conhecimento e da integração entre os colaboradores, fomentando o engajamento e senso de pertencimento a eles”, pontua. 

Athié acredita que as pessoas vão passar a ir aos escritórios para se encontrar, para interagir entre os times. As atividades mais individuais, que precisem de mais foco, poderão ser feitas remotamente. 

O dono da Athié Wohnrath, empresa que conta com 300 arquitetos e 450 engenheiros, prevê que reuniões digitais deverão ocorrer com mais frequência e aposta num formato de ambientes diferente, com maior flexibilidade e que permita novas dinâmicas de integração. “Será imperativo criar espaços que propiciem os encontros casuais entre diferentes times que podem gerar inovação, espaços que fomentem o compartilhamento de conhecimento e que sejam sedutores o bastante para que as pessoas sejam mais criativas e produtivas”, avalia.

A arquiteta Fernanda Mourão, filiada ao LIDE FUTURO, é fundadora da Outoo, plataforma de busca e reserva de espaços de trabalho out of office, que nasceu baseada na ideia de múltiplas possibilidades para pessoas que têm jornadas flexíveis.

Fernanda acredita que não há necessidade das pessoas terem horas perdidas no trânsito para ir e voltar do escritório, principalmente em cidades como São Paulo, que, apesar do tamanho, se concentra em apenas três grandes centros econômicos – Av. Paulista, Faria Lima e Berrini.

“Estamos na era pós-digital, onde a presença da tecnologia digital é onipresente e seu impacto é sentido em todos os aspectos da vida. Mas o isolamento nos forçou a usufruí-la de forma ainda mais ativa, precisávamos desse choque para tomar consciência do que era possível fazer com as tecnologias atuais”, aponta a arquiteta, que também acredita que as sedes das empresas passarão a ser um ponto de encontro para atividades pontuais, colaboração e vivência da cultura.

Sociedade 5.0 já é quase uma realidade no Brasil

Por Ravi Gama, CEO da 2FIND e filiado do LIDE FUTURO

Para acompanhar toda essa evolução tecnológica que estamos vivendo, a população, as cidades e as empresas estão sempre se adaptando às mudanças e aos novos tempos. Se por um lado, temos a tecnologia se integrando às nossas rotinas, por outro, a sociedade permanece presa em grandes desafios. Foi justamente pensando nisso que o Japão aderiu à proposta da Sociedade 5.0, um modelo de organização social que busca integrar a sociedade à tecnologia.

Os principais objetivos da Sociedade 5.0 são solucionar problemas sociais, atender as necessidades do ser humano e melhorar a qualidade de vida da população. Para isso, são aplicadas diversas soluções tecnológicas a fim de garantir um bem-estar social geral.

Para entender melhor, vamos a um exemplo: utilizando a tecnologia, podemos substituir veículos, tanto públicos quanto privados, por veículos autônomos. Essa medida pode ser muito vantajosa, pois reduzirá o número de acidentes e não haverá mais a necessidade de motoristas, o que diminuirá o estresse no trânsito.

Portanto, a ideia é realmente buscar soluções com foco nas necessidades humanas e trazer mudanças importantes e positivas para vários setores da sociedade, como: infraestrutura, saúde, educação, logística, economia, etc. Para colocar essa ideia em prática, serão usadas tecnologias como o Big Data, internet das coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA).

Por enquanto, o que se sabe é que o Japão é o primeiro país do mundo a desenvolver essa iniciativa. No entanto, se avaliarmos melhor, é possível perceber que os demais países também já estão caminhando para esse futuro. Inclusive, o Brasil. Isso porque a chegada da pandemia no nosso país trouxe grandes transformações sociais. A principal delas foi o confinamento forçado e, consequentemente, a adesão ao trabalho remoto por grande parte das empresas.

De acordo com Sandro Valeri, professor da Fundação Dom Cabral e diretor de Estratégia da Inovação e Corporate Venture da Embraer, o isolamento social acelerou o avanço da tecnologia e já é possível sentir os primeiros impactos dessa adaptação. “Estamos passando por uma grande mudança no mercado empresarial, porque o futuro do trabalho se antecipou graças ao home office e à necessidade das ferramentas digitais. Essa antecipação traz à tona as profissões que exigem tecnologia e todos os empregos digitais, porque, a partir de agora, eles tendem a ficar muito mais valorizados”.

E quem ainda não está preparado para a Sociedade 5.0 precisa começar a se movimentar. “As pessoas precisam se capacitar rapidamente para este novo mundo que está se formando. A utilização das ferramentas digitais está se acelerando cada vez mais e se tornará essencial no meio empresarial”, crava Sandro Valeri.

Nesse processo de preparação para o novo modelo de sociedade, a psicoterapeuta cognitiva comportamental Isabelle Cunha, também aponta questões importantes. “Quem se conhecer melhor terá maior probabilidade de voltar bem mais completo ao trabalho no momento pós-pandemia. O campo de trabalho vai exigir profissionais com domínio sobre as próprias emoções. Vai exigir profissionais visionários, que estejam abertos e preparados para quaisquer novidades”.

Com todas essas mudanças que já estão acontecendo, percebemos que a Sociedade 5.0 definitivamente não é uma realidade tão distante do Brasil. Vemos uma sociedade super inteligente se formando, onde as informações estão muito mais acessíveis e o aprendizado bem mais rápido.

Vemos também várias empresas se desdobrando para se adaptarem ao mundo digital para continuarem produzindo. Foi necessário intensificar a presença no meio on-line e inovar. Não à toa, as empresas que estão conseguindo se reinventar estão saindo na frente de seus concorrentes em meio à pandemia.

Reuniões por vídeo chamadas, conversas por chats, serviços de delivery, vendas por e-commerce, transmissões ao vivo e disponibilização de vouchers nunca estiveram tão em alta. Todos os setores estão buscando soluções nas tecnologias para conseguirem se destacar no mercado e fugir de uma possível grave crise econômica.

Segundo Sandro Valeri, essa é justamente uma das principais características de uma Sociedade 5.0 que está se formando. “A partir do momento em passamos a ter maior acesso à tecnologia e as pessoas aprendem a trabalhar com os meios digitais, elas vão demandar que as tecnologias sejam utilizadas para a melhoria das suas próprias vidas”.

Isso significa que a nossa sociedade já está buscando investimento em inovações, mais desenvolvimento e segurança. Se o Japão já tomou a iniciativa e pretende tornar a Sociedade 5.0 uma realidade no país, resta aos demais caminharem no mesmo sentido para fazerem parte desse novo modelo de organização social, que traz benefícios não só para o Estado, mas principalmente para toda a população.

3 inovações que podem mudar radicalmente a indústria da moda

Vinicius Andrade, Fundador e CEO na basicamente. e filiado do LIDE FUTURO

Durante os últimos sete anos estou envolvido com a indústria têxtil, sempre olhando como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento dos negócios para a indústria, os varejistas e para as marcas (ou quem deseja iniciar uma).

De modo geral, no enfrentamento dessa crise atual, acho que todas as indústrias seriam sensatas ao refletir sobre como chegaram até aqui e o que precisa ser feito para realmente mudar e evoluir. Todas as iniciativas e esforços que vejo são para manter o modelo atual, ignorando a oportunidade de inovar de verdade. Empréstimos, por exemplo, fornecem alívio temporário, mas adiam a inevitável reinvenção que levará a tornarem-se indústrias mais saudáveis e mais resilientes (reinvenção que em muitos casos é feita por um novo player no mercado).

A moda é uma indústria global de US$ 3 trilhões e serve como modelo para definir uma nova estrutura industrial em um mundo que mudou para sempre. Aqui um pouco do porque acredito que o modelo de negócios da indústria da moda já está inadequado, para não dizer quebrado.

  • Demora de 6 a 12 meses para colocar um produto no mercado (embora haja algumas exceções);
  • É baseado em tecnologia muito antiga, desenvolvida principalmente nos anos 90 ou anteriores;
  • Sufoca em vez de possibilitar a inovação;
  • E seu impacto adverso neste planeta é impressionante.

Em resumo, essa é uma indústria que precisa de investimento em mudanças abrangentes e impactantes.

Não vejo mudanças significativas na indústria da moda desde que nasci, mais de 30 anos atrás, salvo duas grandes exceções: a chegada e fortalecimento do e-commerce e a logística “last mile”. Ela sobreviveu a dois grandes choques (11 de setembro e a crise financeira de 2008), mas teve muito tempo para se recuperar.

Enquanto isso, o mundo em que vivemos, a tecnologia que desenvolvemos e a interconexão de economias e sociedades não se parecem em nada com 30 anos atrás. Essa crise é uma evidência clara de que todos somos afetados (e infectados) pelas crises políticas, econômicas, sociais e de saúde e nos tornaremos cada vez mais no futuro. Mudanças sistêmicas reais não acontecerão se os investidores e as empresas continuarem focando apenas em inovação incremental. Precisamos reinventar os milhares de processos.

Acabar com o estoque

Se você realmente deseja mudar a indústria da moda, faça tudo sob demanda. Ele nada mais é que a uma fonte de fluxo de caixa futuro, mas agora praticamente não vale nada.

Agora imagine toda a indústria sob demanda:

  • Os fabricantes não teriam estoque inútil e de coleções antigas. Eles poderiam pausar suas fábricas em um instante, reiniciar em alguns dias e mudar sua fabricação para um mix de produtos mais atual rapidamente.
  • Os varejistas não tomariam mais decisões de compra seis meses antes de precisarem de estoque. Toda a mercadoria da loja seria reabastecida várias vezes por semana diretamente das fábricas, minimizando a exposição ruim ao estoque.
  • As marcas tornariam quase todos os elementos de seus negócios variáveis. Eles aumentariam ou diminuiriam a oferta de seus produtos dinamicamente, com base na demanda do mercado. Não haveria armazéns (os produtos são enviados para o cliente direto da fábrica), não haveria nenhuma liquidação por excesso de estoque, nem mesmo produtos esgotados ou dinheiro perdido em produtos não vendidos.
  • A moda seria muito mais sustentável. Estimativas conservadoras afirmam que 30% de todos os produtos fabricados a cada ano nunca são vendidos e acabam em aterros sanitários ou são incinerados. A sustentabilidade real e impactante começa com a produção da quantidade certa de um produto.

As empresas pareceriam diferentes — menos despesas gerais, mais automação. E o setor seria saudável, criando mais oportunidades para trabalhadores e investidores.

Uma cadeia transparente e distribuída

Produção sob demanda significa que um produto existe apenas quando é desejado. Produção distribuída significa que ela existe apenas onde é desejada, com isso ela permite o crescimento da cadeia de suprimentos diversificando o risco geográfico, fornecendo acesso em tempo real aos clientes em uma ampla gama de mercados, reduzindo o impacto no transporte, evitando tarifas e criando empregos locais na manufatura. Também possibilitaria medir o impacto ambiental de uma única peça de roupa e responsabilizar as empresas por reivindicações de sustentabilidade.

Uma rede de milhares de fábricas produzindo de forma distribuída seria inimaginável até cinco anos atrás. Mas agora, por exemplo, contratos de blockchain podem gerenciar de forma avançada a fabricação e a entrega de pedidos únicos, em qualquer lugar.

Um retorno a uma indústria impulsionada pela criação

Hoje, devido aos mínimos de fabricação e material e ao tempo do fluxo de caixa, estar errado é muito caro para uma marca. Mas em um mundo em que o produto é produzido sob demanda em tempo real, nada depende do volume. Um criador pode projetar, vender e fabricar uma peça de roupa com a mesma eficiência que 1.000, sem riscos. A indústria poderia recuperar algo essencial que se perdeu — sua alma.

A moda é uma indústria da arte, não da ciência. Muito se fala de investimentos para obter designs através de inteligência artifical ou análises baseadas em aprendizado de máquina para previsão de tendências mas pouco tenho visto em uma área que pode fazer a diferença: infraestrutura da cadeia de valor. Proponho que usemos a ciência para fortalecer a arte. Isto não é um sonho; é uma realidade hoje. E um belo exemplo é o que a Ruhnn está fazendo na China e muito do que sonhamos grande na Basicamente, com soluções para parte dessa cadeia, principalmente marcas e varejistas.

Há um velho ditado que diz: “Se você se encontrar dentro de um buraco, pare de cavar”. É hora de parar de cavar. A mudança é dolorosa, mas com coragem da indústria e capital dos investidores, podemos usar esse momento para construir uma indústria da moda mais estável e responsável. Podemos oferecer mais oportunidades para marcas, varejistas, fabricantes, designers, trabalhadores, acionistas e comunidades. Preservar uma indústria legada quebrada, irresponsável, em um momento em que podemos realmente mudar para melhor seria um desperdício de uma crise.

OS ESPAÇOS DE TRABALHO DA NOVA ERA

Por Fernanda Mourão, arquiteta e urbanista fundadora da Outoo e filiada do LIDE FUTURO

Há três anos venho pesquisando e fomentando o trabalho remoto, trabalho flexível, espaços de trabalho além do escritório e distribuídos. Quando falava sobre isso, parecia ouvir meu próprio eco, as pessoas não entendiam muito bem, falavam que isso nunca chegaria no Brasil.

Quatro meses atrás, escrevi um artigo chamado “Adeus escritório fixo”. Ali eu contei sobre o fato de a internet e tecnologias nos permitirem trabalhar de qualquer lugar, que não fazia sentido as horas perdidas no trânsito para ir e voltar do escritório, principalmente em cidades como São Paulo, que, apesar do tamanho, se concentra em apenas três grandes centros econômicos (Av. Paulista, Faria Lima e Berrini) e metade da cidade vai todos os dias, no mesmo horário, para eles. Falei também que o trabalho remoto e flexível era a “tendência do futuro do trabalho” e estava crescendo rumo aos 30% dos espaços de trabalho fora dos escritórios em 2030, como apontavam os estudos.

Aí veio o novo coronavírus e o isolamento social forçado e o futuro agora é presente. Estamos na era pós-digital, onde a presença da tecnologia digital é onipresente e seu impacto é sentido em todos os aspectos da vida. Mas o isolamento nos forçou a usufruí-la de forma ainda mais ativa, precisávamos desse choque para tomar consciência do que era possível fazer com as tecnologias atuais.

No trabalho o impacto é forte, elimina e cria profissões, exalta características comportamentais e pede valorização do bem-estar. Com isso, os espaços físicos precisam ser igualmente repensados. Os escritórios que já vinham sofrendo mudanças, agora são repensados a toque de caixa. Empresas estudam estratégias de adoção do remoto, distribuição geográfica, descentralização das operações e, consequentemente, a mobilidade dos profissionais e das cidades.

O movimento no mercado imobiliário virou quase que 360 graus, de repente, as buscas agora são por escritórios menores e apartamentos maiores. A reinvenção dos espaços de trabalho acontece em diferentes escalas, desde o espaço interno e tipos de locais, até sua relação com a cidade e mobilidade. 

São cinco os pontos principais que resumem o futuro que foi acelerado pela pandemia: 1) O trabalho remoto é um caminho sem volta, agora que todos experimentaram os benefícios, ele será essencial, em pelo menos alguns dias da semana, para todos que têm o computador como principal ferramenta de trabalho; 2) Flexibilidade é o novo objeto de desejo da maioria dos colaboradores, seguir as mesmas regras, horários e estar sempre no mesmo escritório das 9h às 18h vai ficar cada vez mais raro; 3) A diversificação dos espaços de trabalhos será cada vez maior, ja que se pode trabalhar de qualquer lugar, o #anywhereoffice , é preciso oferecer uma diversificação de espaços para atender aos diferentes tipos de atividades e localização das pessoas; 4) As sedes das empresas passarão a ser um ponto de encontro para atividades pontuais, colaboração, vivência da cultura e reforçar missão e valores, o dia-a-dia de trabalho acontecerá em muitos outros lugares; 5) Os espaços de trabalho do futuro próximo devem ser multifuncionais, um misto de coworking, centro cultural, espaços de convivência que as pessoas vão quando quiserem/precisarem, de acordo com o tipo de trabalho do dia, do clima, do trânsito, da localização que estiverem e da atividade que vão exercer naquele dia.

Para isso, existem empresas como a Outoo, plataforma de busca e reserva de espaços de trabalho out of office, (daí o nome OUT Of Office) que nasceu baseada nessa ideia de múltiplas possibilidades para pessoas que têm jornadas flexíveis, mapeamos diferentes tipos de espaços que podem servir para trabalhar por um período, um dia ou vários, dos mais “óbvios” como coworkings até padarias e supermercados que disponibilizam espaços para trabalhar, conectando todo um ecossistema disponível para o trabalho flexível e remoto. A escolha não precisa ser binária entre escritório ou home office, pode ser múltipla com infinitas possibilidades, espaços e modelos híbridos.

Ninguém tem ainda todas as respostas, estamos em plena transformação, mudança de era e paradigmas, mas uma coisa é certa, nessa nova era quem vai ser a estrela é a flexibilidade e a gama de escolhas que ela nos proporciona.