Cultivo: a próxima fronteira da Cannabis medicinal no Brasil

Por Tarso Araujo, diretor de novos negócios da Entourage Phytolab e filiado do LIDE FUTURO

O Congresso brasileiro deu partida numa discussão que vai definir as chances do Brasil prosperar no bilionário mercado global de Cannabis. No final de agosto, começou a circular o texto do projeto de lei (PL) 399 sobre cultivo, produção e comercialização de produtos à base da planta.

O principal objetivo da lei proposta é incentivar o desenvolvimento de uma indústria local e garantir o ingresso do país na produção dessa commodity agrícola que tem tudo para ser uma das mais relevantes do século 20. O mercado de Cannabis deverá movimentar cerca de US$ 104 bilhões até 2024, sendo que 60% desse valor no setor de uso medicinal.

A demanda mais imediata é baratear justamente os medicamentos –por meio da produção nacional de insumos– e democratizar o acesso oferecendo esses produtos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O que mostra a sensibilidade e consciência sobre a importância do tema por parte dos congressistas envolvidos na Comissão Especial da Câmara, que debateu e preparou esse texto –palmas para eles.

Mas o projeto também prevê a abertura de diversos outros mercados que ainda não são permitidos no país. Entre eles, o uso veterinário, a dispensação em farmácias de manipulação, a produção de cosméticos e alimentos e o cultivo para fins industriais, com vistas à produção de têxteis e celulose, especialmente. E tudo isso representa um importante potencial econômico adicional.

O cultivo nacional por si só já contribui para o objetivo de reduzir o custo dos medicamentos, pois a carga tributária associada à importação é alta, da ordem de 50% do custo dos insumos. Além disso, o Brasil tem grandes áreas para cultivo com clima adequado para Cannabis, um dos maiores mercados agrícolas do mundo, excelente capacidade de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia e mão de obra relativamente barata.

Então podemos apostar que o país tem potencial para abaixar o preço da commodity, inclusive globalmente, se nos posicionarmos como exportadores para competir com países pioneiros no cultivo para fins medicinais, como Uruguai, Canadá e Colômbia.

Além de beneficiar pacientes e o sistema público de saúde, a entrada do Brasil com os dois pés no mercado de Cannabis tem grande potencial para gerar empregos e reaquecer nossa economia, tão carente de novas oportunidades de geração de riqueza em tempos de pandemia. Mas todos sabemos que o timing dessa entrada é crítico.

Se o PL for aprovado com agilidade, temos grandes chances de ocupar um lugar de destaque no mercado global. Se ele não for aprovado no curto prazo, ou se nem for aprovado, continuaremos dependentes de importações. As pesquisas continuarão caras e complicadas pela falta de matéria-prima. A curva de redução de preços do mercado medicinal será mais lenta. Os outros mercados –de uso veterinário, cosmético, alimentos, uso industrial– provavelmente nem sairão do papel.

E mais uma vez nosso Congresso perderá uma oportunidade de melhorar a saúde e as contas do país. Portanto, o empresariado brasileiro precisa estar atento a esse debate e apoiar a aprovação do PL 399. É nosso passaporte para o futuro nesse bilionário e novo segmento da economia global.

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