Anvisa libera registro e comercialização de Cannabis em farmácias no Brasil

A norma deve melhorar a vida de milhões de pacientes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última terça-feira (3), por unanimidade, a regulamentação do registro e da venda de medicamentos à base de Cannabis, exclusivamente, em drogarias e farmácias brasileiras. A norma entrará em vigor em 90 dias e deve melhorar vida de milhões de pacientes que dependem desses medicamentos.

A resolução proíbe o cultivo da Cannabis, mesmo assim, horas depois, uma empresa conseguiu autorização por meio de decisão liminar da Justiça para importar e plantar sementes de cânhamo, ou “Hemp”, uma variação industrial da planta da maconha.

Segundo a Anvisa, as empresas brasileiras não devem abandonar as pesquisas de comprovação de eficácia e segurança de suas fórmulas, já que os estudos com os produtos à base de Cannabis se assemelham aos tradicionais medicamentos comercializados.

Marcelo Galvão, CEO da OnixCann | Cantera, comenta: “Temos uma vitória com essa liberação da Anvisa. Espero que todo o pacote neoliberal do atual governo possa começar a colaborar com o desenvolvimento econômico de nosso país, deixando que as empresas trabalhem de forma saudável, economicamente mais livres”.

Sobre as oportunidades de negócio, Marcelo Galvão complementa: “Para quem quer investir em empresas no Brasil ou criar seu próprio negócio, o caminho é conectar pacientes com médicos, fazer educação médica sobre produtos e prescrição e o registro de produtos”.

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa deverá passar por uma reavaliação em até três anos. A Anvisa ainda discutirá a permissão para que uma pessoa possa plantar Cannabis em sua residência para tratamento médico.

Para se ter uma ideia do progresso aos pacientes com essa resolução, atualmente, existe apenas um produto à base de Cannabis registrado e vendido no Brasil, o Mevatyl, indicado para espasmos musculares em quem tem esclerose múltipla. Ele é fabricado por uma empresa localizada no Reino Unido e comercializado a um custo médio de R$ 2,8 mil para sua dose mensal.

Regras

A prescrição médica do produto irá variar de acordo com a concentração de THC (Tetrahidrocanabidiol), a parte psicoativa da erva. Em concentrações menores de 0,2%, o remédio deverá ser prescrito com numeração fornecida pela vigilância sanitária, com exigência de renovação da receita em até 60 dias. Já para os produtos com concentrações acima de 0,2% de THC, só poderão ser prescritos para pacientes terminais ou que tenham se esgotado todas as alternativas terapêuticas.

De acordo com a Anvisa, os fabricantes que optarem por importar o substrato da Cannabis para fabricação do produto deverão realizar a importação da matéria-prima semielaborada. Ou seja, a empresa não poderá importar a planta ou parte dela.

Brasil tem potencial para movimentar até US$ 15 bi com a legalização dos jogos de azar

Com a legalização, Brasil ainda poderá arrecadar cerca de US$ 4,2 bi em impostos ao ano

Os jogos de azar e os cassinos foram proibidos no Brasil há mais de 70 anos pelo presidente Dutra, porém ainda existem alguns poucos jogos legalizados e controlados pelo governo, como a Loteria Federal, que movimenta anualmente R$ 34,1 bilhões (ou US$ 8,1 bi/ano).

Para um efeito comparativo, os Estados Unidos têm o maior mercado de jogos de azar e cassinos no mundo, movimentando mais de US$ 500 bilhões anualmente, ou seja, 4.050% a mais do que é movimentado no Brasil com as loterias. E, somente em Las Vegas, cidade norte-americana em Nevada, os jogos representam 27% da economia da cidade.

André Feldman, CEO da BIG e representante do Grupo Caesars e WSOP no Brasil, afirma que, com a legalização de todas as modalidades de jogos, o Brasil tem potencial para arrecadar US$ 15 bilhões bruto e cerca de US$ 4,2 bilhões por ano em impostos. Além disso, o governo arrecadaria antecipadamente mais de US$ 1,7 bilhão com as outorgas, licenças e autorizações para construções dos cassinos. Sem incluir o movimento financeiro nos investimentos e na geração de empregos para a construção e implantação dos cassinos.

O empresário ainda complementa que “nos sete países mais ricos do mundo – Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Canadá – o jogo é totalmente liberado. Nos mais de 100 países onde o jogo é legalizado, os cassinos representam parcela importante na indústria do Turismo pelas atividades que agregam em toda a escala da economia”.

“A legislação proibitiva não alterou o cenário de ilegalidade do jogo no país, que movimenta, em apostas clandestinas, cerca de US$ 5 bilhões anualmente com o jogo do bicho, bingos, caça-níqueis, videojogos, apostas esportivas e jogos online. Este valor coloca o país entre os campeões mundiais no ranking dos jogos clandestinos”, finaliza.

Além de um potencial incremento na economia, de acordo com especialistas, o Brasil poderá gerar 700 mil empregos diretos e indiretos com a legalização dos jogos de azar e dos cassinos, sendo que o país nunca esteve tão perto da legalização, já que o projeto avança na Câmara dos Deputados.

Enquanto isso, eventos do setor privado acontecem para debater o tema. No dia 18 de novembro, o LIDE FUTURO realizou, na Casa Bisutti, em São Paulo, a 23ª edição do LIKE THE FUTURE que trouxe a debate o tema “Mercado do Jogo: Qual a sua aposta?”. De acordo com Laís Macedo, CEO do LIDE FUTURO: “Trata-se de um mercado com potencial bilionário que, segundo os especialistas, uma vez regulamentado, pode trazer de forma responsável muitas oportunidades que agreguem ainda mais à economia brasileira”.

Cannatech: Por que as startups de pesquisa e desenvolvimento de Cannabis são a melhor oportunidade de investimento

O verdadeiro diferencial do mercado de Cannabis está nas empresas que investem em inovação para melhorar o bem-estar do paciente

Pacientes, empresários e investidores brasileiros aguardam com expectativa o resultado das duas iniciativas regulatórias que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou este ano, uma sobre o cultivo de Cannabis para fins medicinais e científicos, outra sobre o registro de medicamentos à base da planta. A possibilidade de o país regular a matéria atraiu o interesse de muita gente, especialmente entre quem deseja cultivar. Mas, faz sentido?

Faz, afinal a Cannabis é uma planta, o país é “agro” e a demanda por tratamentos com Cannabis só cresce em todo o mundo. Mas acreditar no cultivo como a única ou mesmo como a melhor opção de investimento na área é uma aposta arriscada.

A Cannabis logo vai se tornar uma commodity, como qualquer outra. O preço da matéria-prima vegetal, que hoje é exorbitante por estar distorcido pela proibição de cultivo, vai cair drasticamente nos próximos anos. E o Brasil, quando e se entrar nesse mercado, vai encontrar margens bem mais baixas que as atuais.

No contexto das Américas, largamos atrás dos pioneiros Uruguai e Colômbia, e mesmo de Peru, Chile e até Paraguai, além de diversos países do Caribe e da América Central, que já têm regulações em andamento. Até mesmo os EUA, que legalizou o cultivo de cânhamo em nível federal no ano passado, vai contribuir para reduzir o preço da commodity, com um aumento de duas a seis vezes em sua produção lícita anual em 2019.

Em médio a longo prazo, é possível que nem se precise mais de plantas para produzir medicamentos à base de canabinoides: já que existem empresas produzindo Canabidiol (CBD) e Tetrahidrocanabinol (THC) com leveduras. O processo é parecido com o de fermentação da cerveja, a diferença é que as células produzem as moléculas originais da planta, em vez de álcool.

E este exemplo mostra onde realmente vai valer a pena investir num futuro breve: em ciência e tecnologia. Cada vez mais, serão as empresas de Cannabis e tecnologia que terão valor, em vez daquelas que simplesmente plantam e colhem matéria-prima. Mesmo para quem investir em negócios estritamente agrícolas, o investimento em pesquisa será o diferencial que pode determinar se a empresa sobreviverá ou não ao aumento da concorrência.

A Cannabis tem um grande potencial terapêutico, mas é a ciência e a inovação que podem levar o potencial terapêutico dessa planta a muito mais pessoas. É nisso que acreditamos. E é para isso que a Entourage Phytolab trabalha nos nossos laboratórios em Valinhos, no estado de São Paulo.

Para produzir nosso primeiro medicamento, desenvolvemos em parceria com a Unicamp uma tecnologia de extração dos canabinoides da planta, com eficiência e produtividade significativamente superiores aos do padrões do mercado. Para cada quilo de planta processado, a maioria das empresas perde 10 a 20% dos canabinoides durante a extração.

Em nosso processo, essa perda não chega a 5%. E conseguimos esse resultado num tempo cerca de cinco vezes menor, o que representa uma economia adicional de energia, solventes e recursos naturais. Menos custo para a empresa – e maior competitividade. E, ao mesmo tempo, custos mais acessíveis aos pacientes.

O desenvolvimento de formulações farmacêuticas modernas é outra área importante. Nossas formulações, testadas em ensaios pré-clínicos, mostram biodisponibilidade quatro a seis vezes superior a dos produtos comercializados atualmente no mundo.

Isso significa que o paciente precisa tomar uma dose menor de CBD para obter a mesma concentração da droga no sangue. Ou seja, ele vai obter o mesmo efeito no tratamento, com menos remédio e custo menor. Com doses mais baixas, ele também está sujeito a menos efeitos colaterais. É o investimento em ciência ajudando os dois lados do balcão.

São essas tecnologias voltadas para o bem-estar do paciente – e para a segurança de quem prescreve – que serão o verdadeiro diferencial do mercado de Cannabis. E nisso, esse setor não tem nada de diferente dos outros. Afinal, é aquela velha história: qual negócio vale mais a pena, vender sacas de café ou cápsulas de Nespresso?

Entourage Phytolab

Crédito foto: Rodrigo Braga/Divulgação

Paridade de gênero é tema de debate do W LIDE FUTURO

O LIDE FUTURO promoveu, no dia 11 de setembro, uma edição especial de seu programa de liderança feminina, o W LIDE FUTURO, em parceria com o LinkedIn Brasil. O evento debateu a paridade de gênero como prioridade estratégica nas empresas brasileiras.

Foi a primeira vez que o W LIDE FUTURO foi aberto às lideranças masculinas filiadas ao grupo. De acordo com Laís Macedo, sócia e CEO do LIDE FUTURO, “foi um evento marcante por termos incluído os homens, vimos o quanto esse debate é horizontal e precisa ser plural. É preciso explorar temas como diversidade e inclusão de todos, trazer diferentes pontos de vista. É assim que ocorre a construção de tudo isso, de forma conjunta”.

A discussão foi respaldada pelo estudo do LinkedIn com a Bain & Company: “Sem atalhos: transformando o discurso em ações efetivas para promover a liderança feminina”, e contou com as palestrantes Luciana Batista, sócia da Bain & Company, e Ana Cláudia Plihal, Head de Soluções de Talentos do LinkedIn.

De acordo com o estudo, a diversidade de gênero em empresas brasileiras avança a passos lentos. É preciso lembrar que a atual situação é reflexo de práticas existentes há décadas.

No entanto, existem pontos positivos nessa trajetória de mudança. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que 74% das empresas que monitoram o impacto da diversidade de gênero na liderança de sua organização reportam crescimento de 5 a 20% em seus lucros.

O estudo mostra que aqueles colaboradores que acreditam trabalhar em empresas que priorizam a igualdade de gênero ou a diversidade como um todo, demonstram pelo menos o dobro do engajamento em relação ao total de respondentes.

Ainda de acordo com o material, com ações sustentadas e articuladas, é possível criar um ambiente no qual tanto a empresa quanto seus funcionários prosperem. Com intenção e foco, é possível sair do discurso e partir para a ação, ganhando tração.

Por fim, a Bain & Company e o LinkedIn, por meio de seu estudo, dão recomendações práticas para ajudar uma organização a promover maior inclusão e diversidade em suas companhias, com foco na conquista da paridade de gênero na liderança—considerado o ponto de partida para desencadear ações de inclusão.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Como fazer escolhas diante de um universo de possibilidades?

Por Rafael Cosentino, Presidente do Comitê de Gestão do LIDE FUTURO

Demorei quase duas semanas para completar meu texto sobre minha experiência no South By Southwest (SXSW) 2019 e simplesmente ainda não acho que tenha conseguido digerir 100% da experiência que o evento me proporcionou. Ainda considero uma enorme responsabilidade escrever, primeiro porque ao descer do avião em Austin, você entende que algo muito diferente está para acontecer olhando ao seu redor, e percebe que existem pessoas de todas as nacionalidades do mundo e que o lugar pode ser a casa temporária de todos! A cidade possui um grande policiamento e ótima infraestrutura para que locais e estrangeiros convivam em harmonia pelos próximos dias.

Ainda sobre Austin, você percebe que mesmo sendo a capital do Texas, é uma cidade calma com uma vida universitária ativa e preparada para receber eventos. Ao redor do centro de convenções são mais de 15 hotéis e todos com suas salas de convenções, algumas interligadas com o grande pavilhão. As estimativas dos organizadores é que passaram por lá quase 450.000 (quatrocentas e cinquenta mil) pessoas em todos os dias do evento, um número que por si só já impressiona. Os brasileiros, inclusive, somaram 1.600 participantes em 2019.

Mas vamos ao evento:

No primeiro dia você descobre que não se preparou o suficiente e que a FOMO (Fear of Missing Out), famosa síndrome de se sentir por fora, pode e deve atacar, pois serão em apenas dez dias mais de 5.000 eventos, sendo muitos simultâneos e, por consequência, suas escolhas importam muito! Logo no primeiro dia, percebi que tinha selecionado diversas palestras muito legais e obviamente uma em cima da outra e com isso acabei tendo que fazer minhas escolhas! Mas como brasileiro sempre se apoia logo no primeiro dia, diversos grupos de Whatsapp surgem e isso te ajuda a acompanhar as demais palestras do evento com o áudio transcrito pelo menos e, ainda de quebra, serve como ótimo repositório de conteúdo!

Sobre conteúdo em geral, o SXSW é um evento de diversos temas, que aborda desde diversidade, liderança, tecnologia, marketing, novos mercados, como o de Cannabis, a cinema, música, games, visões de futuro e feiras com apresentação de startups e produtos. Como suas escolhas importam, é muito importante que você saiba quais são os seus objetivos e pontos de interesse com o evento. Foram escolhas difíceis, mas meu interesse está no mercado imobiliário, tecnologia e saúde. Após alguns conflitos de agenda, consegui traçar uma rota que obviamente não cumpri 100% e, o principal, você descobre que uma hora é necessário comer algo e isso pode te fazer perder alguma palestra, faz parte!

Meu circuito de palestras foi tentar entender como eles estão enxergando as cidades do futuro, desde como a população pode ajudar com isso, até a questão da mobilidade nas cidades, seja com aplicativos de transporte compartilhados até os novos desafios dos carros compartilhados. Nas duas palestras, algo que foi bastante ressaltado foi o fato de sempre se usar a tecnologia para expandir e manter o maior número de pessoas informadas dos acontecimentos.

Outra palestra muito interessante foi sobre como a análise genômica de um vírus pode ajudar as autoridades de saúde e cientistas a traçar a rota de um vírus, sendo possível descobrir de qual cidade do mundo o vírus surgiu e por onde ele entrou em determinado país! (Tínhamos como exemplo, infelizmente, o caso do Brasil com o vírus da Zika, em que, graças ao sequenciamento, foi possível determinar quando e por onde ele migrou do continente africano para o Brasil).

Em alguns momentos peguei algumas palestras mais aspiracionais ou mais desenvolvedoras de conteúdo como o caso do Interactive Keynote, com o Roger Mcnamee, em que ele explicou como o Facebook foi tolo o suficiente para ser pego no caso do uso indevido de dados dos seus usuários e que hoje ele estava mais preocupado com Microsoft, Google e Apple pelo fato de eles estarem sendo cuidadosos para ninguém conseguir fazer nada. Em outra palestra, muito bacana, tivemos uma entrevista com a Gwyneth Paltrow. Na minha opinião, a melhor palestra do evento! Além de mostrar o seu lado empreendedora e líder do seu negócio, a entrevistadora, a jornalista Poppy Harlow, conseguiu extrair um lado humano, de filha, mãe, esposa e mulher da Gwyneth que fez a palestra ser única e bem produtiva. Foi tão boa que gerou a curiosidade e me fez pegar um patinete da Jump e ir até a Pop Up Store deles em Austin.

Outras duas palestras incríveis foram com Nile Rodgers e com o Merck Mercuriadis e a entrevista com o Adam Horovitz e Michael Diamond do Bestie Boys.

Ainda sobre o conteúdo, conferi palestras como “Criando confiança em tempos desconfiados”, “Coletando seus dados de forma exaustiva e isso pode ser sua vantagem”, “Como o VR e o AR estão mudando a forma como nós nos expressamos” e “Blockchain, o voto: Votando em aparelhos Mobile com Blockchain”, essas com conteúdo bem legais, mas mais Hype, e, de certa forma, um pouco mais longe do atual cenário do Brasil, mas provavelmente um breve rumo do nosso futuro, claro, que este está em constante mudança.

Dos participantes do evento, minha conclusão é que você está com a oportunidade de estar junto com as melhores cabeças do mundo dos mais diversos assuntos por dez dias, isso é único e uma baita oportunidade, por isso não tenha medo de conversar, fazer perguntas e interagir, realizar networking puro com diversas pessoas do mundo!

Uma parte muito interessante e que ajuda a criar a sua atmosfera são as ativações desenvolvidas ao redor do evento. São diversos países e empresas que assumem espaços da cidade com suas próprias “casas”, desde o nosso Brasil, passando por Canadá, Austrália, Escandinávia, alguns que visitei, e empresas como SAP, Dell, Alienware, Facebook, LinkedIn, entre outras. O interessante é que essas casas geram conteúdos paralelos ao evento principal e normalmente no final do dia, desde shows até eventos de comédia e, claro, os famosos free drinks!

Após esses dias intensos e de muita experiência adquirida no meu primeiro SXSW 2019, em uma conversa com alguns amigos que participaram comigo, nossa conclusão é que mesmo em alguns momentos participando das mesmas palestras, o evento é tão grande e com tanta informação simultânea que me arrisco a dizer que todos que tiveram a experiência de participar de um SXSW tiveram o “SEU SXSW”, isto é, ninguém possui a mesma memória ou a mesma opinião de nada do evento. Aliás, isso que faz com que seja um evento único e transformador. Que venha o SXSW 2020.

Quem quer ser chefe?

Por Rafael Cosentino, Presidente do Comitê do LIDE FUTURO

Em tempos de glorificação das posições de liderança, se você fizer essa pergunta em qualquer ambiente, provavelmente, sua resposta será que todos os presentes querem ser o chefe, mas afinal, o que realmente significa ser “o Chefe”?

Muitas pessoas confundem a ideia de ser chefe com a de ser empreendedor, livre, dono das próprias escolhas ou desafios e, por último e melhor, dono do seu tempo! Mas realmente, o ser “Chefe”, seja no seu próprio negócio ou como um executivo em uma corporação, não é todo esse glamour apresentado e, pior, por vezes, vem acompanhado de um lado obscuro e sombrio que o mundo dos reality shows não mostra na TV, as lives do Instagram omitem e a super foto do Facebook jamais mostrará.

Ser líder de qualquer unidade de negócio, vai além de apostar em diversas renúncias. Significa se transformar profissionalmente em psicólogo, advogado, consultor, parente, mentor e, ainda em momentos difíceis de tomada de decisão, quem sabe, envelhecer uns 20 anos e simplesmente não ter ninguém para compartilhar o seus problemas ou atual situação de carreira ou até de vida. Aliás, vivemos tempos de pessoas que se dizem incríveis, mas nunca avançaram até a página 2 dos seus negócios, ou nunca foram líderes de fato. É fácil encontrar nas mídias sociais, “Líderes ou empreendedores de sucesso”, mas qual é a real? Onde estão os números? Cadê o mérito no seu desafio? Ainda podemos fazer outras perguntas como estas, exatamente onde se abre o abismo entre chefe e colaborador.

Os desafios com o ser humano são muito mais importantes que os desafios técnicos, mas um ótimo comunicador sem técnica, não se sustenta no longo prazo. É necessário continuar o desenvolvimento das habilidades de forma que você consiga “fazer” caso seja necessário e, ainda mais importante, caso você não saiba, seja capaz de pedir ajuda e aprenda algo que seus liderados estão executando. Sem isso, uma liderança somente com incentivos e boa oratória, sem a parte técnica, não se sustenta, pois seus colaboradores desenvolvem o senso que o seu “Chefe” não faz a menor ideia do que está acontecendo e que está desqualificado para sua função, tornando-se um chefe superficial e sem profundidade nos assuntos.

Se você algum dia já se questionou quais eram as habilidades que você, como chefe, deveria desenvolver para ser um líder melhor, bem-vindo a este seleto clube que não possui manual de instruções. Provavelmente você já se sentiu sozinho na hora da tomada de decisão ou em meio a questionamentos infinitos, e também já esteve sozinho até tarde no trabalho. Ou pior: quando você se torna chefe e seus “amigos” do trabalho simplesmente deixam de almoçar com você ou de conversar sobre a vida particular, afinal, agora você possui o poder mágico do cargo e eles se sentem ameaçados com as possibilidades desse “poder”.

Não existem lições únicas, nem sempre a forma de uma pessoa liderar serve para outra, nem sempre uma decisão que funcionou para o projeto A funcionará para o projeto B. A forma de tratar um dos seus liderados não funciona com os demais. Nesse ponto, você descobre que quando virou chefe, também ganhou um novo título citado anteriormente, o de “psicólogo”. Além dos problemas do trabalho, você precisa ter a sensibilidade de entender se existem outros tipos de problemas externos que podem estar minando ou sugando a capacidade/atenção do seu liderado.

E aí que entra outro grande desafio: a Gestão de Pessoas. Nesse ponto você precisa engajar, seja ajudando, ensinando, preparando, mostrando para seu time que existe luz no fim do túnel e qual a direção que a empresa espera que o grupo reme e, quando necessário, fazer as correções necessárias. Todo curso sobre empreendedorismo, ou melhor, na minha opinião, todos os cursos superiores deveriam abordar gestão de pessoas como um item muito importante na formação de todos os profissionais. Uma gestão eficiente de pessoas pode levar um projeto para o sucesso, assim como uma gestão ineficiente pode desagregar um time, gerar contratações ruins, matar um negócio saudável e até transformar sucesso em insucesso.

Outro mito comum é o de que “chefe não trabalha”. Será? Por vezes ser “chefe” significa ter funções administrativas que só podem ser feitas por você, como apontado acima, desde gestão de pessoas, gerenciamento de recursos da sua área, desenvolvimento do orçamento anual, até se reportar ao conselho ou sócios da empresa ou ao seu superior. No caso de um empreendedor ou CEO, ainda cabe a este pensar de forma geral ou até desenvolver o futuro do seu negócio e fazer isso com uma linguagem que todos abaixo consigam entender e entrem no desafio de buscar esse futuro.

Nesse momento, me questiono, será que preencho todos os requisitos acima apontados? Com certeza não, mas algo que aprendi durantes estes anos  como empreendedor é que não devemos ter medo de, em caso de dúvida, perguntar, em caso de inquietação, argumentar. Temos sempre que buscar novas soluções, mesmo que isso exija um exercício que já foi realizado com sucesso, sempre antes de falar, ouvir e, quando for necessário, ser duro. Acima disso, devemos sempre ser determinado e ético, buscando evoluir e aprender mais para se tornar mais completo e melhor.

Mas a lista de dificuldades não para por aqui. Existe um último inimigo que pode aparecer junto com o cargo do chefe: você mesmo, ou melhor, o seu “ego”. Do dicionário Dicio, ego é a parte central ou nuclear da personalidade de uma pessoa. Infelizmente, a frase que é atribuída à Abraham Lincoln “Quase todos os homens podem suportar a adversidade, mas se você quiser testar o caráter de um homem, dê-lhe poder” é extremamente verdadeira e atual. Uma atitude capaz de arruinar sua carreira e liderança é colocar seu ego à frente dos objetivos do seu negócio ou empresa. Óbvio que todos devemos ter um pouco de amor próprio e isso é ego, mas controlá-lo pode determinar seu sucesso como líder ou seu completo despreparo para assumir essa ardilosa e dura missão.

As conclusões sobre ser chefe são que, por vezes, você será psicólogo, por vezes ficará sem dormir preocupado com suas metas ou seu negócio, por vezes você não saberá o caminho ou a atitude que deve ser tomada, mas saberá para quem perguntar, por vezes você será o primeiro a chegar e o último a ir embora, por vezes você  estará pronto para tomar uma decisão difícil, por vezes você fará o que ninguém espera e, por fim, ainda sim, você continuará desconfiado se você está no caminho correto e se é capaz de ser o líder que seus liderados esperam e precisam. Ser chefe significa carregar várias responsabilidades, desde as metas da empresa até a vida dos seus liderados. Essa responsabilidade não diminui com o tempo, pelo contrário, só aumenta e fica cada vez mais complexa.Apesar de todos os desafios acima apontados, tenho a certeza de que a função chefe é incrível quando você consegue participar da evolução de um colaborador, seja no trabalho, seja na vida pessoal dele, ou quando com a sua liderança, seu time consegue entregar resultados melhores do que o esperado, ou ainda, quando você cresce a equipe e por mérito, reconhece o time e abre frente para antes um colaborador, agora se tornar chefe também.

Como os jovens sucessores familiares estão inovando a forma de fazer negócios em empresas tradicionais

De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 90% das empresas brasileiras são familiares. A grande questão que envolve esse expressivo pilar da economia – que representa 65% do PIB (Produto Interno Bruto) – é a sucessão. Especialistas apontam que menos de 30% das empresas conseguem passar o negócio para os descendentes e a situação é ainda mais preocupante nas perpetuações seguintes: de 30 empresas, apenas cinco chegam à terceira geração.

Executivos de companhias poderosas, como a Hirota, Corello, Agro Assai e Osten, a maioria na terceira linha sucessória, provam o contrário. As empresas, consolidadas e respeitadas no mercado, crescem e inovam seus serviços, principalmente devido à chegada de mentes jovens e disruptivas, que estão transformando seus negócios. Segundo Leandro Kamada, 28, responsável pela área de Novos Negócios da varejista Hirota, detentora da rede com mais de 30 lojas inspiradas na cultura japonesa, o maior desafio na sucessão familiar é conciliar o dilema tradição X inovação. “Preservar o legado criado pela família e, ao mesmo tempo, estar conectado com as novas tendências do mercado e o comportamento do consumidor para conseguir sobreviver e crescer no ambiente de extrema concorrência é desafiador”, analisa.

Para Jorge Yamaniski Neto, 27, Gerente Geral de Planejamento Estratégico da Osten Group, grupo de concessionárias focado no segmento premium, a maior dificuldade é conquistar a confiança dos colaboradores por estar acima de profissionais que, na maioria das vezes, são muito mais experientes e mais velhos. “Tento mostrar constantemente que não ocupo tal cargo apenas por ser da família, mas também por ter competência para tais responsabilidades”, afirma o executivo.

Na visão de Tatiana Takikawa, 39, sócia e diretora comercial da distribuidora de máquinas e peças agrícolas, Agro Assai, sua chegada na empresa, com apenas 22 anos e logo após a inesperada morte de seu pai, gerente-geral da empresa, não aconteceu da melhor maneira, já que não houve um preparo para a sucessão do negócio. Além disso, o fato de ser mulher em um ambiente majoritariamente masculino também foi um obstáculo que enfrentou ao longo dos anos, mas que tem sido revertido com êxito.

Hoje, aos 22 anos, Gabriela Silvarolli é Gerente de Marketing e Produto da Corello, varejista de bolsas e sapatos. Em seu primeiro ano de empresa, idealizou e conduziu uma campanha de inverno sozinha. Em comum, essas jovens lideranças acreditam na comunicação e no diálogo intergeracional como fatores imprescindíveis e decisivos nas escolhas e futuro da empresa. É necessário, também, haver uma mentoria externa que consiga analisar o andamento dos negócios.

Para eles, é importante que existam espaços em que trocas de vivências possam ser feitas, como é o caso do que oferece a mais qualificada plataforma de conteúdo, experiência e networking LIDE FUTURO, da qual são membros. Ao lado de outras 1.000 jovens lideranças em âmbito global, o grupo promove eventos de diversas temáticas relevantes para a sociedade e permite que empreendedores dos mais variados segmentos compartilhem histórias, dores e resultados de um trabalho eficaz e poderoso.

“Nosso objetivo sempre foi fortalecer o que entregamos e qualificar a nossa base de filiados. Focamos também em promover mais diversidade, incluindo mais mulheres nesse diálogo, garantindo seu protagonismo e transformando a plataforma em um grupo cada vez mais plural, capaz de trazer a real projeção da nova geração de líderes que conduzirá o país”, destaca Laís Macedo, CEO do LIDE FUTURO.

5 dicas para organizar a vida financeira em 2019

Fábio Corrêa, cofundador do LIDE FUTURO, oferece um passo a passo para quem deseja maior estabilidade no próximo ano

A chegada de um novo ano pode ser o momento ideal para programar uma viagem, trocar de carro ou dar entrada em uma casa própria, mas para isso acontecer, antes de tudo, é necessário ter uma vida financeira organizada.

Ao longo dos 12 meses do ano, inúmeras despesas não programadas surgem pelo caminho e a falta de planejamento pode ser uma armadilha perigosa para as finanças. O conserto do carro ou um gasto com saúde, por exemplo, podem ser fatais para quem ainda tem dúvidas de como se comportar perante as contas.

“Certamente, o primeiro passo para se organizar financeiramente é saber o quanto entra e o quanto sai”, afirma o economista Fábio Corrêa. Pós-graduado em finanças e com expertise de mais de dez anos no setor, é sócio cofundador do LIDE FUTURO, grupo de jovens líderes empresariais que tem o objetivo de compartilhar experiências, fomentar práticas de sucesso no ambiente empreendedor e promover uma qualificada rede de networking.

Com o intuito de ajudar quem busca mudanças significativas para 2019, ele elencou cinco dicas fundamentais para equilibrar as contas e ter uma vida financeira saudável, tranquila e estável.

Passo 1 – Conheça suas finanças
A primeira coisa a fazer é saber exatamente o quanto de dinheiro entra e o quanto dele você gasta. É muito importante ter disciplina para nunca expender mais do que se ganha. Uma dica interessante é colocar todas essas informações numa planilha, por exemplo, para ter um controle maior e mais eficaz.

Passo 2 – Poupe dinheiro
Quando você sabe exatamente o quanto recebe e o quanto gasta, é hora de realizar uma análise crítica de despesas supérfluas. Dentre todos esses custos, defina, por prioridade, os mais relevantes para você. Os custos que tiverem menor importância na sua vida, devem ser cortados ou diminuídos. Essa economia varia de pessoa para pessoa, mas deve englobar de 10% a 30% da sua renda mensal.

Passo 3 – Crie uma reserva financeira
Agora que você entende tudo das suas finanças e ainda economiza dinheiro, está no momento exato para criar uma reserva financeira bacana que vai ser primordial para qualquer acontecimento inesperado, como a perda de um emprego, por exemplo. Essa reserva deve ser suficiente para suprir os gastos dos próximos seis meses.

Passo 4 – Estabeleça metas
Todos essas passos ganham ainda mais força quando estão atrelados a metas. Ou seja, faça uma lista de tudo que deseja realizar em 2019, isso pode incluir um curso, uma viagem, a compra de um carro ou imóvel – práticas que envolvem gastos. Quando você tem que reduzir os custos por um objetivo, a ação se torna muito mais fácil e sadia.

Passo 5 – Fuja das dívidas
Tenha muita disciplina para usar o cartão de crédito e controle adequadamente seus gastos. Se você já se vê mergulhado em dívidas, é hora de ir ao banco tentar negociá-las para, quem sabe, conseguir um bom desconto. Utilize a internet a seu favor e conheça artimanhas para não cair nessa cilada. O site da XP e da Infomoney são importantes canais de informação financeira.