A transformação digital evidenciando a logística como estratégia das empresas: uma mina de ouro

Por Anna Valle, filiada ao LIDE FUTURO e COO da Quattro

O início da pandemia do novo coronavírus no Brasil estimulou a aceleração da adoção de iniciativas digitais em todos os setores da economia. O supply chain acabou sendo um dos segmentos mais impactados, devido a necessidade de abastecimento para indústrias, empresas e toda população. Os diversos desafios e dificuldades em se controlar as cadeias de suprimento evidenciaram a necessidade da Transformação Digital na Logística e, mais do que isso, mostraram que esta transformação é, na realidade, mais do que uma necessidade, mas uma grande oportunidade para as empresas.

Durante muito tempo, as empresas se preocuparam em otimizar e melhorar fluxos e processos industriais com grandes e importantes avanços, com o uso de robôs, equipamentos, máquinas e diversas metodologias, filosofias e ferramentas como Lean, Six Sigma, TOC, entre outros. E a logística foi ficando “de lado”, muitas vezes sendo vista como um “mal necessário”, ou “apenas mais um centro de custos”. E aí está a grande oportunidade!

A logística na verdade é uma área estratégica, um grande diferencial competitivo: é a interface com os clientes, internos e externos, representa grande parte da experiência de compra e de atendimento e, somado a isso, ainda é uma área com grandes desperdícios. O Brasil registra uma das maiores despesas de logística do mundo e grande parte destes custos são custos de ineficiências dos processos.

Recentemente uma amiga me ligou impressionada, contando que havia feito uma troca de pontos de cartão de crédito por 12 pratos em uma grande loja de departamento. Como era uma transação do cartão, pela regra, ela precisou fazer um pedido por vez. O espanto dela foi que, numa bela tarde de quarentena, tocaram a campainha da casa dela, era um entregador com 1 prato devidamente embalado e etiquetado. E assim, foram 12 entregas diferentes, do mesmo local, para o mesmo endereço, na mesma tarde, um por vez. Seria cômico se não fosse trágico. Imagina o desperdício no pedido, no “picking”, no “packing”, no transporte efetivo, nos materiais. E este é apenas um exemplo do que ocorre diariamente em todos os elos, etapas e com todos os “players” dessa cadeia logística.

Mas como a transformação digital pode ajudar nisto?!

A cadeia de suprimentos é composta por 3 grandes fluxos: o fluxo de materiais, o fluxo financeiro e o fluxo de informações. Porém, esses três fluxos são muito desconectados e desintegrados. Por se tratar de diferentes intervenientes, diversas etapas, muitos processos e sistemas, as informações ficam fragmentadas e se perdem nas interfaces entre as operações. É como um grande quebra-cabeça com peças soltas e cheio de complexidade.

A transformação digital, por sua vez, vem para juntar todas essas peças que envolvem os processos, conectando os diferentes atores e sistemas e integrando todo o fluxo de informações para trazer mais planejamento, previsibilidade e visibilidade aos processos, democratizar a gestão logística e auxiliar os usuários para a tomada de melhores decisões. É como um “gêmeo” virtual que replica os processos físicos no digital, permitindo reduzir desperdícios e ineficiências que resultam em grandes reduções de custos e aumento da qualidade percebida pelos clientes internos e externos, com a entrega de uma melhor experiência a todos os elos envolvidos na cadeia.

Assim, com todos esses benefícios, e o mindset de que a logística deva ser parte da estratégia das empresas, entendemos que essa Transformação Digital na Logística deve ganhar cada vez mais espaço e evidência, se mostrando muito valiosa e importante para as diversas operações que envolvem a Logística, uma mina de ouro.

Cultivo: a próxima fronteira da Cannabis medicinal no Brasil

Por Tarso Araujo, diretor de novos negócios da Entourage Phytolab e filiado do LIDE FUTURO

O Congresso brasileiro deu partida numa discussão que vai definir as chances do Brasil prosperar no bilionário mercado global de Cannabis. No final de agosto, começou a circular o texto do projeto de lei (PL) 399 sobre cultivo, produção e comercialização de produtos à base da planta.

O principal objetivo da lei proposta é incentivar o desenvolvimento de uma indústria local e garantir o ingresso do país na produção dessa commodity agrícola que tem tudo para ser uma das mais relevantes do século 20. O mercado de Cannabis deverá movimentar cerca de US$ 104 bilhões até 2024, sendo que 60% desse valor no setor de uso medicinal.

A demanda mais imediata é baratear justamente os medicamentos –por meio da produção nacional de insumos– e democratizar o acesso oferecendo esses produtos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O que mostra a sensibilidade e consciência sobre a importância do tema por parte dos congressistas envolvidos na Comissão Especial da Câmara, que debateu e preparou esse texto –palmas para eles.

Mas o projeto também prevê a abertura de diversos outros mercados que ainda não são permitidos no país. Entre eles, o uso veterinário, a dispensação em farmácias de manipulação, a produção de cosméticos e alimentos e o cultivo para fins industriais, com vistas à produção de têxteis e celulose, especialmente. E tudo isso representa um importante potencial econômico adicional.

O cultivo nacional por si só já contribui para o objetivo de reduzir o custo dos medicamentos, pois a carga tributária associada à importação é alta, da ordem de 50% do custo dos insumos. Além disso, o Brasil tem grandes áreas para cultivo com clima adequado para Cannabis, um dos maiores mercados agrícolas do mundo, excelente capacidade de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia e mão de obra relativamente barata.

Então podemos apostar que o país tem potencial para abaixar o preço da commodity, inclusive globalmente, se nos posicionarmos como exportadores para competir com países pioneiros no cultivo para fins medicinais, como Uruguai, Canadá e Colômbia.

Além de beneficiar pacientes e o sistema público de saúde, a entrada do Brasil com os dois pés no mercado de Cannabis tem grande potencial para gerar empregos e reaquecer nossa economia, tão carente de novas oportunidades de geração de riqueza em tempos de pandemia. Mas todos sabemos que o timing dessa entrada é crítico.

Se o PL for aprovado com agilidade, temos grandes chances de ocupar um lugar de destaque no mercado global. Se ele não for aprovado no curto prazo, ou se nem for aprovado, continuaremos dependentes de importações. As pesquisas continuarão caras e complicadas pela falta de matéria-prima. A curva de redução de preços do mercado medicinal será mais lenta. Os outros mercados –de uso veterinário, cosmético, alimentos, uso industrial– provavelmente nem sairão do papel.

E mais uma vez nosso Congresso perderá uma oportunidade de melhorar a saúde e as contas do país. Portanto, o empresariado brasileiro precisa estar atento a esse debate e apoiar a aprovação do PL 399. É nosso passaporte para o futuro nesse bilionário e novo segmento da economia global.

LIDE FUTURO Entrevista: Anna Valle, COO da Quattro

“Enxergo que a transformação digital da Logística é uma grande mina de ouro” – Anna Valle

Anna Valle, COO da Quattro, startup de tecnologia para logística e supply chain, filiada ao LIDE FUTURO, já passou por muitos desafios e perrengues em sua vida profissional. Como engenheira de produção, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, sempre foi muito inquieta.

Desde o primeiro semestre da faculdade, ela fez estágios em grandes empresas e participava ativamente de diversos programas estudantis. Um grande desafio em sua carreira acadêmica foi idealizar e fundar o GLean (Grupo de Estudos em Lean), que hoje é uma referência nacional, além de participar da reestruturação do Calipro (Centro Acadêmico da Engenharia de Produção).

E daí veio uma grande paixão, o Baja,  uma competição de veículos off-road, organizada pela SAE (Society of Automotive Engineerings), entre Instituições de Ensino Superior de Engenharia. O desafio do projeto era o desenvolvimento do carro, visando a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em sala de aula. Um projeto que ela trabalhou por quatro anos e com a alegria de ter competido no Mundial de Baja nos Estados Unidos, conquistando o 8º lugar na categoria Geral, que foi disputado com 120 equipes.

Nesta entrevista para o LIDE FUTURO, Anna conta com detalhes os aprendizados de sua vida profissional:

LIDE FUTURO – Conte mais detalhes sobre o projeto Baja e os desafios enfrentados.

ANNA – Além da busca constante por resultados e performance, no Baja aprendi a empatia, o trabalho em equipe, o respeito pelo sonho de cada um e nossa responsabilidade pelo resultado em conjunto… Passamos muitos perrengues juntos. Infinitas noites sem dormir, derrotas, atrasos, choros, discussões, desânimos, algumas várias idas a hospitais, estresse… Mas ganhei muita resiliência, experiência, muitas alegrias, os melhores amigos e meus sócios! 

LIDE FUTURO – E depois do projeto Baja, que durou quatro anos, qual foi o seu próximo desafio?

ANNA – Mesmo recém-formada, eu já tinha alguma experiência e networking. Recebi uma proposta para vir trabalhar e morar em São Paulo, ser gerente de uma empresa de logística! Sem pensar muito, aceitei! Foi um desafio gigantesco! E com muito trabalho, barreiras, obstáculos, dedicação, resiliência, flexibilidade, desafios, sonhos e realizações fui promovida a Diretora de Operações. Trabalhei nessa empresa durante seis anos, até o final de 2017. E era hora de recomeçar! E assim eu recomecei, empreendendo e vivendo um novo sonho até hoje, que é a Quattro, nossa startup de tecnologia para logística e supply chain. 

LIDE FUTURO – Qual é o principal produto hoje da Quattro?

ANNA – Temos a Flowls como nosso principal produto, uma plataforma para transformação digital da cadeia de suprimentos. Integramos e automatizamos os fluxos logísticos, proporcionando um melhor planejamento, controle, previsibilidade e visibilidade para as operações de supply chain.

LIDE FUTURO – Como COO, como é o seu dia a dia na Quattro?

ANNA – O dia a dia é uma loucura, uma loucura boa! Numa startup a gente faz um pouquinho de tudo! [Risos] É zero glamour e muito suor, todo dia é dia, toda hora é hora. Eu brinco que, fazendo uma analogia com a faculdade, é como se toda semana fosse semana de prova, todo dia é de deadline de projeto. Muito trabalho e muito aprendizado. Mas o que eu mais faço e mais amo é a interface e o relacionamento com o cliente, desde a prospecção, venda até a implementação. Entender os processos e as dores de cada um para pensar em como conseguimos ajudá-los! Nós acreditamos muito que a logística tem que ser parte da estratégia das empresas e, entendendo as particularidades e necessidades de cada cliente, conseguimos trabalhar juntos para este objetivo.

LIDE FUTURO – Como você vê o setor de logística no Brasil? Quais os principais desafios que o Brasil enfrenta?

ANNA – Vejo um setor com muitas oportunidades! O Brasil é um país continental com uma malha logística extremamente complexa. Temos uma das maiores despesas de logística do mundo. É claro que muitos desses custos são decorrentes da falta de infraestrutura, problemas nas estradas, falta de integração multimodal etc. Grande parcela destes custos são ineficiências dos processos, desperdícios! Durante muito tempo a logística foi considerada um “mal necessário”, “apenas um centro de custos”. Melhorias de processos, automações, metodologias de gestão, filosofias e ferramentas como Lean, Six Sigma, TOC etc, foram muito difundidas e implementadas nos processos produtivos, mas muitas vezes esquecidas na logística.

LIDE FUTURO – Pode contar um exemplo prático de problema logístico na realidade das empresas?

ANNA – Sim, esses dias uma amiga me ligou impressionada, contando que havia feito uma troca de pontos de cartão de crédito por 12 pratos em uma grande loja de departamento. Como era uma transação do cartão, pela regra, ela precisou fazer um pedido por vez. O espanto dela foi que, numa bela tarde de quarentena, tocaram a campainha da casa dela. Era um entregador com um único prato, devidamente embalado e etiquetado. E, assim, foram mais 12 entregas diferentes no mesmo local, para o mesmo endereço! Seria cômico se não fosse trágico! Imagina o desperdício no pedido, no “picking”, no “packing”, no transporte efetivo, nos materiais… E este é apenas um exemplo do que ocorre diariamente em todos os elos, etapas e com todos os “players” dessa cadeia logística. 

LIDE FUTURO – Existe ineficiência de logística no comércio exterior?

ANNA – Sim, segundo um estudo recente da Receita Federal, as ações sob responsabilidade dos agentes privados: o importador ou seu preposto [despachante aduaneiro], o transportador internacional e o depositário representam mais da metade do tempo total despendido em todos os fluxos analisados na importação de um produto.  Os importadores têm potencial para reduzir em média mais de 40% do tempo total no desembaraço de uma mercadoria. Nessa linha, eu enxergo que a transformação digital da Logística é uma grande mina de ouro. Todos esses exemplos são desafios e grandes oportunidades para tornarmos a Logística do Brasil mais eficiente e competitiva.

LIDE FUTURO – Como a transformação digital pode auxiliar no aumento de eficiência de empresas e setores públicos?

ANNA – Fazendo um resumo, a cadeia de suprimentos é composta por três grandes fluxos: o fluxo de materiais, o fluxo financeiro e o fluxo de informações. Porém, esses três fluxos são muito desconectados e desintegrados. Por se tratar de diferentes intervenientes, diversas etapas, muitos processos e sistemas, as informações ficam fragmentadas e se perdem nas interfaces entre as operações. É como um grande quebra-cabeça com peças soltas e cheio de complexidade. A transformação digital vem para juntar todas essas peças que envolvem os processos, conectando os diferentes atores e sistemas e integrando todo o fluxo de informações para trazer mais planejamento, previsibilidade e visibilidade aos processos. Democratizar a gestão logística e auxiliar os usuários para a tomada de melhores decisões. É como um “gêmeo” virtual que replica os processos físicos no digital, permitindo reduzir desperdícios e ineficiências que resultam em grandes diminuições de custos e no aumento da qualidade percebida pelos clientes internos e externos, com a entrega de uma melhor experiência a todos os elos envolvidos na cadeia.

LIDE FUTURO – Como foi participar do LIDE FUTURO Debate sobre Transformação Digital na Logística?

ANNA – Foi sensacional! A começar pela organização do LIDE FUTURO. Transformação Digital na Logística é algo que eu sou apaixonada, porque envolve gente, processos, tecnologias e inovação. E como se não bastasse, nós conseguimos reunir junto a esse tema muito atual e pertinente, três dos profissionais e empresas que eu tanto admiro no Brasil: o Marcos Alves (Mercedes), o Nestor Felpi (Natura) e o Eduardo Nogueira (DHL). Eles conseguiram trazer, de uma forma bem leve e descontraída, os desafios, possibilidades e oportunidades do setor. Foi um show de conteúdo técnico de logística, de relações humanas, sustentabilidade e muito propósito.

LIDE FUTURO – Desde quando você faz parte do LIDE FUTURO?

ANNA – Faço parte do LIDE FUTURO desde 2013 e é inexplicável o quanto o grupo agrega para mim em termos de aprendizado, experiência, networking profissional e amizades.

LIDE FUTURO – Recentemente vocês foram aprovados no programa IA² MCTI, pode nos contar um pouco disso?

ANNA – Estamos super felizes e empolgados. O programa IA² MCTI é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em parceria com a Softex. O objetivo é apoiar pesquisa e desenvolvimento de Soluções com Inteligência Artificial. E nossa plataforma é uma dessas soluções selecionadas! Trabalhando com Logística 4.0, nós estamos sempre pesquisando, desenvolvendo e implementando as melhores tecnologias para resolver as dores do setor: inovação para necessidades reais! Trabalhamos muito com robôs (que monitoram em tempo real os status dos processos logísticos), já temos iniciativas com Blockchain, IoT, Machine Learning e agora Inteligência Artificial.

Tudo o que não te contaram sobre o 5G: um olhar crítico à inovação

Por Ravi Gama, filiado do LIDE FUTURO e fundador da 2Find

Em uma sociedade movida por tecnologias, o acesso à rede 5G vem sendo cada vez mais comentado. As redes utilizadas pela maior parte do mundo atualmente são o 3G e o 4G. Com o objetivo de expandir as potencialidades, o 5G é a quinta geração das redes móveis e, há um tempo, vem sendo desenvolvida para elevar a banda larga móvel a um alto padrão de velocidade. Considerando o aumento constante de conexão entre dispositivos sem fios, o 5G passa a ser uma importante novidade para a nossa sociedade atual.

A nova rede está em ascensão e já foi, inclusive, adotada por alguns países. De acordo com a associação mundial das operadoras de redes móveis, a GSMA Association, países como Estados Unidos, Austrália, China, Finlândia, Reino Unido, Coreia do Sul e Áustria já contam com a tecnologia. E as expectativas para os próximos anos são altas. A estimativa é que, até 2025, haja 1,2 bilhão de conexões 5G no mundo inteiro.

Seria o Brasil um desses países a aderir à rede nos próximos anos? Bom, o que sabemos é que, atualmente, o governo brasileiro se encontra em um complexo dilema, motivado por uma divergência entre duas grandes potências mundiais. Por um lado, temos a China, com a empresa Huawei, responsável pela implantação do 5G. Por outro, temos os Estados Unidos, que, recentemente, baniram a empresa chinesa de negociar com as companhias do país. O governo norte-americano alega que a tecnologia da empresa representa uma ameaça à segurança nacional das nações que virem adotá-la. E, por fim, a AT&T é quem se tornou responsável pelo lançamento do 5G nos EUA.

O problema é que, agora, o governo norte-americano tem pressionado outros países a proibirem a atuação da Huawei. Em julho, os EUA chegaram a impor sanções contra funcionários da empresa chinesa. Vários países, como o Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Índia e Japão, já cederam à pressão e barraram os contratos com a Huawei. No entanto, diante dessa guerra comercial e política, o Brasil segue sem uma decisão final.

Para pressionar o governo brasileiro, recentemente, as lideranças americanas anunciaram que, caso o Brasil negocie com o “5G chinês”, as empresas americanas poderão deixar o país. Um dos assuntos mais comentados dentro da política brasileira, inclusive, é que essa disputa essa sendo mais geopolítica do que técnica em sua essência. Essa definitivamente tem sido a realidade do 5G. A briga entre as duas maiores potências mundiais têm afetado não só a relação entre elas, como a relação delas com todos os demais países.

Diante de tudo isso, o Brasil segue sem um posicionamento sobre o assunto. Aparentemente, o Presidente da República ainda não decidiu se irá negociar com a Huawei ou a AT&T, fato que qualquer decisão coloca em risco os acordos com uma das maiores economias mundiais. Desagradar a China ou os Estados Unidos? Qualquer decisão acarretará inúmeras consequências para o governo brasileiro no âmbito político e econômico. É por isso que a verdadeira ‘Guerra Fria’ que se formou, impõe barreiras para a chegada do 5G ao Brasil assim como em outros países do mundo. 

Como se já não bastasse o impasse comercial, temos outro relevante entrave para a disseminação do 5G no mundo. Uma das principais características da nova rede é a possibilidade de promover uma “economia digital avançada e intensiva em dados”, além de ser uma peça-chave essencial para a implantação das “Cidades Inteligentes” e a “Internet das coisas”. Isso porque a rede não vai permitir somente a conexão entre usuários, mas também entre todos os objetos (automóveis, maquinários, lavadoras, câmeras de vigilância, etc), possibilitando assim um intenso desenvolvimento de serviços, como, por exemplo, um sistema de segurança que evite acidentes ou até mesmo a realização de cirurgias remotas utilizando-se robôs.

A partir daí, surge então a questão ética que envolve o 5G. Uma vez que temos um veículo autônomo, como ele reagiria a algumas situações que só o ser humano consegue resolver? É indiscutível que ainda não existe uma tecnologia que substitua o cérebro humano. Nenhum objeto é capaz de pensar racionalmente, de reagir a reflexos, entre outras ações que só nós conseguimos fazer. Então, como se daria a aplicação do 5G na prática?

Como exemplo, supomos que um carro autônomo estivesse transitando por uma pista quando, de repente, uma criança desatenta começa a atravessar a rua. Qual seria a reação do veículo? Desviar e correr o risco de bater em outro carro que vem na pista contrária? Atropelar o pequeno pedestre? São muitas perguntas sem respostas para um problema que permanece sem solução.

Uma “Cidade Inteligente”, mais do que tudo, precisa ser organizada com ética. Caso o contrário, de nada vale. E, nesse cenário do 5G, não sabemos como os conceitos éticos poderão ser inseridos. Não há uma diretriz que dita como os objetos devem ou não agir diante de diferentes situações. E nem existem ideias de como poderíamos resolver esse problema. O que sabemos é que a discussão sobre a ética da nova tecnologia é extensa e merece atenção, pois deve ser levada em consideração antes da implantação do 5G. 

Outro empecilho para a instalação da nova rede no Brasil é a falta de infraestrutura do país. Atualmente, não temos infraestrutura suficiente para receber uma rede que se baseia em uma imensa velocidade de dados. Antes de mais nada, as prestadoras precisam ir atrás de recursos para conseguirem ofertar o melhor serviço possível aos consumidores. Dessa forma, os provedores serão obrigados a investir em equipamentos mais eficientes e inovadores, que consigam suportar as velocidades necessárias. É justamente por isso que a Anatel terá um papel fundamental nos próximos meses de acelerar as condições do desenvolvimento dessa infraestrutura no Brasil.

E, sabendo disso, uma coisa é certa. As empresas de telecomunicação que não conseguirem se preparar para atender as demandas que o 5G exigirá tendem a desaparecer do mercado. O investimento para a implantação da tecnologia é muito alto e nem todos terão suporte e recursos para suprir essas necessidades. Por isso, torna-se muito importante a participação ativa de todas as empresas do setor nessa fase de discussão e de adaptação. É fundamental que todos os provedores estejam alinhados para encontrarem a melhor forma de receber essa mais nova tecnologia no Brasil.

Além desses desafios para a chegada do 5G, existem ainda outros riscos que precisam ser avaliados: as graves consequências que podem refletir diretamente na saúde do nosso planeta. O ponto inicial dessa discussão é de que as tecnologias do 5G formarão um campo eletromagnético de grande potência, que, por sua vez, afetará a vida de todos os seres vivos. Essa radiação poderá atingir, por exemplo, desde as fracas ondas eletromagnéticas dos voos dos insetos até a saúde dos seres humanos.

Cerca de mais de 10 mil pesquisas apontam que algumas doenças cardíacas e outras enfermidades, como o câncer, estão fortemente associadas à contaminação eletromagnética. Por isso, a extensa exposição de organismos vivos à níveis de radiação de radiofrequências, bem maiores que às atuais do 4G, poderá provocar graves consequências. Sabendo disso, cientistas afirmam que a vida de todos os seres vivos, incluindo a nossa, corre perigo. Mas, aparentemente, esses riscos têm sido ignorados pelas grandes potências econômicas. O que acontece é que, até então, os interesses privados, geradores da tecnologia 5G, vêm prevalecendo sobre os interesses coletivos.

Se, por um lado, a rede 5G carrega consigo inúmeros riscos e entraves, por outro, a tecnologia também promete oferecer interessantes benefícios e vantagens. Basicamente, a nova tecnologia garante uma cobertura mais eficiente e mais ampla, além de maiores transferências de dados e um aumento significativo de conexões simultâneas.

Já é possível, inclusive, fazermos algumas comparações: as redes da 4ª geração conseguem entregar uma velocidade de conexão de, em média, 33 Mbps. A expectativa é de que o 5G entregue velocidades 50 a 100 vezes maiores, chegando até 10Gbps. Ademais, o atual sistema comporta até 2.000 equipamentos ativos por quilômetro quadrado enquanto a rede 5G comporta 50 vezes mais, o que resulta em até 100.000. A rede 5G vai permitir um maior consumo de serviços (transferência de arquivos, comunicação em tempo real, streaming, jogos on-line, etc) e com mais agilidade. Também vai diminuir a resposta da conexão (latência) e terá maior capacidade de banda.  

Não há dúvidas de que o 5G realmente é uma tecnologia de ponta, que trará muitas facilidades para o nosso dia a dia. Entretanto, não podemos ignorar os diversos dilemas que permeiam esse assunto. Afinal, todos os riscos se tornam relevantes a partir do momento em que eles impactam a economia de um país, além da vida de todo cidadão. O futuro certamente é nebuloso. Mas precisamos acompanhar quais serão os próximos passos do governo brasileiro mediante a tantos entraves. E, principalmente, ficarmos atentos às medidas que serão tomadas para receber, talvez em breve, essa tecnologia revolucionária no nosso país.

Lives: O peso da influência

Por Lais Macedo, sócia do LIDE FUTURO e da B4Marry

É inquestionável, entre tantos experimentos e experiências da quarentena, algo foi rapidamente escalável e, apesar das controvérsias, a aceitação foi e é grande. Sim, estou falando das lives, as queridas ou temidas lives.

Há quem considere um movimento em efeito manada, e talvez faça sentido, mas o ponto principal de reflexão é a consequência desse fato. As mídias sociais são democráticas e bastante acessíveis, intuitivas e de fácil utilização, e não há nada que impeça qualquer usuário de, em questão de segundos, começar uma transmissão ao vivo, sem saber quem ou porque terá audiência.

As motivações para fazer lives são inúmeras. Há aqueles que compreendem a live como uma ferramenta valiosa de geração de conteúdo, utilizam com responsabilidade, há planejamento e pauta bem definidas, convidados estrategicamente selecionados e um poder valioso de alcance e influência. No entanto, essa não é a motivação para tantos outros usuários, que podem buscar o simples desejo de audiência, fazer porque “todo mundo faz” ou até as mais ilusórias ideias de aumentar o número de seguidores.

Todos eles, independente da razão da transmissão ao vivo, chegam a um lugar comum: a capacidade de impacto e influência que essas lives possuem. De um lado, uma audiência pouco preparada para uma curadoria de conteúdo, do outro, pessoas assumindo espaços e temas que não possuem know-how suficiente para compartilhar, ensinar e impactar outras pessoas. Assim começamos nosso espiral, porque, por mais frágil que seja uma informação, ou mesmo inverídica, do outro lado há alguém que por um simples crivo, pode ser até uma questão de simpatia pelo speaker, absorve.

O movimento das lives é legítimo e necessário, principalmente considerando a perspectiva do compartilhamento de conteúdo que não poderia ser acessado (ou não com tanta facilidade) por tantas pessoas. Contudo, é preciso que uma etapa anteceda a decisão do clique rápido no botão “ao vivo”: a autorresponsabilidade.

A cultura das lives deve incentivar – ou demandar – que os apresentadores, com humildade e sabedoria, revisitem seus repertórios, encontrem seus espaços de conteúdo, baseados na sua história de vida, temas de especialidade ou opiniões embasadas em um assunto que dominam. E, ainda antes desse clique, é preciso criar um roteiro, validar do início ao fim, não com falas prontas, mas mapear o curso do diálogo e o poder de impacto e influência que pode causar no outro.

E, se falta motivação para encarar essa jornada de reflexão e preparo que a live demanda, deixo aqui uma última reflexão: embora a transmissão ao vivo termine, o conteúdo se perpetua, sendo registrado nas redes e disseminado de um modo incontrolável e, acredite, você será cobrado pelo peso da sua influência. Em tempos da cultura do cancelamento, uma internet com poder de fala e o fácil acesso para rastrear e descredibilizar dados e fatos, quer mesmo deixar que o toque ansioso no botão “ao vivo” desconstrua a história que te faz clicar lá para contá-la?

SETEMBRO VERDE ESPERANÇA: ENTIDADES SE UNEM PARA COSCIENTIZAÇÃO SOBRE ASFIXIA PERINATAL

Campanha “Setembro Verde Esperança”, idealizada pelo Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros em parceria com a AACD, Instituto Jô Clemente e múltiplas entidades em nosso País

Em setembro, o Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros lançará a campanha “Setembro Verde Esperança”, que tem por objetivo conscientizar a população em geral sobre riscos da asfixia perinatal e dos tratamentos para esta condição, que atinge mais de 1,15 milhão de bebês no mundo por ano.

No Brasil, em um período de 12 meses, estima-se que de 15 a 20 mil bebês nascem com falta de oxigenação no cérebro. A asfixia perinatal ocupa a terceira causa de morte neonatal – 23% da mortalidade de recém-nascidos no mundo inteiro -, além de ser a principal causa de lesão cerebral permanente em bebês nascidos a termo.

Estes números alarmantes chamaram a atenção de entidades e associações brasileiras como a AACD, Instituto Jô Clemente (antiga APAE de São Paulo), Academia Brasileira de Pediatria, além de mais de 20 hospitais brasileiros, que já declararam apoio à campanha “Setembro Verde Esperança”. Nós, do LIDE FUTURO, apoiamos também essa causa, a favor da disseminação deste conhecimento, para fomento de discussões em toda sociedade.

Sobre a Campanha

A asfixia perinatal representa uma dura realidade onde, após realizado o diagnóstico, estima-se que menos de 5% dos recém-nascidos asfixiados em nosso país têm acesso ao tratamento e suporte mais adequado. Com isso, grande parte pode ter o seu futuro comprometido por diversas sequelas neurológicas como paralisia cerebral, deficiência cognitiva, cegueira ou surdez.

Essa campanha escolheu o Verde Esperança para conscientizar a população de que com tratamento adequado podemos minimizar o profundo impacto socioeconômico desta doença em nosso país.

Os principais objetivos dessa campanha incluem: unir instituições apoiadoras com o intuito de sensibilizar a sociedade de que Asfixia Perinatal é um grave problema de saúde pública; alertar os setores público e privado para a necessidade de reduzir o impacto dessa doença em nosso país; e ao reduzir as chances de sequelas em bebês, mudar histórias de vida de milhares de crianças e de suas famílias.

O tratamento adequado a esta população também permite a redução de impactos econômicos incluindo custos diretos com cuidados em saúde como necessidade de exames complementares, internações hospitalares e acompanhamento médico multidisciplinar ao longo da vida. Além disso, ainda há importante redução de custos indiretos, como perda de produtividade e gastos públicos com relação à saúde e necessidade de assistência social.

Sobre o Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros

O Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros é uma entidade sem fins lucrativos e liderada por um grupo de profissionais de saúde preocupados com o alto número de bebês que evoluem com graves lesões neurológicas após insultos no período neonatal.

O Instituto tem por objetivo disseminar informações acerca da importância de se adotar estratégias eficazes para prevenção de sequelas neurológicas em crianças.

Saiba mais em: www.setembroverdeesperanca.com.br

Jogos de tabuleiro podem ser aposta para unir amigos e família também de forma digital

LIDE FUTURO realizou encontro com Galápagos Jogos para falar sobre tendência

Para promover a integração entre empresários de diversos setores, o LIDE FUTURO, grupo que conecta jovens lideranças de todo o país, acaba de promover um evento sobre jogos de tabuleiro modernos e o cenário pré e pós pandemia em parceria com a Galápagos Jogos, empresa referência no setor que tem como propósito aproximar pessoas por meio de uma experiência de entretenimento.

Yuri Fang, presidente e CEO da empresa de board games, destacou que os jogos de tabuleiro são uma importante ferramenta para estreitar relações. Para ele, a pandemia fará com que essa cultura retorne de forma digital.

O empreendedor reforça que esses jogos podem ser jogados à distância, criando uma nova experiência e um momento de imersão que estimula a criatividade. Para ele, a cultura dos tabuleiros não foi afetada pelos jogos digitais. “A maior dificuldade é fazer as pessoas jogarem a primeira vez”, explica.

Usar jogos para unir equipes nas empresas é outra aposta de Yuri para o pós pandemia. Ele acredita que dessa forma, os colaboradores conseguirão se unir ainda mais, trocando experiências que possam gerar aprendizados.

Com o objetivo de aproximar os filiados do LIDE FUTURO entre si, equipes foram formadas para conhecerem melhor os jogos de RPG e trocarem conhecimentos para descobrirem as soluções e respostas de cada game sugerido, tudo sob a consultoria da Encounter Board Games.

“Já havíamos promovido um encontro físico com jogos de tabuleiro, para que nossos filiados tivessem um momento de networking mais descontraído. Não imaginávamos que a experiência online seria tão boa quanto. Por meio de um clima leve e informal, trouxemos não só uma aproximação entre os membros, mas também um pouco de diversão em tempos tão desafiadores”, relata Rafael Cosentino, Presidente do LIDE FUTURO.

Conheça o CosmUs, um novo modo de conectar empresários de diversos setores para troca de experiências e aprendizados

Nova ferramenta de networking do LIDE FUTURO promove o conceito de “fraternidade” entre os membros do grupo e usa gamificação para conectar e aproximar filiados 

O LIDE FUTURO, grupo que conecta jovens empresários de todo o País para promover a troca de experiências e conhecimento empresarial, acaba de lançar mais uma ferramenta para auxiliar em sua missão: o CosmUs. Criada a partir do conceito de fraternidade, a iniciativa nasceu a fim de trazer conexões mais humanizadas entre os filiados, que atuam nos mais diversos setores do mercado. 

A ideia consiste na criação de pequenos grupos entre os mais de 300 empresários filiados ao LIDE FUTURO em São Paulo, classificados com nomes de Constelações – daí a origem do termo CosmUs. Com um líder selecionado – normalmente alguém com perfil e maior engajamento no grupo -, a equipe consegue criar conversas qualificadas e troca de experiências multissetoriais, para o aprimoramento de seus negócios.

O CosmUs também auxilia novos filiados ao grupo a se integrarem e fazerem networking com outros empresários. Além dessa ferramenta de conexão, sempre atento ao que acontece no ecossistema de negócios, o LIDE FUTURO também disponibiliza um calendário de eventos para seus filiados, com conteúdo relevante e profissionais de distintas áreas para debaterem as novidades do mercado. Com a pandemia, esses encontros acontecem de 1 a 2 vezes por semana no ambiente online.

Em julho, o grupo, em parceria com a Simple Experiências, promoveu uma semana de dinâmicas a partir dos grupos do CosmUs, com o intuito de auxiliar na integração entre equipes e reforçar os recursos disponíveis no grupo para fortalecimento do networking.

LIDE FUTURO debate transformação digital na logística

No dia 30 de julho, o LIDE FUTURO realizou mais uma edição do LIDE FUTURO Debate, uma das 11 modalidades contempladas em seu calendário de eventos. O tema da vez foi inédito nos encontros e bastante relevante, e contou com participação de grandes inspirações da área de logística no Brasil para discuti-lo, sob mediação de nossa filiada, também inspiradora, Anna Valle, COO da Quattro.

A “Transformação Digital na Logística” veio para ficar e tem crescido de forma exponencial, principalmente por meio de um olhar macroestratégico e inovador, obrigatoriamente solicitado pelo cenário pandêmico.

Segundo Marcos Alves, Diretor de Logística e Facilities da Mercedes-Benz, a transformação digital tem muitas etapas, mas a primeira começa pela liderança. Além disso, Eduardo Nogueira, Head de Legal e Inovação da DHL no Brasil, reforçou que fazer a logística de uma nova forma, pensando não somente no nosso cliente, mas no cliente do nosso cliente é o que gera resultado.

Nestor Felpi, Diretor LATAM de Supply Chain e Integração na Natura, trouxe luz para a sintonia existente entre sustentabilidade e eficiência, e o quanto uma cadeia de Supply Chain sustentável pode trazer grande impacto financeiro, de forma positiva!

Agradecimento especial à toda equipe do Volume, hub digital e líder da Vertical de Logística e Mobilidade no Cubo Itaú, que nos ajudou na promoção deste grande encontro.

Inteligência artificial a serviço da justiça

Por Adriana Filizzola D’Urso, advogada criminalista do escritório D’Urso e Borges Advogados Associados e filiada do LIDE FUTURO

Surgida entre 1950 e 1960, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial consiste em gerar mecanismos que reproduzam, através do computador, a capacidade da mente humana que permite pensar, evoluir, produzir e armazenar raciocínios, além de resolver problemas, com alto grau de eficiência, produtividade e rapidez.

Atualmente, a inteligência artificial é uma realidade revolucionária, fazendo parte do nosso cotidiano, se aprimorando cada vez mais e impactando a vida de todos. No mundo jurídico, não foi diferente. Tanto na advocacia, quanto nos órgãos do sistema de Justiça (que compreende o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e outros órgãos essenciais ao funcionamento da Justiça), a utilização da inteligência artificial é inexorável.

É no Supremo Tribunal Federal (STF) que encontramos o maior e mais complexo sistema de inteligência artificial do Poder Judiciário, apelidado de VICTOR, em homenagem a Victor Nunes Leal, que foi ministro do STF de 1960 a 1969. Foi ele também o principal responsável pela sistematização da jurisprudência do STF em súmulas, o que facilitou a aplicação dos precedentes judiciais aos casos julgados.

Desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), a principal função de VICTOR é auxiliar os analistas do STF, interpretando recursos e separando-os por temas de repercussão geral. Segundo o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o programa VICTOR traz maior eficiência na análise dos processos, com economia de tempo e de recursos humanos. As tarefas que servidores do Tribunal levam, em média, 44 minutos para realizar, o VICTOR executa em menos de 5 minutos. Isto faz com que os funcionários do Tribunal não precisem mais se preocupar com tarefas mais burocráticas (mecânicas e repetitivas) e possam se dedicar às atividades mais complexas, que envolvam conhecimento jurídico.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem seu sistema, denominado SÓCRATES, que utiliza técnicas de inteligência artificial para auxiliar os relatores sobre precedentes e legislação, chegando até a sugerir decisões. Iniciativas assim surgem em Tribunais de todo o país. Nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará e Mato Grosso do Sul, a Justiça conta com a ajuda de um robô, denominado LÉIA, dentre outras tecnologias que estão sendo adotadas pelos Poderes Judiciários Estaduais e Federal.

Na advocacia, a inteligência artificial tem se mostrado imprescindível, sendo utilizada para auxiliar pesquisas, analisar documentos, classificar dados, automatizar processos, preencher e alimentar banco de dados, revisar artigos doutrinários, jurisprudência e precedentes, além de minimizar os equívocos na produção de relatórios e documentos. É inegável que o auxílio da tecnologia pode contribuir no aperfeiçoamento da atuação dos advogados, que operam na defesa de seus clientes, desenvolvendo teses inovadoras, de acordo com as especificidades de cada caso concreto.

É fato que a inteligência artificial ganha, cada vez mais, um protagonismo no mundo jurídico, principalmente auxiliando no aumento da produtividade dos profissionais da Justiça, e isto é irreversível.

Neste contexto de avanço e modernidade, todavia, não se pode esquecer que a inteligência artificial não é a inteligência humana, fruto da cognição, mas tão somente um avançado robô que trabalha com os dados que dispõe, “pensando” de acordo e para o fim a que foi programado.

Diante desta realidade, adverte-se que um robô jamais poderá substituir o ser humano, principalmente em tarefas que exijam sensibilidade e vivência humana, como as desenvolvidas pela magistratura e pela advocacia. A inteligência artificial, por mais avançada que seja, é desprovida da compreensão do que é “ser humano”, componente essencial para a obtenção do ideal de Justiça tão almejado.